Alta da inflação pode romper ciclo de cortes na taxa Selic?

Dados divulgados na manhã desta sexta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), avançou 0,26% em junho, após 0,38% em maio e 2 meses seguidos de queda. Ou seja, um período de variações negativas média de preços, e assim, há uma deflação. Além disso, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação dos preços para as famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos e chefiados por assalariados, teve elevação de 0,30% em junho, após recuo de 0,25% em maio. Dessa forma, o índice acumula uma elevação de 0,36% ao ano. Com resultados acima do esperado em relação à economia brasileira, o IPCA de junho deve consolidar projeções para a taxa de juros e apostas de mais cortes diminuíram.

Daniela Casabona, diretora da FB Wealth, explica que, a expectativa sobre o IPCA era um número positivo depois de meses em baixa. “O número de junho é um ótimo termômetro para entender o impacto das medidas econômicas e abertura do comércio em meio a pandemia. Quanto mais alto vier, melhor para a economia, e principalmente para nossa moeda, que tem sofrido um deságio forte com a fraca atuação do Banco Central, e pode romper o ciclo de queda da taxa de juros. O INPC está relacionado ao IPCA de maneira que ele mede o preço médio de um conjunto de coisas que observa a tendência da inflação. A inflação subindo de maneira controlada nesse momento significa um reaquecimento da economia e será bastante positivo para o país e pode principalmente impactar no PIB deste ano”, complementa.

O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, ressalta que, as expectativas do mercado estavam perto de 0,30%, acumulando 2,16% em 12 meses. “É uma inflação baixa para os padrões do Brasil e reflete o enorme choque da covid-19 sobre a economia brasileira. O IPCA tem a possibilidade de subir nos próximos meses, à medida que a economia for sendo retomada e que os agentes normalizam a demanda nacional. Mas esse movimento não será agressivo. Acredito em um IPCA na casa dos 1,80% para 2020. O Banco Central deve continuar com sua política de juros baixos, já que a inflação tende a se manter baixa”, finaliza.

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