Expectativa de queda de juros faz mercado projetar cenários econômicos

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Existe uma expectativa no cenário internacional: a de que o FED e o BCB deem sinais baixistas para os juros longos nas reuniões de hoje (20.3). A economia dos EUA teve um forte revés no último trimestre do ano passado, que foi suficiente para derrubar as bolsas e interromper o discurso do FED, na direção da normalização da política monetária. Os dados, porém, não melhoraram após a mudança do tom da autoridade monetária e continuaram ruins, em particular os ligados à indústria. Além disso, crescem as evidências de que as expectativas em relação ao crescimento global continuam piorando, impulsionadas pela falta de solução para a guerra comercial iniciada pelos EUA. Como resultado, o mercado acredita que o FED, além de manter os juros básicos inalterados, pode sinalizar com a postergação das duas altas planejadas para esse ano.

No cenário doméstico, a FGV divulgou o monitor do PIB, medido em janeiro, e ele mostrou desaceleração da taxa de crescimento. Segundo o IBRE, a desaceleração da taxa de crescimento do setor de transformação foi o grande responsável pela queda, dada sua importância na atividade geral. O instituto considerou que “a despeito das variações positivas, o cenário não é animador”. A taxa de crescimento de janeiro veio em 0,3% e acumula 0,7% na taxa anual. Com os dados do IBGE e do BCB sobre janeiro, o índice mostra que janeiro foi um mês ruim e vai pesar na determinação do PIB do primeiro trimestre. O peso desse PIB é elevado na taxa anual, aumentou consideravelmente a chance do PIB de 2019 ficar abaixo de 2%.

Com atividade muito fraca no Brasil, juros muito baixos no exterior e inflação ancorada, o BC tem um enorme estímulo para reagir com mais algumas quedas na taxa SELIC. As duas únicas razões para o COPOM não iniciar o processo agora são o início do mandato de Roberto Campos Junior e o estado de espera condicionado pela reforma da previdência. O COPOM, porém, deverá indicar algum elemento referente a essa possibilidade no futuro, dadas as preocupações com as condições da economia.

Consequentemente, o mercado deve ter um pregão de cautela, à espera dos BCs e da chegada da reforma da previdência dos militares na CCJ. A abertura do índice futuro foi em 99.940, ligeiramente abaixo do fechamento de ontem. O dólar futuro abriu 5 pontos abaixo do fechamento de ontem, a 3,875 e deve ter um pregão de cautela até às 15:00 hs, quando o FED anuncia a sua decisão.

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