A Coluna do Roberto Maciel (quinta-feira, 04.03): Lockdown de Fortaleza reage à má política de Bolsonaro

Lockdown em Fortaleza: medida é grave, mas a situação assim exige
Lockdown não tem nada de político – é, antes de tudo, uma solução técnica. No caso do Ceará, é decisão com foco sanitário, considerando o estupendo aumento de casos da covid-19. No entanto, é possível considerar que uma ação restritiva como a que inicia vigência amanhã em Fortaleza tem aspecto político, sim. O controle rigoroso contra o avanço da pandemia, anunciado ontem pelo governador Camilo Santana (PT) e pelo prefeito José Sarto (PDT), começará uma semana exata após o presidente Jair Bolsonaro desembarcar no município de Tianguá e, sem pudor nenhum, gerar aglomerações, estimular moradores a não usar máscaras e fazer discurso ameaçador contra gestores estaduais. Camilo e Sarto tomaram uma decisão radical, a qual não queriam. Bolsonaro também tomou a dele, mas por querer menosprezar o vírus e deixar uma comunidade em risco. De um lado, a boa e necessária, mas dolorosa, política; do outro, a má e dolosa, sempre voluntária, agressão.

Uma coisa puxa a outra
A posição de Jair Bolsonaro espanta não apenas pela irresponsabilidade, mas pelo fato de o presidente da República ter ciência exata do que está causando. Ele conhece, com abundância de dados, a situação em que o País está mergulhado. Sabe que nos aproximamos de 260 mil mortos pela doença. Ainda assim dá de ombros para a crise. Omisso, incapaz de formular uma política séria para conter a pandemia, Bolsonaro ainda se dá à crueldade de impor perigo a outros. Em casos como esse, uma palavra de origem estrangeira – “lockdown” – bem que pode inspirar outra – “impeachment”.

Sara morde, Sarah assopra

BBB21: Twitter antigo de Sarah é descoberto e fãs viralizam publicações -  ISTOÉ Independente


Já abordamos aqui a edição 2021 do programa Big Brother Brasil, registrando a expulsão da cantora Karol Conká com 99,17% da rejeição da audiência. Só quem está em outro planeta (provavelmente) não sabe: o BBB é uma simulação de realidade em que competidores são confinados numa casa e, sem contato com o mundo externo, se engalfinham, se xingam, se afagam, se traem, são solidários ou sinceros, mentem e enganam em busca de fama e de R$ 1,5 milhão. A produção fez e faz sucesso em muitos países e ganhou milhões de espectadores. Afinal, é divulgada como uma vasta e diversa vitrine de emoções e reações possíveis para o cidadão comum. Neste ano, uma participante tem atraído especiais atenções. É uma moça de Brasília, chamada Sarah Andrade (foto acima). A capacidade de observar os demais, o distanciamento que adota de brigas e envolvimentos, o modo como joga – tudo a coloca como uma das favoritas a vencer. E o que isso tem a ver com a política que costumamos tratar nesta Coluna? Tudo.

Pontos divergentes

Comecemos com uma coincidência: Sarah Andrade é xará de Sara Winter (foto abaixo) – rancorosa militante neofascista que criou uma milícia agressiva, distribuiu terror e notícias falsas na Internet e ameaçou dar socos no ministro do STF Alexandre de Morais. Por espalhar fake news, chegou a ser presa em Brasília – lembra? A mesma cidade de Sarah Andrade – e carrega agora no tornozelo um dispositivo eletrônico que informa à Justiça os passos que dá. Terminemos, então, destacando distinções abissais: a do BBB é centrada, paciente, inteligente, tem foco no que faz, respeita os demais, admite opiniões divergentes, não ataca e não ofende. A neofascista é o contrário disso tudo.

