A Coluna do Roberto Maciel (quinta-feira, 06.08): Câmara de Fortaleza volta ao plenário sob marca da caça aos votos

De volta às rotinas. Ou quase isso

A Câmara Municipal de Fortaleza retomou na última quarta-feira as sessões presenciais. Os vereadores estavam em compasso de espera desde março, no isolamento imposto pelas demandas de contenção e prevenção da covid-19. A volta ao trabalho regular, ainda num modelo misto de comparecimento, se faz marcar já pela estação de caça aos votos. E esse é um caráter político relevante. Os parlamentares têm agora de se movimentar em busca da sustentação eleitoral para nova temporada na Casa e isso acirra ânimos. É o mesmo que ocorre na Assembleia Legislativa, que tem perspectivas mais amplas – alcançando o Estado todo. Os que nos últimos quatro anos tiveram atenção aos mandatos e privilegiaram contatos com o público, ouvindo as necessidades do cidadão e abrindo espaços para discussões e análises sobre a cidade, podem ter a certeza de que partem com vantagens na corrida para as urnas. Os outros, não.

Responsabilidade

Antônio Henrique é candidato de RC para disputar presidência da Câmara -  Política

Fala do presidente da Câmara de Fortaleza, vereador Antônio Henrique (PDT): “Estamos atentos para assegurar que tudo seja feito com base nas evidências científicas e com todos os cuidados necessários”. Antônio Henrique sabe que um doença que está perto de chegar a 100 mil mortos no Brasil não pode ser considerada, irresponsavelmente, como uma “gripezinha”.

Apoio
Fato: atenção à biossegurança é necessária e indispensável. E é aí que entra um personagem novo na cena da Câmara: o médico Antônio Lima, coordenador de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal da Saúde. “Tanta”, como é conhecido, orientou as medidas que a Casa está tomando para evitar contaminações.

Repaginação
Foram adotadas medidas sanitárias em toda a sede do legislativo municipal e foi aplicada nova sinalização interna. Os espaços foram reorganizados para garantir o distanciamento e evitar aglomerações. Também estabeleceram-se protocolos de acesso, como a aferição de temperatura de todos as pessoas que entrarem na na Câmara. As regras são as mesmas adotadas para a Assembleia Legislativa.

Um não pode esperar pelo outro
Além de ser cenário para a disputa eleitoral nos municípios, a Assembleia Legislativa do Ceará tem um pepino adicional para descascar: o destino do deputado André Fernandes – um youtuber bolsonarista que chegou à Casa acusando colegas de crimes, sem prova nenhuma, e, com a mesma postura questionável, apontando o dedo com imputações graves, e não comprovadas, contra o secretário da Saúde estadual. André está sob o risco de ser cassado pelos deputados. Há também, contra ele, um processo no Tribunal Superior Eleitoral em que o PSL, partido ao qual pertencia, exige o mandato de volta. De um modo ou de outro, o certo é que a Assembleia não pode ficar esperando pelo TSE. E vice-versa.

Divergências

Mauro Filho quer estados dentro da nova Previdência, mas o PDT é contra a  reforma - Focus.jor | O que importa primeiro

A comissão mista do Congresso Nacional que acompanha as ações do Governo Federal para enfrentar a covid-19 avalia hoje (quinta-feira, 6.8) as medidas que estão sendo adotadas – ou pelo menos anunciadas – para proteger os povos indígenas. Há uma preocupação extrema com a disparidade de números. Enquanto a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), entidade da sociedade civil, diz haver 15 mil infectados e 501 mortes, a Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde mostraram 4.213 infectados e 216 óbitos. Do Ceará, só o deputado Mauro Benevides Filho (PDT, foto) integra a Comissão. E como suplente.

Dedo no suspiro
O presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é opositor ferrenho de uma CPI para apurar excessos atribuídos à Operação Lava Jato – constatação que ganhou mais volume e repercussão com decisões do STF que puseram contra a parede medidas aplicadas pelo então juiz Sérgio Moro no cenário eleitoral de 2018, favoráveis à candidatura de Jair Bolsonaro.

Ligue os pontos
Fala de Maia: “Cabe à própria estrutura de controle do Ministério Público investigar e tomar as decisões, mas não cabe a nenhum de nós interferir nisso”. A essa declaração devem ser somadas outras, também de Rodrigo Maia: a de que não se arrepende de ter votado pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) e a de que não vê “nenhum tipo de crime” em condutas do presidente Jair Bolsonaro.

Plataforma
Hoje tem nova live do projeto Coluna da Hora, que levamos para o Instagram com a jornalista Eveline Frota. Começaremos às 17 horas, como de costume. A Coluna da Hora se realiza sempre às terças e quinta-feiras e pode ser acessada pelos perfis @evefrota e @robertoamaciel.

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