Prefeito de Fortaleza ministra aula magna sobre Atenção Primária à Saúde

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O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT, foto) ministrou a aula magna da III Jornada Acadêmica de Medicina da Unifor (JAM). O gestor discursou sobre planejamento para fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS). A temática do evento foca na estratégia central do Sistema Único de Saúde (SUS) para a resolução de 80% dos problemas dos pacientes.

Sobre a principal questão colocada em pauta pelo tema do evento, Roberto Cláudio inicialmente dividiu a resposta aos discentes em duas vertentes: os modelos fechados da atenção primária em pequena escala e geralmente privados, que permitem o acompanhamento longitudinal do paciente; e os sistemas abertos, similares aos dos modelos públicos de saúde, cuja procura dos pacientes não é controlada.

O Prefeito ressaltou que, no sistema público, idealmente, a equipe da atenção primária precisa ter alguns tipos de suportes, como acesso acessos a exames laboratoriais que possam dar ao profissional capacidade de fazer, além da anamnese, um diagnóstico com maior precisão, bem como uma rede de apoio especializada com assistência farmacêutica direcionada para pacientes crônicos.

“Nossos indicadores de acesso e resultados mudaram drasticamente após a implantação do Programa de Saúde da Família (PSF), trazendo a curto prazo mudanças na saúde coletiva. Vimos a cobertura de pré natal, de imunização, de assistência, do acompanhamento de hipertensos e diabéticos crescendo, assim como a vimos a redução da mortalidade infantil, do baixo peso ao nascer e da mortalidade materna. Com todas as dificuldades, quem gerenciou o SUS antes e depois do PSF sabe que a vida do povo mudou”, pontuou.

Para que o sistema funcione plenamente, o prefeito apontou a falta uma comunicação eficiente entre os diferentes níveis de cuidado, uma maior integração dos elementos do SUS, dada a proporção continental do Brasil e abertura a portas múltiplas do próprio sistema.

Dificuldades

Construir um sistema desse custa muito caro e demanda uma complexidade administrativa que não se encontra nas melhores experiências privadas e públicas, segundo ressaltou Roberto Cláudio, sendo necessário modificar a forma de financiamento do SUS e não culpar as atuais dificuldades simplesmente na falta de gestão financeira ou na própria corrupção.

Ele explica que, no Brasil, cada residente custa US$ 970 por ano, em comparação ao Canadá, cujo sistema é similar ao brasileiro, o custo anual e individual chega a US$ 4.350, sendo o Brasil um país mais pobre, mais doente e cuja população está envelhecendo.

Outro dado alarmante em relação ao financiamento trazido pelo gestor é o gasto brasileiro de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) em saúde, sendo apenas 30% dele proveniente de recurso público, Ou seja, apenas cerca de 2,4% vão para atender a saúde 82% da população, ao passo de que os 70% são direcionados para quem possui plano de saúde.

Os municípios, por sua vez, legalmente devem gastar 15% do PIB arrecadado com saúde, e Fortaleza gasta 29%, conforme Roberto Cláudio. A média nacional é de 24%. Em contraponto, a união, deveria gastar 9% do PIB, mas o valor chega a 4%.

“Isso coloca sob risco o papel social do sus que tenta equilibrar desigualdades. Os dois investimentos mais necessários para esse equilíbrio são a educação e a saúde, mas infelizmente o nosso país não tem feito esse papel. Há um desfinanciamento da nossa rede pública de saúde”.

Estrutura em Fortaleza

Roberto Cláudio destacou que, em Fortaleza, a saúde é o serviço público mais usado pelo cidadão e a demanda chega a 88% da população usuária exclusiva do SUS, cerca de 2,2 milhões de pessoas. Esse número tem importância demográfica por representar o dobro da demanda do transporte público e da educação, os dois outros serviços mais utilizados.

O prefeito ressaltou como resultados dos investimentos realizados a ampliação de 32% da cobertura de saúde pública em 2012 para 65% no atual ano, mais do que o dobro. Além disso, a implantação do modelo de 12 horas corridas de atendimento nos postos de saúde, do ponto eletrônico, dos laboratórios de coleta e dos modelos de farmácia com estoque garantido.

Outro ponto levantado foi a contratação de equipes multidisciplinares de suporte ao PSF para acompanhar principalmente pacientes crônicos, com farmacêutico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e psicólogo, cuja parte já está trabalhando nos Núcleos de Desenvolvimento Infantil (NDI) do programa Cresça Com Seu Filho, do gabinete da Primeira-Dama Carol Bezerra,

Programa Médico Família Fortaleza

O prefeito Roberto Cláudio anunciou, em primeira mão, a criação do Programa Médico Família Fortaleza, que irá abrir 140 vagas para completar todas as equipes de médicos do PSF do município. A seleção será feita pela Escola de Saúde Pública do Estado do Ceará, e os selecionados irão receber valor semelhante ao dos profissionais dos Mais Médicos, trabalhando dentro de um regime de seis horas diárias, quatro vezes por semana.

Além disso, os médicos deverão participar de um processo de educação continuada dirigida especificamente para o PSF, cuja maior prioridade atual é a redução da mortalidade infantil. Ao final do processo, garantiu o prefeito, quem completar o ciclo vai ter pontuação diferenciada para as provas de residência médica do Estado do Ceará.

“Este será primeiro ano dessa política e já vamos contratar no final do mês de março, resolvendo o problema assistencial. O nosso intuito é valorizar o trabalho medico, garantir uma formação complementar e estimular o profissional a depois de formado ter uma experiência clínica prática acompanhada pela escola de saúde pública. Este é o único programa nesses moldes no brasil inteiro”, finalizou.

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