A Coluna do Roberto Maciel (23.05)

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Quem deve, teme: mais uma fragilização de Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro não teve apenas expostas pelo vídeo da reunião ministerial de 22 de abril as entranhas do governo que faz, ou diz e acha que faz. Ele também tem engatilhado um conflito sério com delegados da Polícia Federal: mexeu nos brios corporativos deles. Ao tentar interferir em posições no comando no órgão, o que para muitos analistas fica claro nas imagens e áudios exibidos ontem (22.05, sexta-feira), gerou ondas de insatisfação numa categoria que, pelas designações institucionais e constitucionais que tem, pelas atribuições graves que reúne, deve ser tratada com compostura profissional e nunca como adversária. O ex-presidente Lula e a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), por exemplo, deram demonstrações de como é importante manter a independência da PF – assim como é fundamental para a sociedade que o mandatário preserve certo distanciamento. Se houvesse um “manual do presidente da República”, estaria escrito lá que é recomendável fortalecer os trabalhadores públicos, nunca tentar manipulá-los. Pois Bolsonaro está agora pagando pelos atos que empreendeu – que o fizeram até perder um dos nomes mais populares que tinha no estafe, o do ex-juiz Sérgio Moro. Jair Bolsonaro se fragiliza – torna-se, assim, mais vulnerável à intensidade de investigações e a reprimendas de um grupo inteiro. Não apenas ele, mas os filhos e “amigos”, como não se constrange de citar. Lembre-se, enfim: quem deve, teme.

Turma

No vídeo da reunião com ministros, que o decano do STF, Celso de Mello, autorizou apresentação, o presidente demonstra preocupação com a família e “amigos”. Fabrício Queiroz é um amigo à solta, mas sumido, Adriano da Nóbrega é um amigo debaixo de sete palmos de terra, Ronnie Lessa é um amigo que está vendo o sol nascer quadrado. É pertinente, então, a atenção que dedica à prole.

Firmeza
E a Federação Nacional dos Policiais Federais quer investigação rigorosa das denúncias de que um delegado do órgão vazou para o senador Flávio Bolsonaro, filho 01 do presidente da República, informações sobre uma operação da PF que poderia respingar no mandato dele como deputado estadual. Os fatos referem-se a 2018, anteriormente às eleições em que venceu o páreo para senador do Rio de Janeiro e o pai ficou com a Presidência. Quem denunciou a trama foi Paulo Marinho, empresário que é suplente de Flávio, aquecendo em muitos graus a pauta política.

Paulo Guedes afirma ser possível reverter 'decisão não muito ...

Outro lado da moeda
E, não espantosamente, a forma atrapalhada de tratar os servidores fez escola. O ministro Paulo Guedes (Economia) tem se mostrado aplicado aluno do “método Bolsonaro de distribuir pontapés”. Em coletiva no Palácio do Planalto, saiu-se com essa, em relação ao funcionalismo público: “Por favor, não assaltem o Brasil quando o gigante está de joelhos”. Sim, comparou servidores a assaltantes que tomam posses de quem está ajoelhado.

Para todos
Quem é servidor público certamente não gostou da comparação, assim como empregadas doméstica detestaram xingamentos do ministro.

Resposta
A Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), aliás, foi dura ao rebater Paulo Guedes: “O ministro tem uma imagem dos servidores públicos que nada diz sobre estes, mas diz tudo sobre si próprio, que fez fortuna sem produzir um prego, sem atender a uma pessoa na fila de um posto de saúde ou sem lavrar um auto de infração contra um fora-da-lei. Guedes sente desprezo por quem trabalha mas, ao mesmo tempo, demonstra empatia profunda pelos parasitas do mercado financeiro, com os quais bebe, almoça e janta, em tempos normais; e conversa em webinars, em tempos de pandemia”.

Sem economizar
A entidade não poupou palavras. E registrou que “na régua de Guedes, parasitas, achacadores e assaltantes são a medida de todas as coisas. Nem mesmo uma grave pandemia, que daqui a alguns dias terá superado a trágica marca de 20 mil vítimas fatais, torna um pouco mais humano o ministro da Economia de Bolsonaro”.

J’accuse
Não bastando, a Fenafisco acusou omissão do ministro da Economia diante da crise sanitária da covid-19: “Ao invés de adotar medidas para proteger e apoiar os milhões que estão perdendo o emprego diariamente com a crise, Guedes prefere desrespeitar os servidores públicos que vêm atuando incansavelmente frente à maior crise humanitária de que se tem notícia”.

Soberba
E deu o golpe de misericórdia: “Não somos nós quem roubamos o Brasil, ministro. É a sua soberba que prejudica todo o país”.

De frente

Augusta Brito Toma posse nesta terça-feira na Procuradoria da Mulher

A Assembleia Legislativa vai ter um tête-à-tête virtual com o Sindicato dos Médicos do Ceará. É que as comissões de Orçamento, Finanças e Tributação e de Trabalho, Administração e Serviço Público aprovaram requerimento da deputada Augusta Brito (PCdoB, foto) e do deputado Guilherme Landim (PDT), subscrito por Jeová Mota (PDT) e Evandro Leitão (PDT), propondo reunião com a entidade.

Hora da verdade
O Sindicato tem acusado a categoria que representa de estar despejando falsos atestados de óbito na cena da covida-19. É uma acusação gravíssima. Os deputados querem esclarecimentos sobre as denúncias. Segundo a entidade, o Estado estaria pressionando médicos a assinar documentos fraudulentos.

Foco
E a Assembleia também está mirando firme no novo coronavírus. Campanha pela contenção e prevenção do vírus faz foco no uso de materiais de proteção, como máscaras, e na conscientização.

Fatura
O vereador José Porto está propondo que o contribuinte de Fortaleza pague pelo uso de ônibus por servidores municipais. Ou seja, como alguém tem de bancar a conta – que há de favorecer as empresas de transporte -, que esse alguém seja o cidadão.

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