A Coluna do Roberto Maciel (terça-feira, 2.2): Congresso teve como manter o Bolsonaro em cabresto curto, mas afrouxou a mão

Bolsonaro escapou de levar um tombo e de virar refém da Câmara
Jair Bolsonaro conseguiu evitar um tombo daqueles. Ao ter forças para conduzir o deputado Arthur Lira (PP) à presidência da Câmara federal, superando em votos Baleia Rossi (MDB-SP), protegeu um flanco que o fragiliza diante de quem, entre outros desfechos, propõe o impeachment do presidente da República. Isso não significa que Baleia Rossi, apoiado pelo ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tomaria uma atitude decisiva em relação a um processo de impedimento – não se pode esperar de Baleia nada que o afaste radicalmente dos entendimentos golpistas que prevalecem no Brasil desde 2005. O fato é que caberia a ele a possibilidade de ter Bolsonaro em rédea curta. Teria, como Maia, o papel de ameaçar o Planalto quando o grupo que integra não for atendido. Já Arthur Lira, eleito ontem com 302 votos, em primeiro turno, é um deputado domesticado, que vive à sombra do bolsonarismo, vai fazer tudo o que lhe mandarem e se farta do mesmo leite condensado que adoça, por exemplo, a loja de chocolates do senador Flávio Bolsonaro. Simples assim.

A outra casa
E, sem tanta tensão, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) foi eleito com 51 votos para comandar o Senado. É um típico representante do “Centrão”, assim como Arthur Lira – um tipo de político que não se vincula a nada, de ideias a conceitos, que tenha a mínima aproximação das causas sociais. Do outro lado ficou Simone Tebet (MDB-MT), que, largada pelo partido, deve estar experimentando agora um pouco do sentimento que impôs à presidenta Dilma Rousseff nos turbulentos dias do impeachment. Simone fazia juras de amor a Dilma, mas tão logo viu ser possível, tratou de abandoná-la.

Bênção a um trânsito criminoso
Político que ganhou notoriedade por hostilizar o PT nas manifestações de 2013 e 2014 contra a gestão da presidenta Dilma Rousseff, o hoje deputado paulista Kim Kataguiri assina projeto com o qual pretende estabelecer a possibilidade de parcelamento, em até 12 vezes sem juros e correção, de multas por infrações de trânsito. A proposta modifica o Código de Trânsito Brasileiro. Kataguiri é um golpista, beneficiado pela mancomunação de entidades empresariais, partidos de direita e mídia conservadora que resultou no impeachment da Dilma e na prisão ilegal do ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva. Está entre os que ajudaram a colocar Jair Bolsonaro no poder, embora hoje se diga arrependido.

Os beneficiados não são os que cumprem as regras
A ideia de Kim Kataguiri, de forma muito objetiva, é beneficiar quem comete infrações ou crimes de trânsito. Quer invadir a faixa de pedestre? Invada, pois o Kim garante que você terá até 12 vezes para pagar a multa, sem juros nem correção. Quer furar o sinal de trânsito? Fure, pois o Kim garante que você terá até 12 vezes para pagar a multa, sem juros nem correção. Quer dirigir a 15o km por hora na estrada? Dirija, pois o Kim lhe garante até 12 vezes para quitar a multa, sem juros nem correção. Quer estacionar em vaga de cadeirante ou idoso? Estacione, afinal o Kim assegura para você até 12 vezes para pagar a multa, sem juros nem correção.

Acidentes de trânsito matam 15 pessoas por dia em São Paulo

Contas obscuras
A propósito de Kim Kataguiri, deve-se lembrar que ele pertence ao MBL, uma facção política que não raro é citada por estripulias cometidas com as contas financeiras que precisa prestar. O MBL se sustenta, em tese, por doações de gente que se dispõe a ouvir e a espelhar discursos com inclinações anti-democráticas de mau-caráter inquestionável. É a tal da “nova política”.

Desvendando
Saiba: é muito fácil identificar um bolsonarista, seja declaradamente arrependido, vergonhosamente penitente ou orgulhoso do ato que cometeu. Basta verificar se é aliado de quem comete crimes, irregularidades ou se incomoda com direitos sociais – e direito a um trânsito justo, seguro e confiável é o que todos julgamos ter.

Balcão
O serviço de atenção aos direitos do consumidor da Assembleia Legislativa do Ceará deu um passo à frente e retomou o atendimento ao público de maneira virtual. Quem acatou o pedido de reabertura dos trabalhos foi o então primeiro-secretário da Casa, deputado Evandro Leitão (PDT, foto abaixo), hoje presidente da Assembleia.

PDT quer eleger Evandro Leitão como presidente da Assembleia Legislativa -  Siará News

Na ponta
Por falar em Evandro Leitão, teve a mão dele a decisão do governador Camilo Santana (PT) de manter como líder do Governo na Assembleia o deputado Júlio César Filho (Cidadania). A relação positiva entre os parlamentares contou para o posicionamento de Camilo.

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Às terças e quintas, a partir das 18 horas, eu e a jornalista Eveline Frota promovemos lives no Instagram, as quais denominamos de “Coluna da Hora”. Os encontros duram uma hora e o internauta pode acessar e participar pelos perfis @evefrota ou @robertoamaciel. Também mantemos no YouTube o canal Coluna da Hora. Lá, há entrevistas com personalidades pra lá de interessantes. A mais recente traz o músico cearense Cainã Cavalcante, um craque do violão.

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