O processo, de Kafka: a burocracia que condena

Alguém, por certo, havia caluniado Josef K., pois, sem que tivesse feito nada de mal, foi preso certa manhã […]” (P. 07)

Assim começa O processo, um dos principais romances de Franz Kafka, publicado postumamente, em 1925, pelo amigo e guardião de seus manuscritos, Max Brod, um ano após a morte do escritor tcheco. Agora, esse clássico é lançado pela Via Leitura, do Grupo Editorial Edipro.

Ao fazer uma crítica direta à burocracia, Kafka apresenta de forma absurda a história de Josef K., um bancário que, em seu aniversário de 30 anos, é preso e julgado sem ao menos saber o motivo de sua apreensão.

Com o denunciante desconhecido, Josef K. luta contra autoridades que o ameaçam e chantageiam, sem que nunca apresentem o embasamento legal da investigação de seu caso. Repleto de reviravoltasmentiras, desinformação, injustiça, perseguição e desconfiança, o protagonista não encontra mais ânimo para prosseguir lutando contra o processo que lhe foi imposto.

“[…] – Temo que vá acabar mal. Consideram-no culpado. Talvez seu processo nem saia da instância final, pelo menos, no momento consideram sua culpa provada.

– Mas eu não sou culpado. – defendeu-se K. – É um engano. Como pode um ser humano ser culpado? Somos todos humanos, tanto uns quanto outros.

– É verdade – assentiu o sacerdote, – mas assim falam os culpado.” (P.177)

Com uma escrita forte e envolvente, O processo, ao lado de A metamorfose, obra também publicada pelo Grupo Editorial Edipro, é uma demonstração inequívoca da potência literária de Franz Kafka. Trata-se de um romance atual, mesmo depois de quase um século de sua publicação original.

Esta edição conta com ilustração de capa do artista plástico, quadrinista e ilustrador curitibano DW Ribastki. O artista é autor da graphic novel Campo em branco, entre outros trabalhos.

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