Empresa anuncia projeto de expansão com a venda de parte da construtech à Gerdau

Brasil ao Cubo (BR3), empresa sul catarinense especializada em construção modular offsite, acaba de anunciar um arrojado plano de expansão comercial em parceria com a Gerdau, maior empresa brasileira produtora de aço. Com aporte de R$ 60 milhões, a siderúrgica passa a ter uma fatia de 33% da construtech. “Fechar esse contrato com a Gerdau é algo surreal para mim, principalmente pelo fato de eu ter sido soldador de estruturas metálicas. Durante um longo período da minha vida a marca Gerdau esteve presente em meus trabalhos. Estamos muito felizes e cientes que cresceremos ainda mais com o time da Gerdau ao nosso lado”, avalia o CEO e fundador da Brasil ao Cubo, Ricardo Mateus.

Gerdau e Brasil ao Cubo mantinham um relacionamento desde 2019 por meio do Gerdau Builders – Scale-up Endeavor, uma plataforma de aceleração que conecta a maior comunidade de empreendedores de alto crescimento no país. Ou seja, negócios que crescem pelo menos 20% ao ano, por três anos consecutivos, em número de funcionários ou receita.  A Brasil ao Cubo foi além deste percentual e despontou entre as startups que participavam do programa naquele ano. A empresa nasceu em 2016, mas foram os números de 2019 que chamaram a atenção da Gerdau. Foi justamente enquanto passava pelo processo de aceleração que a Brasil ao Cubo registrou 1.200% de crescimento com operações em 13 Estados.

“Depois disso nós iniciamos um relacionamento muito bom entre cliente e fornecedor do aço. Em determinado momento a Gerdau achou interessante iniciar um processo de avaliação dos nossos números”, conta Ricardo. Já no início de 2020, com a pandemia da covid-19, surgiu outro desafio: a construção de hospitais em tempo recorde para suprir a demanda por leitos de internação para pacientes com a doença. Construídas no parque fabril da Brasil ao Cubo em Tubarão, sul de Santa Catarina, as unidades foram instaladas em São Paulo, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Rondônia. Foram cinco hospitais em apenas 115 dias. Todos com o auxílio de parceiros, entre eles a própria Gerdau. “A construção dos hospitais possibilitou que a Gerdau pudesse avaliar e validar na prática nosso sistema construtivo”, afirma o CEO.

Ele explica que a chegada da Gerdau viabiliza o plano de expansão comercial que inclui a construção de um novo e estratégico parque fabril, aumentando a capacidade produtiva da Brasil ao Cubo e ampliando as operações para outros Estados, além da troca de know-how entre as empresas. “O tamanho do mercado modular no Brasil é de quase R$ 150 bilhões. Acreditamos muito que uma grande fatia desse mercado poderá ser suprida com essa nova estratégia, principalmente quando se fala de um novo parque fabril, mais automatizado, mais industrializado, levando de vez a indústria 4.0 para dentro da construção civil”, analisa Ricardo.

PIONEIRISMO NA AMÉRICA DO SUL

Brasil ao Cubo aproveita a oportunidade para apresentar a obra mais ousada e surpreendente para a construção civil brasileira até os dias de hoje e que deve se tornar um marco. Trata-se de um edifício comercial de oito pavimentos, com cerca de 3 mil metros quadrados que será instalado na região central de Tubarão, município sede da empresa, em apenas 15 dias, em janeiro de 2021. Dimensões, prazos de projeto e montagem que tornam a obra única na América do Sul. 

Tamanha agilidade na entrega só é possível graças ao modelo construtivo utilizado pela BR3: a construção modular offsite, ou seja, fora do canteiro de obras. Isso significa que quase 100% da edificação será feita no parque fabril da Brasil ao Cubo, transportada em “fatias” para o local de destino onde ocorre a acoplagem das partes (módulos) sobre a fundação. Entre as principais características que diferenciam a construção modular offsite de uma tradicional está o curto prazo. Isso porque pode acelerar em média quatro vezes o processo de entrega. Todo o aço, principal matéria prima para a edificação, é fornecido pela Gerdau. São mais de 300 toneladas.

De acordo com o CEO da Brasil ao Cubo, no pavimento térreo haverá um hall de entrada com uma área de convivência. Dois andares irão funcionar como coworking – espaço onde várias empresas e freelancers compartilham o mesmo ambiente de trabalho. Outros três andares vão ser ocupados como escritório da própria Brasil ao Cubo e os demais pisos poderão ser locados para outras empresas pelo investidor. “O desafio é gigante, sabemos disso. Afinal, erguer um prédio em 15 dias é algo inédito no País. Mas tenho certeza que nosso time está engajado e é competente o suficiente para realizar este feito. Estou muito feliz com essa conquista do time Brasil ao Cubo”, avalia Ricardo. “Antecipar uma obra em quatro vezes frente ao modelo tradicional, com maior eficiência e qualidade, justificam os investimentos que recebemos”, finaliza.

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