A Coluna do Roberto Maciel (extra, quarta-feira, 22.07): A Educação vence Bolsonaro

Bolsonaro foi derrotado pelo que não tem e por aquilo em que não acredita
A prorrogação do Fundo de Desenvolvimento da Educação (Fundeb) para 2021 foi aprovada ontem à noite pela Câmara dos Deputados. Isso são favas contadas, então. Assim como o é a acachapante derrota do governo de Jair Bolsonaro, que pretendia – pelo menos era o que dizia – suspender o Fundeb no próximo ano e só retomá-lo em 2022, ano eleitoral e, portanto, com a população mais suscetível a propostas de financiamento de demandas básicas. Nesse meio tempo, o Planalto alegava que utilizaria o dinheiro do Fundo no programa Renda Brasil, que tenta suceder o Bolsa Família, criado na gestão petista. Palavras do deputado Felipe Rigoni (PSB-ES, foto abaixo), o primeiro parlamentar cego da Câmara: “O Fundeb é mais importante que a Previdência porque define o futuro do nosso país. Um Fundeb mais justo e mais eficiente pode contribuir para que cada homem e cada mulher tenha uma melhor formação daqui pra frente”. Foi Rigoni quem proclamou o resultado, ocupando a presidência dos trabalhos a pedido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Desse modo, passada a tensão do plenário, vale avaliar outros elementos.

Deputado(a) Federal Felipe Rigoni - Portal da Câmara dos Deputados

Um por um
O primeiro elemento a se considerar é a expectativa de sanção, veto ou veto parcial que Bolsonaro pode adotar para a matéria. Deve-se esperar que a sancione, no máximo com poucos vetos, uma vez que não tem coragem para enfrentar uma eventual rejeição da Câmara a cortes na proposta. Depois, porque não tem base parlamentar para sustentar uma decisão desfavorável ao Fundeb.

Matadores de aluguel
O segundo é o comportamento revelador do “Gabinete do Ódio”, como se denominou o grupo de pistoleiros virtuais que serve ao Palácio do Planalto. Ontem, nas redes sociais, viu-se uma saraivada de ataques ao Fundeb. Gente como o blogueiro e falso profissional de jornalismo Allan dos Santos, investigado pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito das fake news, investiu agressivamente contra o Fundo. Uma das bases da retórica contrária à educação era a de que o Fundeb é uma “armação esquerdista”. O “Gabinete” seria coordenado pelos filhos do presidente, Carlos e Eduardo (foto abaixo).

Gabinete de Eduardo Bolsonaro é responsável por conta do Instagram que  ataca jornalistas, STF e Congresso

Crimes sob encomenda
É óbvio que o “Gabinete do Ódio” não opera de modo próprio. As muitas incursões que faz nas redes sociais, buscando trucidar reputações – como trucidaram, a tiros, a vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes – são sob encomenda. Os membros do “Gabinete do Ódio” são pagos regiamente para destruir vidas e só trabalham se forem remunerados. Embora a ideologia nazi-fascista esteja raivosamente presente nesse esquadrão, o que conta mesmo é o dinheiro que é embolsado.

Investimento social
Integrante de um partido de direita, o DEM, o presidente da Câmara federal foi preciso ao desfazer as teses bolsonaristas contra o Fundeb: “Tenho certeza de que hoje fazemos história. Estamos fazendo o melhor para os brasileiros com muita responsabilidade. São despesas que, na verdade, são investimentos nas crianças e no futuro de tantos”, disse Rodrigo Maia, completando: “Isso traz responsabilidade para achar o caminho para que esses recursos cheguem”.

Pá de cal

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Para desespero dos que jogam contra a educação, a Câmara dos Deputados também aprovou a Proposta de Emenda à Constituição 15/15, que torna o Fundeb permanente. A PEC ainda amplia a participação da União no financiamento da educação infantil e dos ensinos fundamental e médio. Foi um tiro de (ou sem) misericórdia no peito do governo Bolsonaro, porque consagra uma medida criada por Lula (foto acima) e, depois, porque o impede e a quem quer que seja de agir contra o Fundo.

Bloco
Todos os 22 deputados federais cearenses votaram a favor do Fundeb. No total, o Fundo recebeu em segundo turno 492 votos favoráveis e seis votos contra – dos bolsonaristas Bia Kicis, Chris Tonietto, Zacharias Calil, Felipe Barros, Junio Amaral e Paulo Martins. Houve apenas uma abstenção, também de um apoiador de Bolsonaro, Márcio Labre.

Amarelou
É mais ou menos por aí que se pode dimensionar a bancada de Bolsonaro e o grau de coragem que a caracteriza. A nota curiosa fica por conta do deputado Eduardo Bolsonaro, que, avaliando o impacto político de um voto contra o Fundeb teria para si e para a gestão do pai, decidiu se posicionar a favor do Fundo.

Daqui
A Assembleia Legislativa do Ceará exerceu pressão sobre a bancada do Estado na Câmara federal. Os deputados José Sarto e Queiroz Filho (PDT), Renato Roseno (PSOL) e Acrísio Sena e Elmano Freitas (PT) se manifestaram firmemente a favor do manutenção e do fortalecimento do Fundeb.

Pirulito
Mas Bolsonaro não pode dizer que a semana foi uma bomba. É que a Câmara colocou nas mãos dele uma verba extra de R$ 639 milhões. Esse dinheirão todo, que como deputado ele nunca viu, será repassado sob o pretexto de a Presidência da República e ministérios atuarem contra a covid-19. A tal da “gripezinha” que não causaria nem 800 mortes, como Jair Bolsonaro disse.

Saúde

A Câmara de Fortaleza marcou para amanhã (quinta, 23.07) debate sobre saúde mental das crianças na pandemia. Começa às 9h30min. O evento marca, ainda, o lançamento do livro “O coronavírus não sai do meu pensamento. E agora?” A abordagem diz respeito às repercussões psicológicas do controle e do tratamento da covid-19 em crianças de seis a dez anos. O livro é de autoria das profissionais de saúde Ana Paula Brandão Souto, Antônia Kaliny Oliveira de Araújo e Maria Gardênia Amorim.

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