Secretarias estaduais de Educação lançam campanha sobre ensino médio em tempo integral

O cenário atual da educação no Brasil não é dos melhores. Estima-se que 3 milhões de jovens abandonam os estudos anualmente. Os motivos? Necessidade de trabalhar (39,1%) e falta de interesse (29,2%), entre os homens, gravidez precoce (23,8%) e afazeres domésticos (11,5%), entre as mulheres, estão entre as principais alegações. Dos adolescentes entre 15 e 17 anos, cerca de 1,2 milhão estão fora das escolas. Especialistas alertam sobre um risco de evasão agravado pela pandemia, pois muitos encontram hoje dificuldade de acesso ao ensino à distância e, em casa, o desemprego e a queda na renda familiar são uma realidade para muitos.

O Ensino Médio em Tempo Integral (EMTI) é uma modalidade de ensino que, a partir de uma grade horária estendida de 7h a 9h por dia, busca promover o desenvolvimento integral dos estudantes, com uma educação multidisciplinar centrada e conectada com sua realidade. Apesar de ter sido aprovada como política pública em 2016, ainda é desconhecida por muitos jovens e famílias brasileiras.

Diante de um cenário tão desafiador como o que vivemos na educação em 2020, como engajar os jovens a se matricular no EMTI? Uma análise feita pela Cause, consultoria de advocacy, engajamento e mobilização de causas, responsável pela estratégia de engajamento e coordenação do projeto, mostra que é preciso repensar a forma de mobilizar os jovens quando falamos de educação. “Associamos à nossa estratégia de comunicação de causas a lógica da propaganda, que busca a mudança de comportamento por meio de ações criativas e de alto impacto. Nosso pensamento foi: se essa lógica funciona para mudar comportamento de consumo, pode funcionar também para mudar comportamentos em relação à causa. Com isso, trouxemos uma campanha disruptiva que traz a sensibilização do jovem como o coração de toda comunicação. Reconhecemos o potencial que já existe em cada um deles e demos um novo significado para a educação nesta fase da vida. A campanha reconhece quem esses adolescentes já são e coloca o Ensino Médio em Tempo Integral (EMTI) como uma oportunidade de potencializarem seu futuro. Ninguém aqui é um ‘Zé Ninguém’, todo mundo é, sim, um ‘Zé Alguém’.”, conta Renata Barbosa, Diretora de Estratégia da Cause.

A campanha – Com Direção Criativa de Rodolfo Barreto, os materiais de comunicação que serão divulgados pela Secretaria de Educação nas principais cidades e centros de educação, contam com uma linguagem mais atrativa para a faixa etária foco, que vai de 14 a 18 anos. Além disso, a campanha aposta no engajamento desses jovens nas redes sociais e propôs um challenge no TikTok, #LápisChallenge, e no Reels do Instagram, que contou com a participação de influenciadores digitais como Gabriele Neves @gabsitm, Gabriel Santos @_biellsaantos, Ray Douglas @rayd0uglas e Valentina Schulz @valentina.Schulz. O desafio, que iniciou no dia 20 de novembro era simples: segurar um lápis entre a boca e o nariz pelo máximo de tempo possível. O intuito foi posteriormente revelado nas redes sociais desses influenciadores, que contaram sobre o EMTI, convidando os alunos a se matricularem.

Como peça estrutural da campanha, três artistas jovens e que representam a diversidade desse público co-criaram uma música que foi transformada em videoclipe: Vitor Kley, em parceria com Lourena e MC Estudante compuseram música e letra que retrata intenções e aspirações dessa faixa etária e sua relação com a escola. O clipe, disponível no Youtube, foi gravado em uma Escola Pública Estadual e apresenta os artistas e alunos do Ensino Médio em Tempo Integral. “Poder influenciar jovens e adolescentes a seguir seus sonhos, de alguma maneira conseguir influenciar no ensino e na transformação deles para a vida, é incrível. Fiquei muito honrado de fazer parte desse projeto e estou muito feliz com o resultado”, conta Vitor Kley.

Aperte o play: https://www.youtube.com/watch?v=z6BhzQn4JSk

As gravações ocorreram em São Paulo e contaram com produção musical de Rick Bonadio, direção de Fred Ouro Preto e composição de Vitor Kley, Lourena e MC Estudante. Ao todo, seis estudantes participaram como atores no clipe. “Foi um grande prazer produzir essa música. Além de trabalhar com três artistas fantásticos, ainda falamos de um tema de extrema importância para o jovem”, diz Rick Bonadio.

Rodolfo Barreto conta um pouco sobre o processo criativo: “Pode parecer meio bobo, mas o primeiro desafio era simplesmente direcionar a campanha para o público certo. E digo isso porque sabemos que a maior parte das campanhas públicas são criadas pensando em se dirigir aos adultos e não necessariamente para o público alvo. Portanto, manter o pé firme e saber que esta campanha tinha que usar a linguagem dos jovens para os jovens foi fundamental. Afinal, se você faz uma campanha para todo mundo, provavelmente você não está fazendo pra ninguém. Nosso projeto era para garotas e garotos de 15 anos de idade. Os outros stakeholders são extremamente importantes, mas seriam impactados de uma forma secundária.

E como falar com um jovem de 15 anos? Na maior parte das vezes, esse público é tratado de forma infantil. Não subestimar esse jovem se tornou a primeira regra para mostrar que realmente acreditamos no protagonismo deles. A partir de um conceito maduro, fomos atrás de como eles já se comunicam através das redes sociais para estabelecer a direção de arte, escolha das cores, tipologias, tom de linguagem, meios como o TikTok e o uso da música. Cada um desses pontos somados contribuiu para que eles se vissem na campanha e dissessem “Eu sou um Zé Alguém”.

A campanha foi articulada pelo Instituto Sonho Grande, cliente da Cause, uma organização sem fins lucrativos que atua em colaboração com estados e terceiro setor para melhoria da qualidade do ensino das redes públicas.

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