Sara Winter: Lugar de selvagem é na jaula - ISTOÉ Independente

Dois lados
Enquanto Sarah Andrade agrega valores e representa uma cidadã pacata e comum num programa com péssimos exemplos, Sara Winter foi, com sintomas graves de degradação moral e intelectual, exemplarmente isolada pela Polícia e pela Justiça. Após amargar xilindró, não conseguiu sequer apoio público dos que a criaram e sustentaram – entre esses, o presidente Jair Bolsonaro e os filhos dele. Já Sarah Andrade cumpre uma política que oferta harmonia para a coletividade em que está inserida, enquanto Sara optou pela política desastrosa e desastrada, nociva, sem a menor competência para o diálogo. A propósito, outra concorrente que optara pela agressividade e pela manipulação, Lumena Aleluia, tomou de volta o caminho de casa na última terça-feira, com 61,31% dos votos.

Carimbo
Tentou-se nos últimos dias impor a Sarah Andrade a pecha de bolsonarista, ou “bolsominion”. Os tribunais das redes sociais a julgaram e a condenaram sumariamente porque, numa conversa besta na Casa – o que não é raro -, ela disse que já seguiu o perfil do presidente Jair Bolsonaro no Instagram. Isso, por si, não a insere no meio deletério dos admiradores do “mito”. No máximo indica que tem curiosidade e que, como muitos, busca saber o que o presidente da República publica sobre emprego, renda, combate à pandemia, educação, estatais etc etc etc, mesmo que isso não passe de abobrinhas, mentiras ou de informações fajutas. Mas a “revelação” faz parte do jogo – encontrou-se algo negativo, brutalmente negativo, para se jogar contra a competidora.

Tech
Quando chegar 2022, as 69 universidades federais e as 41 instituições de ensino profissional e tecnológica do Brasil deverão passar a expedir diplomas digitais aos estudantes. Essa é a única mudança expressiva que a gestão da educação superior conseguiu estabelecer nos anos Temer/Bolsonaro. A versão digital foi anunciada em 2019 e regulamentada em dezembro passado.

“Criatividade”

Narcélio entrevista deputado Leonardo Araújo nesta quinta-feira


O deputado Leonardo Araújo (MDB, acima) apresentou à Assembleia Legislativa do Ceará proposta com a qual, segundo diz, quer facilitar e incentivar a inserção no mercado de trabalho de jovens em situação de abandono em abrigos e orfanatos. Leonardo deu ao programa o nome de “Volta por Cima” – a mesmíssima denominação que em 2020 o prefeito de João Pessoa (PB), Cícero Lucena (SD) deu a ação de retomada da economia local, abalada pela pandemia.

Alívio
Tramita na Câmara dos Deputados projeto que prorroga a possibilidade de dedução do Imposto de Renda das doações a dois programas de assistência a pacientes com câncer e pessoas com deficiência. O texto até já passou no Senado. A ideia é de que pessoas físicas possam deduzir do IR as doações e os patrocínios até o ano-calendário de 2025. Para pessoas jurídicas, a dedução se estica até o ano-calendário de 2026.

Solidariedade no prato
O programa Mesa Brasil Sesc, iniciativa do Sesc voltada para a segurança alimentar e nutricional, está completando 20 anos no Ceará. O público-alvo são pessoas em estado de vulnerabilidade social, agora em situação agravada pela pandemia da covid-19. Palavras da gerente do Mesa Brasil no Estado, Regina Miranda: “Graças aos nossos parceiros, levamos comida de qualidade para aproximadamente 2,5 milhões de pessoas. Queremos sensibilizar mais empresários para essa causa, inclusive para que mais pessoas sejam beneficiadas neste ano”.

Monitoramento
E tem a assinatura do deputado Nelinho (PSDB, abaixo) matéria que tramita na Assembleia Legislativa do Ceará e propõe que maternidades, clínicas, hospitais e cartórios de registro civil no Ceará tenham de informar ao Ministério Público Estadual e ao Conselho Tutelar o nascimento ou registro criança cujo pai ou mãe seja menor de 14 anos de idade. Nelinho alega que o objetivo é proteger crianças e adolescentes.

Nelinho convida para sessão itinerante da AL em Juazeiro do Norte

Ao vivo
Sempre às terças-feiras, realizamos lives no Instagram com a marca “Coluna da Hora”, começando às 18h. São encontros de uma hora e o internauta pode acessar e participar pelo perfil @robertoamaciel. Também mantemos no YouTube o canal Coluna da Hora, com entrevistados bem interessantes.

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