Saiba quais as diferenças entre as cotações do dólar comercial, turismo e paralelo

A moeda norte-americana é considerada a mais forte do mundo porque está menos sujeita a variações bruscas desde que os EUA se firmaram como a maior economia mundial.

O dólar é a base de todas as relações comerciais estabelecidas internacionalmente e é o termômetro que mede os ânimos dos investidores no mercado financeiro.

Suas oscilações balizam as movimentações de compra e venda de ações e definem os rumos das maiores empresas de capital aberto.

No Brasil, o sobe e desce da moeda impacta diretamente no cotidiano das pessoas porque a maioria dos produtos que consumimos depende de insumos estrangeiros.

Do smartphone ao pãozinho do café da manhã, quase tudo o que se usa no dia a dia depende da cotação do dólar.

Para entender como funciona a cotação é preciso antes conhecer os tipos de câmbio que existem, oficialmente, no Brasil: o comercial e o turismo.

Além desses, corre à margem da lei, transações com o chamado dólar paralelo. Trata-se de uma atividade ilícita de compra e venda de dólar a preços mais competitivos do que aqueles oferecidos pelas instituições legalizadas. Embora pareça vantajosa, essa é uma atividade criminosa e, portanto, está sujeita a sanções legais.

Câmbio comercial

O câmbio comercial é mais importante porque é dele a responsabilidade pelo aumento do preço praticado nas prateleiras em momentos de crise.

Como o próprio nome diz, o dólar comercial é o usado nas relações comerciais e, devido à sua segurança, é o ativo mais procurado quando algum fator externo ameaça a economia.

Tomando o cenário atual como exemplo, o dólar continua em alta desde que o coronavírus se instalou no mundo.

 A razão para isso é que a paralisação das atividades industriais e o fechamento do comércio fazem com que os investidores queiram fugir do risco de perder o dinheiro investido nas empresas.

No Brasil ainda temos dois agravantes: a taxa básica de juros do país, a Selic, enfrenta uma baixa histórica e a crise sanitária acirrou a instabilidade da política nacional.

O movimento mais comum nessas horas é a venda de ações a preço de banana para proteger o patrimônio com dólar, o ativo mais seguro do mundo.

E com mais gente procurando o dólar, mais caro ele fica. É a lei da oferta e da procura que orienta sua precificação, assim como acontece com qualquer outro item que é comercializado em todo tipo de mercado.

Mas apesar de ser uma movimentação espontânea, o Banco Central pode interferir caso avalie uma valorização ou desvalorização acentuada da moeda no mercado nacional.

É do dólar comercial que os noticiários falam quando citam a alta ou a queda da moeda norte-americana, pois é o utilizado para exportações, importações, compra e venda de mercadorias e negociação de serviços por parte das empresas.

Por não agregar margem de lucro, seu valor é sempre menor do que o dólar turismo.

Dólar turismo

O nome é autoexplicativo: o dólar turismo é aquele utilizado para arcar com os custos de viagens ao exterior bem como para a realização de compras em sites internacionais.

Essa é a cotação utilizada para compras realizadas por pessoas físicas, transações no exterior feitas com cartão de crédito ou compra de papel moeda.

Ele foi criado para remediar a intensa movimentação no mercado paralelo que começou a surgir nos anos 90 em resposta à política econômica adotada pelo governo Collor, que bloqueou os investimentos na poupança, dando início a uma intensa crise econômica.

Para tentar sobreviver diante do cenário caótico, as pessoas começaram a comprar a moeda americana de forma ilegal com o intuito de proteger o seu patrimônio.

Dessa forma, para que o Banco Central pudesse ser mais efetivo na fiscalização da compra e venda do dólar, foram criadas as divisões do ativo em comercial e turismo no Brasil.

A principal diferença entre as duas é que esta última só pode ser feita por pessoas físicas, ou seja, a negociação não é judicial. E isso impacta diretamente no valor, onerando o dólar turismo.

A disparidade do valor entre as duas cotações se deve ao fato de que, quando operada no câmbio turismo, o valor da moeda é acrescido de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), custos de transporte, seguro e outros.

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