A Coluna do Roberto Maciel (terça-feira, 25.08): A agressão à inteligência começou com Aécio e a imprensa foi cúmplice

O ataque teve início com os tucanos. Só não notou quem não quis, ou quem achou melhor não notar

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Em 2014, logo após ser derrotado na eleição presidencial por Dilma Rousseff, que partia, então, para o segundo mandato conferido pelos brasileiros, o tucano Aécio Neves iniciou uma cantilena: “Vamos inviabilizar o governo! O PT tem de fazer autocrítica!” Idiotizado – usando-se aqui um sentido estrito do verbete “idiota”, o que se refere a pessoa de pouco discernimento -, Aécio tanto repetiu essas palavras que seduziu segmentos conservadores e rancorosos da sociedade a incorporarem-nas como mantra. Esses setores, controladores dos veículos de comunicações, as amplificaram e as despejaram com forças odiosa e odienta. E oportunistas ao extremo. Viu-se o que se viu: ruas tomadas por golpistas que atacaram a democracia e abalaram os sensos de segurança e autorrespeito dos cidadãos. Associados ao perigoso presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, a nomes de expressão da Imprensa – incluindo empresas e jornalistas -, ao traiçoeiro vice-presidente, Michel Temer, à Fiesp e outras siglas empresariais, ao juiz Sérgio Moro e aos procuradores da Operação Lava-Jato, esses abriram caminho para um obscuro e pouco considerado parlamentar chegar ao Palácio do Planalto. Assim, pode-se resumir a sequência de fatos impostos por tenebrosas transações que a história agora registra no País.

Não terminou
Mas não se pode dizer que essa sequência está encerrada. Domingo passado, Jair Bolsonaro tratou de estabelecer um novo fio, embora mantendo o caráter mau-educado com que costuma se dirigir a quem o contraria. Fugindo da necessária resposta ao questionamento do porquê a esposa dele, Michelle, ter recebido do miliciano Fabrício Queiroz 21 cheques que somavam R$ 89 mil, o presidente saiu-se com essa: “Eu vou encher a boca desse cara na porrada”. Depois, cercado de seguranças, olhou para o jornalista que o atalhou e largou: “Minha vontade é encher tua boca na porrada”.

Só zoada
Enquanto Bolsonaro desvendava as vontades que tem em relação a jornalistas, o Brasil registrava mais de 114 mil mortes em decorrência da covid-19. O presidente não encheu a boca do coronavírus de porrada. Não só. A imagem abaixo, que desde ontem circula em redes sociais na Internet, mostra que, sem seguranças ao redor, Bolsonaro não é tão valente.

Imagem

Imagem golpeada
Não há o que se discutir sobre a gravidade das palavras daquele que ocupa o mais alto posto da nação. Devendo ser o representante maior da democracia local, Jair Bolsonaro preferiu abandoná-la. E feri-la indubitavelmente. É certo que há quem o aplauda, mas é mais certo ainda que, mais uma vez, ele golpeou a imagem do Brasil perante o mundo inteiro. Pior: cristalizou a noção de que neste País não se respeita a transparência nem a lei.

Beicinho

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De todo modo, a malcriada e despropositada diatribe de Jair Bolsonaro acendeu reações indignadas da Imprensa. A agressão foi noticiada no planeta todo e aqui viram-se estrebuchos do jornal O Globo, ao qual serve o jornalista brutalizado, da Associação Brasileira de Imprensa, da Associação Nacional dos Jornais e de entidades outras.

Nova hora
Lembra daquela autocrítica que citei no começo desta Coluna? A que o idiotizado Aécio transformou numa ladainha contra o PT e contra Dilma Rousseff? A que foi transformada em axioma por uma imprensa de maus bofes? Pois essa mesma imprensa tem, agora, nova oportunidade de fazer ela mesma a exigida autocrítica. Tarde já é, mas não há de ser sem razão.

O nome da vez
Quem também entrou na pauta dos noticiários por razões muito ruins foi a deputada federal Flordelis (suspensa do PSD-RJ). Ela foi indiciada pelo homicídio do marido, um pastor evangélico que seria o gerente das carreiras dela como política, cantora gospel e pregadora pentecostal. Anderson do Carmo, a quem a esposa classificou como “traste” numa conversa com um dos filhos também acusados do crime, era quem tomava conta do dinheiro que ela gerava.

Cliques

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Rádio Liberdade FM

O jornalista agredido por Jair Bolsonaro não perguntou, mas poderia ter também perguntado: “Presidente, por que a primeira-dama, Michelle, posava tanto para fotos com a deputada Flordelis? E o senhor?”

Alerta feito
A Assembleia Legislativa do Ceará está, por intermédio da Comissão de Direitos Humanos, acompanhando a execução do Plano Estadual de Retomada das Atividades Econômicas e Comportamentais por conta de um público especial: os idosos. O retorno desses trabalhadores às rotinas é complexo, segundo o presidente da comissão, Renato Roseno (PSOL), devido ao fato de integrarem os grupos de risco da covid-19.

Porcaria no caminho
“Não se deixa lixo na calçada”. Essa frase poderia servir de amparo para uma ação necessária, indispensável e urgente dos órgãos de limpeza pública no entorno da Assembleia Legislativa do Ceará.

Às escuras
Por força da legislação eleitoral, os prefeitos que tentarão reeleição não poderão mais ter atividades oficiais veiculados nos sites das gestões municipais. O mesmo vale para presidentes de câmaras de vereadores. A lei fica devendo mais essa à transparência.

Novos rumos
A Mesa Diretora e o Colégio de Líderes da Câmara de Fortaleza estão analisando a retomada da apreciação do novo Regimento Interno. A proposta foi elaborada por uma Comissão Especial de Revisão, que reuniu vereadores e técnicos do legislativo no segundo semestre de 2019. E isso, portanto, já está completando um ano. O presidente da Casa, Antônio Henrique (PDT), espera que “até o fim deste semestre” as novas regras possam ser aprovadas.

Ao vivo
Às terças e quintas-feira, eu e a jornalista Eveline Frota nos transportamos para lives no Instagram. Demos a essa iniciativa o título de “Coluna da Hora” – nos referindo a um marco histórico do Centro de Fortaleza, ao fato de começarmos pontualmente às 17h e, por fim, ao tempo de uma hora exata que tem o encontro com os internautas. A Coluna da Hora pode ser acessada pelos perfis @evefrota ou @robertoamaciel.

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