“Office Home” é acelerado pelo “Home Office” e pode ser tendência no mundo corporativo

Medida necessária no combate ao contágio da Covid-19, o home office passou a fazer parte da realidade de milhões de brasileiros. A tendência, temporária, acabou acelerando uma “onda oposta” com poder de permanência no pós-pandemia: o “office home”. A proposta visa conectar as pessoas mesclando a tecnologia que os escritórios oferecem com o aconchego de uma casa. “O equilíbrio é o ideal”, defende Erica Prata, diretora comercial da AKMX Arquitetura Corporativa, com sede em São Paulo e filial no Rio de Janeiro.

“Como o cérebro trabalha a partir de estímulos externos, a falta de contato visual e de não estar presente fisicamente em um escritório ou em uma sala – literalmente – de reunião, por exemplo, faz com que o nosso cérebro não seja estimulado para o momento de trabalho. Precisamos de convivência. Por isso, trazer o ambiente do escritório para casa pode gerar falta de produtividade. Sair do mesmo espaço físico é muito importante. Ao mesmo tempo, levar o aconchego do lar para o ambiente corporativo pode ser benéfico”, explica a arquiteta.

“Houve uma valorização em ficar em casa. Portanto, uma copa com mais cara de cozinha e espaços com materiais mais aconchegantes e confortáveis, por exemplo, ajudam bastante”, afirma Erica. De acordo a arquiteta da AKMX, o ambiente de trabalho precisa ter cadeiras e outros equipamentos que respeitem a ergonomia e função de cada colaborador. Porém, nada impede uma reunião on-line, por exemplo, ser feita a partir de uma poltrona ou um sofá, com uma luz mais aconchegante. “Isto traz um diferente tipo de estímulo. Traz conforto. Espaços de colaboração são muito importantes. Isso faz com que as pessoas fiquem mais satisfeitas, mais produtivas”, completa.

Espaços de colaboração x produção
Para Denise Moraes, diretora de projetos da AKMX, a mudança comportamental, neste caso, é relevante: “O escritório ganha uma nova funcionalidade: os espaços compartilhados serão de colaboração, mas a produção será dentro de casa. O escritório será de extrema relevância como ponto de encontro, treinamento e reuniões, mas não pode mais ter a cara da ‘produção’. Eles têm que ser um respiro e fomentar relacionamento e a consciência colaborativa”, avalia.

“Espaços colaborativos têm sido cada vez mais projetados. Por isso, é preciso cuidado com o imediatismo de qualquer decisão, principalmente de se optar 100% pelo home office, que pode, em curto espaço de tempo, apresentar falsos resultados de produtividade em consequência da ansiedade e da queda de empregos no mercado. É preciso pensar na qualidade de vida do colaborador acima de qualquer coisa”, completa Erica.

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