Economistas falam sobre a expectativa para o anúncio da última Selic de 2020

O BC (Banco Central) encerra hoje (quarta-feira, 9.12) a última reunião do ano do Copom (Comitê de Política Monetária), que define a taxa básica de juros (Selic), o principal instrumento do governo para controlar a inflação, garantindo que ela fique dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Desde agosto, a Selic está 2% ao ano. Confira a expectativa dos economistas: 

Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo: O Banco Central deve manter a taxa Selic em 2% para agora e, pelo menos, para os próximos três meses. A inflação ainda está sob controle e começa existir uma tendência de queda que passará a ser sentida a partir de agora. Este decréscimo deve acontecer gradativamente, mas o saldo deve ser significativo para a economia.

Patricia Krause, economista da Coface para América Latina: A perspectiva é que o Copom mantenha a taxa Selic em 2% a.a. na reunião desta semana. Em seu comunicado deve reforçar os riscos recentes de alta para a inflação, assim como revisar as projeções para a inflação em seu cenário base para 2020. Já a projeção para 2021 deve, por ora, ficar estável. Apesar da elevação recente do IPCA, as projeções de inflação seguem abaixo ou próximas da meta no intervalo de 2021-2022. Por fim, nosso cenário é de que o ciclo de normalização da política monetária começaria no terceiro trimestre de 2021, encerrando o ano em 3% a.a. 

Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest: a expectativa é de que o Banco Central mantenha a taxa Selic em 2%, patamar mais baixo da história. Contudo, mais do que a decisão em si, as atenções estarão voltadas mesmo à mensagem que o BC vai passar em seu comunicado, principalmente por conta da alta da inflacionária que estamos observando nos últimos meses. O IPCA já acumula alta de 4,3% nos últimos 12 meses, acima da meta (4,0%), então, espera-se que o Banco Central nos dê alguma sinalização em seu comunicado sobre até quando vai manter conseguir manter a Selic em 2% com inflação acelerando, mesmo em um cenário de baixo crescimento.

Camila Abdelmalack, economista da Veedha Investimentos: O Banco Central deve manter a taxa Selic na mínima histórica de 2%. No entanto, suscitam dúvidas sobre uma alteração no comunicado devido à pressão inflacionária, que começa parecer “mais permanente” que inicialmente previsto. Em meio à lentidão na retomada econômica, era esperado que o excesso de ociosidade na economia mantivesse a inflação ao consumidor abaixo da meta em 2021, permitindo que o Banco Central mantenha a taxa Selic na mínima histórica de 2,0% até o 3º trimestre de 2021. Mas, além do benefício da dúvida com o cenário fiscal (leia-se a falta de clareza para o Orçamento em 2021), há possibilidade de uma pressão persistente nos preços no atacado (que vinham sendo diluídos ao longo da cadeia produtiva, mas a recomposição dos estoques pode manter as commodities apreciadas) mesmo com a descompressão da taxa de câmbio. Por isso, não será uma surpresa se em breve houver revisão nas expectativas para Selic próximo de 4% em 2021. 

Mauro Morelli, estrategista chefe da Davos Investimentos: Amplamente esperada a manutenção da taxa Selic por parte do Banco Central, apesar da crescente pressão inflacionária que se tem observado. Todas as atenções estarão focadas no comunicado. Esperamos uma mudança no tom do comunicado, incluindo comentários sobre a inflação pressionada e abrindo portas para uma futura, mas não próxima, subida da taxa Selic. 

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos: A decisão de política monetária deve chegar sem surpresas, a Selic permanecerá em 2%a.a. No entanto, investidores aguardam uma posição em torno da inflação mais alta que a projetada neste final de ano. O Banco Central pode reforçar que o quadro de apreciação cambial iniciado contribuirá na inflação mais baixa para 2021. Vimos em 2020 que os produtores rurais não sentiram o efeito da queda na demanda, pois repassaram a depreciação cambial aos preços domésticos e exportaram todo o excedente de produção. Assim como o final do auxílio emergencial. A instituição já tem dados suficientes para informar que a atividade sofreu com a redução da parcela. O que se agravaria nos próximos meses. Ainda devemos ver a instituição explicando o impacto do reajuste da energia elétrica no IPCA de 2020, e a “retirada” desse impacto em 2021. Em conclusão, o Banco Central não deve trazer amanhã mudanças que alterem a leitura para a Selic em 2021. Atualmente o mercado precifica uma alta de 0,25% no primeiro trimestre e 1% no total no primeiro semestre. O que pelas sinalizações recentes, não parece um cenário provável. Ou seja, existe um ajuste em curso, logo existe oportunidade para o investidor mais atento.

Bruno Musa, economista da Acqua Investimentos: Tudo indica, inclusive quando observamos os juros futuros, DI Janeiro 21, sendo negociado no valor de 1.91, que não teremos nenhuma alteração na taxa de juros. Isso também vemos no discurso do presidente do Bacen, Roberto Campos Neto, onde revela não acreditar que a taxa tenha baixado de mais ao chegar na taxa de 2% a.a. O dado do IGP-DI e IPCA podem ser adicionais para a análise do Copom, mas isso já segue na linha esperada, que tende ser a permanência da taxa SELIC, que deve seguir no mesmo patamar até o segundo semestre do ano que vem. O IGP-DI registrou inflação de 2.64% em novembro, que foi inferior em relação ao mês de outubro que foi de 3,68%, mas superior a apuração de novembro de 2019, que na ocasião registrou 0.85%.

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