Como o planejamento pode (e deve) ser estratégico para as gestões e seus públicos

Roberto Maciel e Eveline Frota

“A fome continua. Não como clichê, não como vazio de significado que a exploração da mídia dos abastados quer imprimir ao nome e ao fenômeno. A fome continua como presença cheia de sentido (e absurdo) na geografia nacional, cavando sulcos nas caras da gente injustiçada, abrindo vergonhosas crateras na vida social dos brasileiros. A fome persiste como ameaça sempre viva, ou cicatriz avermelhada, na memória de quem dela padece ou já padeceu”.

Marilene Firmino, jornalista e escritora, em texto intitulado “com-fome-mente”, prefácio do livro Nova Geografia da Fome, de Xico Sá e U. Dettmar, publicado em 2003 pela editora Tempo d’Imagem.

Já se vão 17 anos das palavras da pesquisadora Marilene Firmino e dos esforços do repórter Xico Sá e do repórter-fotográfico U. Dettmar. Em 2003, seguia de vento em popa o programa Fome Zero, não como política de Estado, mas apenas como política de governo. Havia na pauta da gestão recém-iniciada de Luiz Inácio Lula da Silva (foto abaixo), grifada como prioridade, a proposta de solucionar um dos mais graves problemas sociais do País – a bem da verdade, uma acintosa injúria contra a dignidade humana: a fome.

O Impacto do Fome Zero, a Atuação da FAO e o Brasil em Busca do Cumprimento  do ODS 02 | by João Paulo Bosso | Youth for Human Rights Brasil | Medium

A observação de que o Fome Zero se tratava de uma política de governo, respectiva, então, a um grupo que elege estratégias para o período em que estiver no poder, deve ser aqui explicada. Afinal, se tivesse havido comprometimento prévio de gestões, de anos ou séculos anteriores, com o planejamento necessário e indispensável, certamente o quadro seria distinto. Planejamento, então, é a palavra-chave.

Se o combate à fome tivesse recebido em algum momento a atenção que se dá às políticas de estado – algo que independe dos humores ou das conveniências de quem ocupa os gabinetes das administrações e que, como as obrigações constitucionais com a educação e a saúde, talvez não encontrasse fronteiras entre ideologias ou outras diferenças -, é provável e possível que se escrevesse hoje uma história com marcas menos agressivas e profundas.

Num cenário em que o planejamento é, efetivamente, a diferença entre o desenvolvimento e a pobreza, olhar para os próximos 20 anos, projetando as demandas e suas soluções em 2040, se inclui entre estratégias prioritárias. Fortaleza dá, assim, um passo decisivo no sentido de melhorias sociais.

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