Parcerias para o desenvolvimento sustentável ganharam força durante a pandemia

O engajamento das empresas para contribuir com suas cadeias de valor e com a sociedade durante a pandemia da Covid-19 demonstrou o compromisso dessas companhias para com os dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). E, nesse aspecto, o objetivo número 17 (parcerias e meios de implementação) foi reforçado com a promoção de diversas iniciativas que reuniram marcas globais, com a finalidade de atender as necessidades de pessoas e parceiros.

“As pessoas têm expectativas sobre quais serão as respostas dadas pelas empresas e qual será o papel que elas desempenharão nos momentos de crise. Assim, companhias com valores fortalecidos e consolidados conseguem atuar com mais facilidade nesses períodos, fornecendo soluções numa velocidade maior. Além disso, esses valores são trazidos à tona, elevando a consistência do que tem sido feito ao longo do tempo”, disse Ornella Guzzo Vilardo, Gerente de Sustentabilidade do Grupo Heineken, durante o Webinar BW TALKS: Iniciativas em Sustentabilidade, transmitido pelo Canal da Sobratema no YouTube no dia 12 de agosto.

Outro aspecto interessante citado por Ornella foi a criação de parcerias inéditas com organizações sociais e outras empresas para atender os diferentes públicos determinados pelo time multifuncional do Grupo Heineken, criado durante a pandemia. Entre as iniciativas estão a parceira com a Wickbold, para o fornecimento do malte para a produção e entrega gratuita de 1 milhão de pães, e com a Unilever, que doou um lote como 282 mil unidades de Cif Higienizador em São Paulo e no Amapá, no qual a empresa cedeu o álcool para a formulação desse produto. Esse movimento, aliás, contou com a participação integral de toda a cadeia, uma vez que as embalagens, rótulos, caixas de distribuição foram igualmente doados.

Ela ainda falou sobre a criação de um aplicativo, em parceria com o Hospital Albert Einstein, com quinze módulos de conteúdo, para garantir a segurança e saúde das pessoas no retorno dos bares e restaurantes. Além disso, o programa Day After Project foi ampliado nesse período, trazendo em forma de conversas, conteúdos com a participação de especialistas, que abordaram temas relacionados à saúde mental, à saúde emocional e a relação com o álcool durante a pandemia.

No caso da Unilever, Juliana Durazzo Marra, gerente de External Affairs, ressaltou no evento online da BW Expo, Summit e Digital 2020, as atividades da empresa na área de sustentabilidade, por meio de dois projetos ligados aos resíduos urbanos. O primeiro é o Ponto de Entrega Voluntária, em parceria com o Grupo Pão de Açúcar, em funcionamento desde 2001. O segundo é Dê a Mão para o Futuro (DAMF), voltado para a área de higiene pessoal e limpeza, que conta com a participação de todo o setor. Essa ação conjunta já impactou mais de 5 mil vidas.

Uma preocupação da Unilever também está na questão do plástico. Segundo Juliana, para 2025, a companhia tem a meta global de coletar mais plásticos do que vende e cortar pela metade o uso de plástico virgem. Para isso, haverá investimento e parcerias para coleta e processamento do resíduo e aquisição e uso de resina reciclada. “Claramente, para nós, é importante realizar uma série de ações para a economia circular do plástico. Mas, existem diversos desafios, incluindo os tributários”.

Em termos de contribuição com a sociedade durante a pandemia, a gerente da Unilever citou os compromissos realizados pela empresa tanto para com pessoas como para o abastecimento do mercado. “Realizamos e unimos diversas áreas e montamos um comitê para doação em todos os setores. E isso, continua acontecendo”. Mais de 1.300 toneladas de produtos de higiene, limpeza e alimentos foram entregues para mais de 700 mil famílias em 12 estados brasileiros. Ademais, a companhia realizou ações em conjunto com a Unicef e doou ventiladores para hospitais e 24 mil testes PCR para o estado do Pernambuco.

Durante o webinar BW TALKS, Amanda de Andrade Neme, Consultora de Engenharia e Sustentabilidade CCB, responsável pela iniciativa Anfacer Mais Sustentável, da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos, explicou que seu principal objetivo é elevar a capacidade da indústria nacional cerâmica, por meio da criação de pilares, diretrizes e estratégias que reduzam o impacto ambiental a maximizem o valor ambiental e social.

