A Coluna do Roberto Maciel (quinta-feira, 30.07): Bolsonaro só não aprenderá coisas positivas se não quiser. Ou não aprende porque não quer

As oportunidades que Bolsonaro tem
Não seria ousado demais afirmar que Jair Bolsonaro teve em um ano e sete meses de mandato como presidente da República oportunidades únicas de tomar lições positivas. Marcharam diante dele as possibilidades de conhecer e praticar mais sobre proteção social do cidadão, saúde, economia, ambiente, educação, liberdades democráticas, respeito à fé, justiça, igualdade das mulheres, direitos dos jovens e até mesmo à necessária compreensão da história como bem comum. Sim, Bolsonaro teve oportunidades de sobra para aprender muito com esse desfile. Pode-se dizer que, considerando os saberes que poderia ter acumulado desde que foi eleito pela primeira vez, para vereador do Rio de Janeiro, em 1989, ele nunca havia se deparado com tão larga, profunda e rica chance de agregar valores. Mas é certo avaliar que Jair Messias Bolsonaro aprendeu com o que se colocou à frente dele? Não é o que demonstra. Seria legítimo, então, reconhecer que existem dois bolsonaros no que ocupa a Presidência da República. Um é aquele que, como pouquíssimos, foi contemplado pelos votos dos brasileiros e levado ao posto maior da Nação. O outro é uma figura tosca, que questiona a proteção social do cidadão, nega medidas sérias para saúde – como ações eficientes de combate à pandemia da covid-19, mantém a economia dependente de outros países, trata o ambiente com desprezo, conduz a educação ao caos, contesta liberdades democráticas, nega respeito à fé, atravessa a justiça, debocha da igualdade das mulheres, retém os direitos dos jovens e até mesmo se posiciona contra o que a História registra. O pior é que não parece haver conflito entre essas personalidades. A segunda – que corre atrás de emas para mostrar a elas caixas de cloroquina – tem vencido a primeira. Sem discussão. E por nocaute.

Fotos de Bolsonaro exibindo cloroquina para ema viram meme na internet |  Poder360

Aritmética tétrica
O Brasil tende a superar hoje a marca inglória de 91 mil pessoas mortas pela infecção causada pelo novo coronavírus. A covid-19 tem registrado nos últimos dias média superior a mil óbitos por dia, o que legitima a projeção funesta que fazemos aqui, embora empiricamente. Sabendo que um avião Boeing 747 comporta 396 passageiros, é válido comparar a carnificina de brasileiros pela doença ao resultado estarrecedor de 227 quedas de aviões de grande porte.

Básico
Deve ser creditada na conta do “espantoso” matéria que tramita na Câmara de Fortaleza. É da vereadora Larissa Gaspar (PT). A proposta cria uma política pública que a parlamentar define como “Menstruação sem Tabu” e defende a universalização do acesso a absorventes higiênicos.

Creia!
Sim, é verdade: em pleno século XXI há setores da sociedade que ignoram informações básicas sobre menstruação. E há outros, tão miseráveis, que além disso nem acesso a absorventes íntimos tem.

Responsabilidade
Tem a assinatura da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma das mais respeitadas instituições do gênero no mundo, o manual sobre biossegurança para a reabertura de escolas no contexto da covid-19. O material vem circulando entre gestores educacionais e professores.

Fiocruz lança manual com recomendações para volta às aulas

Orientações
O manual tem linguagem acessível e oferece orientações para retomada das aulas em segurança. Também publica informações sobre questões sanitárias e formas de transmissão da doença. Por fim, ressalta a necessidade de implementação de boas práticas de biossegurança que contribuam para promover a saúde e prevenir a doença nas escolas.

Mira da Mayra
Vale lembrar que a Fiocruz, apesar de todo respeito que agrega e de toda a credibilidade que tem, entrou na mira do bolsonarismo. E sofreu intensas, duras e injustas críticas de gente pouco credenciada. Como a médica cearense Mayra Pinheiro, uma tucana que desembarcou no Governo Federal com posturas hostis a tudo o que lhe cheira como progressista. Secretária de Gestão e Trabalho, Mayra Pinheiro é defensora da cloroquina como remédio contra a covid-19.

Delirante
Expert em vaiar colegas e cuspir neles, como fez com cubanos que vieram participar do Programa Mais Médicos, Mayra agora apresenta delírios como os de enxergar pênis e figuras de Che Guevara e Lula em ambientes da Fiocruz. Veja:

Aula
Mulheres que planejam ingressar na política podem participar de um curso gratuito e online oferecido pela Câmara dos Deputados. O curso trata de temas como “O que é preciso para se candidatar?”; “Como aumentar as chances de se eleger?”; “Como construir o plano de campanha?”; “Como superar as dificuldades de ser mulher na política?” Os conteúdos somam oito horas e são abertos a qualquer mulher. A inscrição deve ser feita aqui. https://escolavirtualdecidadania.camara.leg.br/site/2378/mulheres-na-politica/

Deveria ser o povo, mas é o marido
A propósito, há no Ceará um caso muito curioso. É o da deputada estadual, médica e pastora pentecostal Silvana Oliveira (PL). Ela diz que é subordinada ao marido, o deputado federal, médico e pastor pentecostal Jaziel Pereira (PL). Submissa. Silvana admitiu o seguinte em entrevista ao jornal O Povo, de Fortaleza, publicada em 18 de dezembro de 2018: “Meu marido é, depois de Deus, o meu mestre. O dono do meu mandato. É a pessoa que conduz, aconselha. Eu entendo e vivo a submissão feminina no amor em Cristo”.

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