“A indústria da moda precisa repensar a maneira como produz e comercializa peças”, defende especialista

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A preocupação com o meio ambiente nunca foi tão urgente, e não atinge apenas a esfera governamental. Responsável por uma parcela significativa de emissão de poluentes, a indústria têxtil constantemente tem sido exigida quando o assunto é sustentabilidade. Prova disso é Fashion Pact, acordo assinado por grandes marcas da indústria da moda durante a última reunião do G7. 

A especialista em moda Domenique Heidy analisa que ações como essa reforçam uma mudança de consumo já presente nas grandes marcas. “A nova geração de consumidores tomou uma consciência de consumo que literalmente vem obrigando grandes marca a repensar sua forma de produção”, pontua.

O grande problema causado por essa indústria é o incentivo ao consumo rápido — chamado Fast fashion —, que incentiva os preços baixos e uma produção de custo mínimo, que tende a potencializar a caraterística poluente. “O ciclo de vida das peças é cada vez mais curto e muitas delas vão parar em aterros e lixões. Isso é potencialmente preocupante, principalmente se observamos que um dos principais tecidos utilizados na indústria têxtil é o poliéster, que demora quase 200 para se decompor, sem contar nos outros”, observa Domenique.

Para a especialista, admitir os impactos é o primeiro passo para criar formas para reverter e minimizá-los. “O maior desafio dessa indústria é transparecer justamente seus processos de produção aos compradores. As pessoas estão interessadas em saber do que a roupa que veste é feita e quais impactos causou no processo. A indústria da moda precisa repensar a maneira como produz peças e as comercializa”.

Domenique aponta que o processo de consciência adquirida pelos consumidores dificilmente vai decrescer. “O próprio boom dos brechós refletem essa preocupação, existe um cuidado em reutilizar. O consumo em si já mudou. Esse pacto é um marco na história dessa indústria que há muito tempo precisa de uma reformulação do tipo e espera-se que seja capaz de suprir e cumprir o propósito”.

Como consumir moda de forma consciente

Enquanto a sustentabilidade não é uma realidade convicta no mundo da moda, Domenique separou cinco dicas para quem quer estar bem vestido, mas sem impactar as futuras gerações.

Compre menos e melhor: Você realmente precisa comprar essa peça? Se permita pensar e  entender quais roupas já possui e se a próxima aquisição, de fato, condiz como seu estilo e biotipo. 
Desapegar e Reutilizar: Outra boa medida é analisar com regularidade se as roupas que possui satisfazem sua necessidade. Se não, existe a possibilidade de disponibilizar  a peça para brechós, família e sites de desapego. Assim como, consumir produtos de brechós também são uma ótima forma de reutilizar;
Esteja atento ao material: Muitas marcas já utilizam matérias primas sustentáveis em sua produções. Fibras naturais, algodão ecológico e tecidos alternativos são opções de materiais de qualidade e que respeitam o meio ambiente.
Repita o look: Todo evento te pede uma roupa nova? A mudança pode partir de pequenas mudanças, como repetir looks… e quem sabe, até influenciar quem convive ao redor a fazer disso um hábito.
Reformar e customizar: Nem toda peça inutilizada é uma peça perdida, as vezes ela só precisa de uma cara nova. Experimente customizar peças que não usa mais, utilize patches, encurte barras de calças, as possibilidades são inúmeras. 

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