A Coluna do Roberto Maciel (quinta, 18.3): Bolsonaro e as Leis de Murphy: “Se algo pode dar errado, dará; se algo não pode dar errado, dará também”

  • Em 1949, o engenheiro panamenho Edward Aloysius Murphy (1918-1990, na foto abaixo), engajado no programa aeroespacial norte-americano, escreveu o que hoje se conhece como “Leis de Murphy”. São um apanhado de considerações laborativas que, se olhadas sob um ângulo bem-humorado ou irônico, tangenciam das regras de trabalho convencionais e descambam para uma certa acidez. Admito que busquei essas informações na enciclopédia virtual Wikipedia, fonte nada confiável. E, nesse sentido, corro o risco de tropeçar na quarta consideração de Murphy, entre as listadas abaixo (“Se algo pode dar errado, dará; se algo não pode dar errado, dará também”). Se sim, peço a compreensão do leitor invocando a nona lei (“Toda nova solução cria novos problemas”).
Entenda a Lei de Murphy e como se prevenir matematicamente dela -  Engquimicasantossp

Dura lex, sed lex
São essas as Leis de Murphy – outras surgiram ao longo do tempo, sendo atribuídas ao engenheiro, mas são apenas variações sobre um mesmo tema:
1 – Tudo tende a dar errado. A natureza está sempre a favor da falha.
2 – Tudo relegado a sua própria sorte tende ir de mal a pior.
3 – Nada é tão ruim que não possa piorar (tudo o que começa bem, termina mal; tudo o que começa mal, termina pior).
4 – Se algo pode dar errado, dará; se algo não pode dar errado, dará também.
5 – Se algo está dando certo, cuidado: algo está errado.
6 – Se existem várias formas de algo dar errado, dará na forma de maior impacto e prejuízo.
7 – Se a solução de um problema parecer fácil, você não entendeu o problema.
8 – Erros sempre acontecem em série.
9 – Toda nova solução cria novos problemas.
10 – Tudo é possível, apenas não muito provável; dentre eventos prováveis, sempre haverá um improvável.

A cara do fracasso
Note, então: o presidente Jair Bolsonaro é hoje a melhor representação das Leis de Murphy no Brasil. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também já ocupou essa colocação – sobretudo nos anos em que, além de condenado e preso pela questionada Operação Lava-Jato, perdeu a esposa, um irmão e um neto. Tudo o que se refere a Bolsonaro tem alto risco de dar errado. Para exemplificar, vale mencionar o inferno de impopularidade em que está enfiado. O presidente foi eleito em 2018 com 55% dos votos dos brasileiros no segundo turno. Agora, tem 54% de avaliações negativas em pesquisa Datafolha. A situação é tão ruim que até o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, um incorrigível oportunista, tem dado as costas para o “mito”.

Criminosamente desastrado

Ex-presidente interina Jeanine Áñez é presa sob acusação de golpe na  Bolívia - Jornal O Globo


Bolsonaro tem sido tão desastrado que, além de já carregar no lombo quase 300 mil mortes pela covid-19, tenta culpar governadores e prefeitos pelos erros que voluntariamente cometeu. Mais: além de encrencar o Brasil com parceiros internacionais de grande expressão, como Estados Unidos, França, Argentina, China e Alemanha, se esforça arruinar as relações do País com parceiros de menor porte, mas de potencial indubitável, como Venezuela e Cuba. É tão mal orientado que tenta aliviar a barra da golpista Janine Áñez, que violentou a democracia boliviana depondo Evo Morales e está agora enjaulada por isso. Enfim, “se existem várias formas de algo dar errado, dará na forma de maior impacto e prejuízo”.

Rota
As autorizações de novos mercados para transporte coletivo rodoviário de passageiros emitidas pela Agência Nacional de Transporte Terrestre desde outubro de 2019 estão suspensas por determinação do Tribunal de Contas da União. A decisão, do ministro Raimundo Carrero, alcança os modos interestadual e internacional. No fim dessa estrada, prefeitos têm se apavorado com o que avaliam ser a possibilidade de um “apagão rodoviário” em pelo menos 128 cidades brasileiras.

Frase

Evandro Leitão será confirmado hoje como candidato à Presidência da AL-CE |  Politica | OPOVO+


Do presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Evandro Leitão (PDT, acima), sobre o imunizante russo Sputnik V: “Só a vacina vai ser capaz de trazer de volta à normalidade a vida social e as atividades econômicas”. Evandro foi o principal articulador na Assembleia Legislativa pela autorização para que o Governo do Estado compre 5,87 milhões de doses do produto.

Sem volta
A covid-19 está, pelo menos, demolindo algumas barreira partidárias existentes na Câmara Municipal de Fortaleza. Veja só: dos 41 vereadores presentes em sessão na última terça-feira, todos – isso: todos! – votaram a favor da compra de vacinas pela Prefeitura. Um passo que até os mais renitentes bolsonaristas, que até se manifestavam pública e despudoramente contra os imunizantes, tiveram de dar.

Disque
E começa a funcionar na Assembleia, na próxima segunda-feira, serviço telefônico para a implantação piloto do serviço de Telessaúde, do Departamento de Saúde e Assistência Social. Segundo Evandro Leitão, será um número específico para o qual servidores poderão ligar para tirar dúvidas, buscar orientações e possíveis atendimentos nas áreas de psicologia, nutrição, psiquiatria e práticas sistêmicas integrativas.

Lado de lá
Estamos no Instagram, com o projeto Coluna da Hora. Lá, entrevistamos convidados muito especiais, sempre às terças-feiras, a partir das 18 horas. Na última terça (16.03), recebemos a advogada Giovanna Santiago – uma voz que tem se destacado em campos como o do Direito da Família e o do Direito das Mulheres. Todas as edições da Coluna da Hora estão disponíveis no IGTV. Confira no perfil @robertoamaciel.

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