Mercado de M&A pode ser favorecido com maior previsibilidade da economia

Artigo de Renato Stuart, sócio daRGS Partners, companhia especializada em fusões e aquisições de médias empresas do Brasil:

A pandemia trouxe um efeito devastador para a economia e isso também se refletiu na redução do volume de transações de M&A. Porém, após cinco meses com números de transações inferiores a expectativa inicial do ano, o cenário se apresenta mais favorável. Desde o dia 17 de julho, o risco Brasil fixou-se abaixo dos 300 pontos, após ultrapassar a marca de 400 pontos em momentos de maior tensão nos meses de março, abril e maio. Com o cenário de maior previsibilidade, a expectativa agora é de que as negociações de fusões e aquisições possam retornar ao patamar pré pandemia até o final de 2020.

A trajetória de queda do risco Brasil, também chamado de CDS (Credit Default Swap), traz um alívio para o mercado, uma vez que entre março de 2019 e fevereiro de 2020, a média do índice ficou em 216, enquanto entre março e julho deste ano, a média saltou para 337 pontos – aumento de 56%. Portanto, o retorno do CDS à casa dos 200 pontos indica maior tranquilidade dos investidores para procurarem boas oportunidades de negócios, especialmente os estrangeiros que durante o pico da pandemia preferiram pausar sua atuação no mercado com a piora do grau de confiança do País. 

Obviamente as transações de M&A acontecem tanto em bons como em maus momentos econômicos, entretanto quando há maior volatilidade e incertezas, o investidor tende a postergar decisões de investimento – o que exatamente ocorreu durante o pico da pandemia. No mesmo período, potenciais compradores também passaram a se questionar se conseguiriam sobreviver. Com o horizonte mais claro a frente, naturalmente o movimento de mercado volta a aparecer, ainda por cima quando temos uma taxa Selic em um patamar nunca antes visto.

Portanto, as companhias que já sentiram uma boa recuperação da rentabilidade devem sofrer menos impacto de avaliação em uma eventual transação, bem como aquelas que já disponham dos resultados consolidados (mês a mês) durante a pandemia e tenham alcançado uma recuperação na margem de pelo menos 80% em relação ao fim do ano passado e início de 2020.

Com isso, as empresas dispostas a iniciar uma negociação de venda conseguem explicar ao interessados que a pandemia foi um evento não recorrente e que não deve haver um impacto de longo prazo no negócio. Saem na frente também as companhias que se adaptaram às mudanças provocadas pela pandemia, enquanto modelos de negócios defasados com sério risco de perder relevância no mundo pós-pandemia tendem a serem penalizados na precificação.

O fato é que, a partir de agora, é fundamental que os empresários que conseguiram azeitar a operação acompanhem de perto os movimentos de fusões e aquisições em seus respectivos setores. Caso exista grande quantidade de compradores interessados no mercado e poucos players dispostos a se desfazer do negócio, certamente esse é uma boa oportunidade para os empresários considerarem a venda.

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