Curso em Fortaleza (CE) aborda comunicação e igualdade racial

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Com foco na construção da igualdade racial na mídia e no papel dos profissionais da comunicação nesse processo, o Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) realizam o Curso Abdias Nascimento – Comunicação e Igualdade Racial. A aula inaugural da formação acontece no dia 21 de agosto, às 18h, na sede do Sindicato, e tem como convidada principal a jornalista e professora Cleidiana Ramos, que é Doutora em Antropologia, Mestra em Estudos Étnicos e Africanos, co-fundadora do site Flor de Dendê e ex-repórter especial do Jornal A Tarde.

Cleidiana Ramos realizará no primeiro dia do curso a palestra “Mídia e Relações Étnico-Raciais – Um diálogo desafiador”. A ideia é apresentar a construção do Brasil como um país multiétnico e o racismo como realidade que sedimenta e perpetua as desigualdades. Colocando em destaque as questões de. gênero como articulação de resistência e combate ao racismo, a pesquisadora falará, ainda, dos desafios para uma abordagem étnico-racial na Comunicação.

A pesquisadora também discutirá como os profissionais do jornalismo, da publicidade, do rádio, comunicadores populares e estudantes de comunicação podem projetar a valorização da população negra, partindo para uma produção em comunicação que leve em consideração as questões identitárias.

“Vamos discutir como as questões étnico-raciais estão na raiz das persistentes desigualdades sociais no Brasil”, diz Cleidiana. Para ela, os profissionais da área “têm a obrigação de olhar cada notícia, cada informação com senso crítico”. “Não dá pra gente discutir nenhuma questão neste país sem que se tenha um olhar apurado sobre as desigualdades que são também inter-relacionadas com às questões raciais e de gênero”, comenta a palestrante.

O Curso Abdias Nascimento – Comunicação e Igualdade Racial tem coordenação pedagógica da professora doutora em Educação Brasileira e especialista em africanidades cearenses, Silvia Maria Vieira dos Santos, e do jornalista Rafael Mesquita, que é secretário-geral do Sindjorce e diretor de Educação da Fenaj. Os educadores têm experiência em projetos que trabalham a formação de profissionais para a temático étnico-racial no Ceará e em outros estados do Nordeste, atuando em iniciativas como o “A Cor da Cultura” (Canal Futura, 2010-2011) e “Camutê – Comunicação Livre de Racismo” (2011-2012).

O curso terá um total de 10 encontros, que colocarão em perspectiva questões como a visibilidade da cultura e das demandas relacionadas à população negra, além da troca de experiência sobre a abertura de espaços para uma comunicação especializada nas africanidades brasileiras e demandas identitárias.

A qualificação profissional, que possui um total de 88 horas/aula, é fruto de projeto vitorioso em edital público e conta com o apoio da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), que certificarão a iniciativa como curso de extensão universitária.

Também são apoiadores o Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio do Núcleo das Africanidades Cearenses (Nace), o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), as Coordenadorias Especiais de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial do Ceará e de Fortaleza e o Coletivo Nacional de Juventude Negra (Enegrecer).

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