A Coluna do Roberto Maciel (sábado, 01.08): Felipe Neto não é Marielle Franco

Um lado da história
O youtuber Felipe Neto, personalidade das redes sociais aplaudida pelo público infanto-juvenil é, sem favor, um sujeito inteligente. Diferentemente de muitos que falam para plateias com uniformidade etária, sabe que seus 63 milhões de seguidores em redes sociais estão crescendo, estão ficando mais velhos, amadurecendo e cultivando interesses distintos dos de anos antes. E, nesse processo que envolve conhecimento alheio e autoconhecimento, vai construindo progressivamente um nome, uma reputação, uma história. É a esse ponto que queremos chegar. Felipe Neto, enveredando pela necessária e indispensável crítica política, topou com uma violenta e virulenta milícia digital. São apoiadores do presidente Jair Bolsonaro que, travestidos de “conservadores” e “patriotas”, passaram a atacá-lo no ambiente virtual. Impingem contra ele adjetivos abjetos, tascam-lhe injúrias, apedrejam-no com acusações sem provas. A vida de Felipe Neto, acreditem, tem sido dura nos últimos tempos.

O outro lado
Agora, repare na frase a seguir: “Vocês sabem que a liberdade de expressão é essencial se você quer falar em democracia”. Foi parida por Jair Bolsonaro, mas numa primeira vista poderia parecer como coisa de quem defende mesmo princípios democráticos. Não se deixe levar pelas impressões iniciais, porém. É que Jair Bolsonaro completou o, digamos, raciocínio com uma queixa: “O Congresso está discutindo aqui, já passou no Senado, está na Câmara, seria a lei das fake news. Acho que é mais uma maneira de botar limites na liberdade de expressão”. É assustador: o presidente do Brasil se posta pessoalmente contra medidas de combate a notícias falsas – ao ponto de designar a Advocacia Geral da União para questionar ação judicial contra quadrilhas de criminosos que infestam a Internet e promovem linchamentos morais. Essas gangues estariam abrigadas no “Gabinete do Ódio”. Comparando os dois momentos de Jair Bolsonaro, há quem possa avaliar o primeiro como um surto de razoabilidade, algo quase instantâneo, mas que deu e passou logo. Só como isso. Ou como conversa fiada.

Felipe Neto não é Marielle
Some agora os blocos acima. As emboscadas que se armam diariamente contra Felipe Neto ganharam ênfase após ele, numa manifestação ao site do jornal norte-americano The New York Times, ter dito que Jair Bolsonaro era o pior presidente do mundo em ações contra a covid-19. Sabendo que o Brasil já supera a marca deletéria de 92 mil mortos pela doença, não se pode classificar a fala de Felipe como um exagero (veja abaixo – o primeiro vídeo é o original, o outro é uma postagem do canal Meteoro). Menos ainda como uma injúria. Felipe Neto teve, sim, precisão cirúrgica – apesar de a percepção que demonstra ter não conferir a ele dons especiais, ou algo que o situe além do senso comum. A diferença é que Felipe Neto é um influenciador para milhões. E isso o torna perigoso para o bolsonarismo, daí as tentativas de chaciná-lo. E, com recursos para contratar advogados e seguranças, o youtuber tem deixado bem claro que não é nem vai ser Marielle Franco.

Pauta musical
Termina hoje o II Festival de Música da Assembleia Legislativa do Ceará. As 12 músicas selecionadas nas semifinais realizadas quinta-feira e ontem serão apresentadas a partir das 19h30min deste sábado, no Auditório João Frederico Ferreira Gomes.

Política de reconhecimento
As composições que obtiverem os três primeiros lugares vão receber prêmios polpudos. A primeira colocadas ficará com R$ 25 mil, a segunda receberá R$ 15 mil e caberão R$ 7 mil à terceira. O melhor intérprete também terá seu quinhão, no valor de R$ 5 mil. E não para por aí: além dos prêmios em dinheiro, um álbum com as 12 finalistas ficará como registro histórico.

No palco

Selecionadas as seis primeiras canções  finalistas do II Festival de Música da AL


A rigor, o que importa mais do que os cifrões da premiação é o gesto político de reabertura do mercado cultural. A Assembleia Legislativa assume, com o festival, um protagonismo que deveria, pela lógica e pelas finalidades institucionais, caber à Secretaria da Cultura do Estado. No entanto, a Secult – com o peso dos grupos que historicamente ocupam com seus interesses os espaços na pasta – tem estado imobilizada.

Energia do Ceará
O Ceará alcançou, em plena pandemia, um marco histórico. Chegou a 100 megawatts de potência operacional na geração distribuída solar fotovoltaica. Isso foi obtido com 7.188 mil sistemas instalados em telhados, fachadas e pequenos terrenos de residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos. O dado é Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, entidade fundada em 2013, que congrega no Brasil empresas e profissionais da cadeia produtiva do setor.

Comparativo
O que se obteve nesse tipo de geração – a qual demanda investimentos menores e não considera grandes projetos eólicos ou fotovoltaicos – seria suficiente para iluminar cerca de mil residências de pequeno porte no período de um mês.

Do contra

Faixas exclusivas de ônibus recebem fiscalização eletrônica


Passou na Câmara de Fortaleza projeto de indicação que autoriza os veículos de transporte privativo e coletivo de passageiros, regularizados na modalidade turística, a transitarem em faixas exclusivas para ônibus. Sabendo que a exclusividade é o que garante rapidez, agilidade e fluidez aos ônibus, é de se estranhar uma proposta assim. Quem assina o texto é o vereador Eron Moreira.

Luto
Ex-secretário de Cultura de Fortaleza, o vereador Evaldo Lima (PCdoB) se viu diante da pesarosa tarefa de requerer da Câmara Municipal o envio de pêsames às famílias dos músicos Renato Barros (da banda Renato e Seus Blue Caps) e Ericksson Mendes. E, ainda, à do jornalista e também músico Rodrigo Rodrigues. Os três morreram no mesmo dia, 28 passado – uma terça-feira trágica para a arte.

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