A Coluna do Roberto Maciel (16.02, terça-feira): Este ano não vai ser igual àquele que passou; pode ser pior

Aquela fantasia que você comprou ficou guardada

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Há um clima de derrota palpável em cada canto do Brasil. Ano sem Carnaval salienta, de fato, uma impiedosa sensação de desgraça. Ano sem Carnaval e com 240 mil mortos por uma pandemia galopante, então, nem se fala. É possível que só uns poucos setores militares estejam em festa – é que o líder costuma soltar um seco “e daí?” quando perguntado sobre as vítimas da covid-19. Enfim, também, os quarteis foram brindados com 80 mil latinhas de cerveja e 700 toneladas de picanha, o que pode dar, sem dúvida, um churrasco apreciável. E daí?

O “tiozão”
Por falar em churrasco, é natural que se recorde aqui a figura mitológica do “tiozão do churrasco” – aquele que conta piadas grosseiras e sem graça sobre “pavê e pacomê”, despeja inconveniências e rumina bobagens. O “tiozão”, que chegou ao poder, é aquele que faz pouco caso das mortes pelo coronavírus, acha que a terra é plana, distribui fake news na Internet, nega a ciência, contesta vacinas, é machista, misógino, homofóbico e fã ardoroso de figuras detestáveis. Agora, além de vibrar com a cerveja e a carne, o “tiozão” tenta impor sobremesa: leite condensado.

Insistência
Frase do presidente Jair Bolsonaro: “A vida continua, temos que enfrentar as adversidades. Não adianta ficar em casa chorando, não vai chegar a lugar nenhum. Vamos respeitar o vírus, voltar a trabalhar, porque sem a economia não tem Brasil”. Mais uma vez ele mistura obviedades, lugares-comuns e a mais absoluta desatenção com a vida. É óbvio que é necessário “enfrentar as adversidades”. É claro que se deve “respeitar o vírus”. Mas achar que “a vida continua” diante de 240 mil lápides é de uma crueldade imensa. No dia em que falou (mais) essa agressão ao bom-senso, registraram-se 1.452 vidas perdidas no País. O não-carnaval que termina hoje continuará ressoando ao som da Marcha Fúnebre.

Temos Millôr

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Sérgio Moro é o autor do melhor parecer contra ele
O parecerista Sérgio Moro não tem problema nenhum com gravações, interceptações, xeretagem de conversas alheias. Nenhum. Daí, não pode nem tem como se queixar de que o relevante conteúdo das ilegais conversas dos deletérios acertos e das tenebrosas transações que fazia com procuradores da República na Operação Lava-Jato tem menor importância. Quem puxou pela memória e apontou essa “qualidade” do ex-juiz, ex-deus dos furibundos bolsonaristas “anti-corrupção” e agora “a favor do Leite Moça”, foi o jornalista Ricardo Noblat, em blog que mantém na revista Veja.

A mão que afaga é a que apedreja
Noblat e a Veja são, podemos dizer, insuspeitos ao apontar mal-cheirosas condutas de Sérgio Moro (abaixo). Ambos foram entusiasmados defensores do impedimento da presidenta Dilma Rousseff, assim como se postaram como inclementes acusadores e julgadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tanto Noblat quanto a Veja deram, em textos caudalosos, sustentação retórica na Imprensa para a oposição formada por FHC, Aécio Neves, Jair Bolsonaro e, veja o naipe!, Alexandre Frota e Luciana Gimenez prejudicar as gestões petistas.

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Justa causa
A frase a seguir é daquele que, com largos e corteses gestos feitos à custa da manipulação da Justiça, pavimentou o caminho de Jair Bolsonaro ao Planalto: “Como havia justa causa e autorização legal para a interceptação, não vislumbro maiores problemas no ocorrido (…). Não é o caso de exclusão do diálogo considerando o seu conteúdo relevante”. Sérgio Moro argumentava, em março de 2016, em favor de si mesmo. Ele acabara de vazar criminosamente para a Imprensa parte de uma conversa entre Dilma e Lula. Além de ter grampeado a presidenta do Brasil, descumprindo até prazo definido, o que é um delito de gravidade ímpar, o então magistrado selecionou trechos da ligação que poderiam ser comprometedores. E os enviou para a Imprensa. O Jornal Nacional fez festa, Folha e Estado de S. Paulo também. Veja deu pulos de alegria. A Justiça e a democracia perderam, como sempre.

O dedo-duro

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Dias atrás, escrevi nesta Coluna que a Imprensa tem de pedir desculpas a Lula, ao Brasil e aos brasileiros pelo que fez. Nesta semana, o site Consultor Jurídico publicou matéria na qual indica que o jornalista Thiago Prado, ex-Veja (também ex-Época), assediava frequentemente o Ministério Público e o açulava contra pessoas das quais não gostava. Chegou até a dedurar algumas.

O repórter que “implora”
Trecho do Consultor: “Prado sugeria ao procurador (Deltan Dallagnol) prisão de pessoas, fornecia mensagens (e-mails) para incriminar pessoas suspeitas, documentos e extratos bancários. O repórter festeja quando Nestor Cerveró, então diretor da Petrobras, foi preso por causa dele. Prado, que vive no Rio de Janeiro, implora para conseguir alguém na Procuradoria-Geral da República a quem possa levar o que considera provas para condenar pessoas”.

Entrando em campo
Mais do site, agora citando uma especial antipatia por um senador que já foi jogador de futebol: “O jornalista tem certa fixação com o senador Romário (PODE-RJ) que, pelo cargo, não poderia ser investigado em Curitiba. Prado pede quebras de sigilo e insiste também em culpar o banqueiro André Esteves. “Assim como eu colaborei lá atrás entregando todos os e-mails do Cerveró para vocês, por favor, peço essa ajuda para desmontarmos essa farsa”, pede o repórter. Em dado momento, Dallagnol brinca, dizendo que o jornalista já pode entrar para o Ministério Público”. Detalhe: Thiago Prado se diz vascaíno e Romário jogou pelo Vasco da Gama.

Folia? Que folia?
Está prevista para a próxima quinta-feira a votação na Câmara federal de medida provisória que trata da compra de vacinas, insumos e outros itens para a vacinação contra a covid-19. A análise em plenário até que poderia ter sido antecipada, mas como é Carnaval – embora não seja feriado para mortais comuns -, os deputados esperaram passar a “folia”.

O que temos pra hoje
O vereador Jorge Pinheiro assina projeto que cria na Prefeitura de Fortaleza uma “comissão permanente de denúncias e combate às clínicas clandestinas de aborto”. Alguém precisa avisar a ele que não existem clínicas legalizadas de aborto na cidade, como não há em canto nenhum do País, já que a prática, fora dos limites da lei, é criminosa. Depois, que já existe a tal “comissão”. E atende pelo nome de Polícia.

Não tem pra ninguém

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E a vereadora Ana Aracapé tem se revelado uma dedicada cicloativista. Ou quase. Ela pôs para pedalar na Câmara de Fortaleza, num só dia, sete projetos pedindo a implantação de ciclofaixas em vias da Regional X. Isso: sete! São todos projetos de indicação – daqueles que só viram realidade se o governo municipal quiser.

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1 comentário em “A Coluna do Roberto Maciel (16.02, terça-feira): Este ano não vai ser igual àquele que passou; pode ser pior”

  1. Valeu, Roberto! Como sempre, críticas oportunas e bem direcionadas. Parabéns!

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