Para 96,2% dos professores, pandemia favorece educação financeira nas escolas

A Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), a Associação Brasileira de Bancos e a Associação Brasileira de Bancos Internacionais realizaram live nesta semana sobre os “Novos padrões de comportamento e saúde financeira”, como parte da 7ª Semana Nacional de Educação Financeira, que acontece de 23 a 29 de novembro, com o tema “Resiliência financeira: como atravessar a crise?”

Na abertura, o presidente da Acrefi, Luís Eduardo da Costa Carvalho, enfatizou a importância da Semana Enef, que impactou em 2019 mais de 70 milhões de brasileiros. “Um dos importantes pilares da nossa entidade é a defesa da educação financeira. Estamos na 7ª Semana Nacional de Educação Financeira e o tema deste ano não podia ser outro: Resiliência financeira, como atravessar a crise? Nesse momento, ações nesta direção são de fundamental importância”, mencionou.

O presidente da Acrefi parabenizou o Banco Central e a Febraban pela divulgação do lançamento de plataforma de educação financeira prevista para 2021, além da liderança do BC. “Reforçarmos o compromisso da associação em divulgar tais práticas, uma vez que elas impactam positivamente na sociedade”, pontuou Carvalho.

Luis Gustavo Mansur Siqueira, Chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do Banco Central do Brasil, falou sobre o impacto da pandemia na vida cotidiana e econômica das pessoas. “O novo coronavírus trouxe complicações para a vida financeira de uma grande parcela dos brasileiros, hoje mais sujeitos a flutuações na renda familiar. Em um momento de crise como este, o planejamento das finanças familiares é ainda mais importante nesta fase de travessia”, analisou.

O executivo do BC enfatizou também que a Semana ENEF é importante para o sistema financeiro avaliar todas as ações e serviços em favor do equilíbrio financeiro das famílias, como os programas de inclusão, sustentabilidade, baixa renda e superendividados. Além disto, destacou a atuação do Fórum Brasileiro de Educação Financeira, bem como o papel e responsabilidade das instituições financeiras no tema, que deve ser crescente.

O professor André Nardy, COO e vice-reitor da Escola de Negócios Saint Paul, disse que perspectivas diferentes são iniciativas fantásticas. “Por meio de longa experiência, aprendemos o desenho de desenvolvimento contínuo: que é aprender, cooperar e melhorar. O papel do Banco Central é fundamental em fomentar educação financeira na base das famílias.”

Nardy lembrou que, no caso da gestão financeira doméstica, o objetivo é maximizar o bem-estar das famílias, diante do impacto social e econômico provocado pela pandemia, uma vez que falta conhecimento decisório para evitar armadilhas comportamentais.

Vera Rita de Mello Ferreira, professora e coordenadora da Vértice Psi, falou que é importante focar na saúde e no bem-estar financeiro. “Educação financeira é como andorinha, uma vez que uma só não faz verão sozinha. É preciso articular forças, até como forma de obter saúde e equilíbrio financeiro. A crise gerada pela pandemia do coronavírus, no entanto, acabou acelerando o processo de aprendizado pelo caminho da dor, na medida que elevou a busca por mais informações”, destacou.

Para ela, a pandemia também mudou a forma como as pessoas costumam guardar dinheiro. “Os produtos financeiros tiveram uma realocação. Em um cenário de incerteza houve um movimento de manada para renda variável, o que é um risco por si só. Aqui no Brasil as pessoas não têm conhecimento para investir no mercado de risco”, avaliou.

Segundo Vera, o isolamento social ajudou a tirar a educação financeira das plataformas tradicionais, migrando para plataforma digital, seja por sites na internet, aplicativos e games. “Mas existem os excluídos digitais, aqueles que não tiveram como se manter conectados. Ainda não existe uma resposta para a inclusão destas pessoas, inclusive em nível internacional”, lembrou.

A superintendente da AEF-Brasil, Claudia Forte, mencionou a atuação do projeto que visa levar educação financeira para as escolas. “A iniciativa faz parte de uma parceria entre a Associação de Educação Financeira do Brasil – AEF-Brasil, que cumpre a importante missão de levar educação financeira à população brasileira. Depois do que aconteceu na cidade de Mariana (MG), referindo-se ao desastre ambiental ocorrido pelo rompimento de uma barragem, toda a cidade e seu entorno tiveram que passar por uma reparação e, nessa direção, a educação financeira, mais do que nunca, se apresentou como um instrumento importante para a reconstrução daquela comunidade”, mencionou.

Segunda ela, a AEF-Brasil investe em parcerias locais para que o conceito da educação financeira seja difundido neste contexto. “Educação financeira é muito mais que matemática – ela deve ser encarada de modo transversal – uma vez que todas disciplinas podem abordar e há muitas questões comportamentais. Segundo pesquisa apresentada por ela e que foi realizada com mais de dois mil professores dos ensinos fundamental e médio, 41,4% de professores informaram que o tema é trabalhado na disciplina matemática , 67% ministram educação financeira de alguma forma 79% dos respondentes informaram em relação de como deveria ser tratado o tema educação financeira na escola, optaram pela forma interdisciplinar ou transversal de ensino – contra 19,8% que preferem abordar o tema em uma disciplina específica. Sobre a educação financeira e o covid-19, 96,2% indicaram que pandemia favorece tema nas escolas e 40,8% que sentiu significativa piora em relação ao controle financeiro na crise”, apresentou.

Os painéis foram mediados por Cleber Martins, consultor de Operações da Acrefi.

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