A primeira etapa da iniciativa focou no diagnóstico e na análise de todo setor, com foco na avaliação do ciclo de vida do produto. Como resultado, a Anfacer conseguiu inventariar 30% da produção nacional, o que ganhou destaque no mercado externo. “O Brasil já é reconhecido por suas boas práticas de produção, por realizar uma extração pouco extrativista”, afirmou Amanda.

A consultora disse ainda que a segunda fase é criar grandes metas, objetivos e planos de mitigação ambiental, unindo o setor com uma proposta ampla de mercado para o desenvolvimento sustentável, elevando ainda mais a posição do segmento e promovendo uma diferenciação do elemento cerâmico, que está ligado ao futuro das cidades sustentáveis. “Como deve ser a cerâmica dessa nova habitação? Ela precisará ser multifuncional, não apenas revestir, mas captar energia, por exemplo”.

Insumos, produção e consumo

A proposta do webinar BW TALKS é ampliar o conhecimento de seus participantes, por isso o moderador Vagner Barbosa, integrante do comitê organizador da BW Expo, Summit e Digital 2020, motivou duas enquetes que trataram das etapas que mais colaboram para o impacto ambiental e se existe um movimento por parte das pessoas em comprar produtos sustentáveis.

“Para se ter um produto mais sustentável, é preciso avaliar toda a cadeia. A análise do ciclo de vida é essencial, a fim de entender todas as fases anteriores da produção até o consumo e descarte. Na indústria cervejeira, quando se olha todos os aspectos, o de maior impacto é a embalagem, especialmente  a one way, que não retorna”, disse Ornella.

No caso da área cerâmica, Amanda ponderou que são dois aspectos: o insumo, que é limitado, e a produção. “Realmente a avaliação de ciclo de vida é fundamental para saber onde está o seu maior impacto. Mas, a produção em nosso setor é o maior gargalo”, explicou. De acordo com ela, o segmento conta com níveis de maturidade diferentes, com empresas já aplicando programas de sustentabilidade bem consolidados e engajados.

Outro desafio é o próprio setor da construção, que precisa mudar sua visão de custo por metro quadrado para custo global. “Não basta ver o preço, precisa conhecer a durabilidade e se traz mais desempenho quando se trata de sustentabilidade, como preconiza a Norma”, ponderou.

Em se tratando da Unilever, uma empresa com atuação multissetorial, o impacto maior está no uso e descarte do produto. “No caso de detergente para lavar roupa, nosso desafio é desenvolver um produto que leve o consumidor a usar menos água e, portanto, menos energia. Além disso, precisamos levar essa informação de que, por ser concentrado, uma pequena dose do líquido já é suficiente”.

Sobre as embalagens, Juliana salientou a importância e a responsabilidade da empresa que contrata o fornecedor e que existem recipientes que são mais facilmente reciclados. Mas, a companhia precisa também engajar seu consumidor para que ele destine essa embalagem de forma correta, a fim de que ela alcance os pontos de reciclagem.

Ela compartilhou ainda dados da Unilever que mostram que as marcas de vida mais sustentável cresceram 69% mais rápido do que o restante do negócio do Grupo no ano de 2018. E, uma pesquisa também apontou que mais da metade dos consumidores desejam comprar de forma mais sustentável.

A gerente do Grupo Heineken também trouxe uma pesquisa do ano passado que mostrou que 74% dos consumidores brasileiros se dizem extremamente preocupados ou preocupados com a sustentabilidade. No entanto, essa preocupação se traduz em comportamento apenas para 47% deles. “Infelizmente, de um modo geral para o grande público, o conceito de sustentabilidade refere-se apenas à reciclagem e o evite o desperdício, ou seja, um repertório reduzido, uma vez que a sustentabilidade é muito maior do que esses dois fatores”.

O webinar foi aberto pelo engenheiro Afonso Mamede, presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), que convidou todos os participantes da BW LIVE: Saneamento em Destaque, que acontecerá na próxima quarta-feira, dia 19 de agosto, e que trará as avaliações da bióloga Ana Luiza Fávaro, diretora da Acqua Expert e curadora do Núcleo Conservação de Recursos Hídricos da BW 2020.

Para assistir a íntegra do webinar, basta acessar o Canal da Sobratema no YouTube.

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