A Coluna do Roberto Maciel (quinta, 8.4): Luiz Inácio falou: “Qualquer presidente que encontrar Bolsonaro na rua muda de calçada”

  • Essa sequência de frases, entre provocações e constatações, foi desferida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em direção ao presidente Jair Bolsonaro em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo (Rádio Band). São todas de cortar o coração do mais embrutecido bolsonarista – gente do naipe, por exemplo, do deputado federal Daniel Silveira, afastado do mandato por xingar o STF e ameaçar a vida de ministros da corte:
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  1. “Espero que o Bolsonaro esteja assistindo essa entrevista. Porque queria mandar um recado pra ele: Deixe de ser ignorante, presidente. Quando tiver vacina pra todo mundo, aí todo mundo vai querer voltar a trabalhar”;
  2. “Feche a boca, Bolsonaro. Do mesmo modo que você não sabe falar de economia, não fale sobre saúde. Deixe os médicos e o pessoal do SUS falarem”;
  3. “O Guedes é aquele marido que ao invés de arrumar um emprego ele quer sair vendendo os móveis, o fogão, a geladeira… Quer tudo menos trabalhar”;
  4. “O mercado, se tivesse juízo, ia pra Aparecida do Norte fazer promessa pra eu voltar”;
  5. “Um governo só consegue governar se tiver duas características: credibilidade e previsibilidade. Qual é a confiança que o Bolsonaro passa ao povo brasileiro?!”
  6. “Temos que garantir o auxílio emergencial para o povo conseguir ficar em casa e se proteger. E para os micro e pequenos empresários que precisam sobreviver”.
  7. “Qualquer presidente do mundo que encontrar com Bolsonaro na rua muda de calçada. Eu mudo também!”

“Qualquer presidente do mundo que encontrar com Bolsonaro na rua muda de calçada”
As colocações de Lula vêm a propósito do primeiro grande fórum internacional neste ano, em plena e mortífera segunda onda da pandemia da covid-19. O presidente dos brasileiros foi convidado a participar da Cúpula do Clima, no próximo dia 22 – Dia Mundial do Planeta Terra, ou só “Dia da Terra”. E quem o chamou não foi ninguém mais ninguém menos do que Joe Biden, o presidente dos Estados Unidos, hostilizado por Bolsonaro antes mesmo de vencer o psicótico Donald Trump. Estima-se que 40 líderes mundiais devam integrar o evento, entre os quais o russo Vladimir Putin, a alemã Angela Merkel, o francês Emanuel Macron e o chinês Xi Jinping. Há de ser uma atividade diversa, portanto, embora não tenha condições de ser realizada presencialmente.

Revés

Bolsonaro diz não responder por atos de Guedes após fala sobre domésticas  na Disney - 13/02/2020 - Mercado - Folha

Diversidade, no entanto, pode não significar oportunidades. No dicionário do “bolsonarês” pode ser sinônimo de encrenca. É que contra o governo Bolsonaro pesam cobranças pela omissão na contenção do coronavírus – estamos nos aproximando de 400 mil mortes pela doença – e por desastres ambientais. Os incêndios na Amazônia e no Pantanal Mato-Grossense, o desmatamento acentuado de biomas e o derramento de óleo em praias do Nordeste são pautas preocupantes. Há reclamações também pela desastrosa condução da economia – motivo, por exemplo, para a saída da Ford do Brasil. E, por fim, pelo desmonte da educação, dos direitos humanos, da segurança pública, da ciência e da tecnologia e da cultura.

Calado!
Não vamos aqui perder tempo lembrando o quanto e como Merkel, Macron, Biden e Jinping foram atacados pela virulência do “boçalnarismo”. Mas resta-nos avaliar: Lula terá acertado sobre a eventual frieza a ser destinada a Bolsonaro por colegas de outros países? Sobre a relação meramente protocolar? Sobre o possível abandono de limites na exposição pública de cobranças? Pensando bem, melhor fará Bolsonaro se seguir um conselho de Lula: “Feche a boca”.

Meta
A Casa Branca emitiu comunicado sobre o encontro. E informou que os principais objetivos da cúpula do Dia da Terra serão em prol de esforços para manter ao alcance a meta de limitar o aquecimento planetário a 1,5 grau centígrados. Bolsonaro, assim como Trump dizia e como o astrólogo Olavo de Carvalho ensina, não acredita em aquecimento global. Já está marcada outra reunião com a mesma finalidade. Será em Glasgow, na Escócia, em novembro.

Preto no branco
Os jornais O Globo e Valor Econômico deram, cada um a seu modo, uma medida de como vai o Brasil sob as vontades de Jair Bolsonaro e os de Paulo Guedes. Veja as manchetes da última terça-feira:

A dor da gente não sai no jornal
Não atribuam inclinações ideológicas a uma ou outra notícia. Ambos os jornais representam a direita brasileira – são conservadores, capitalistas e têm fortes tendências contra o que quer que seja progressista. Ambos estiveram à frente das articulações e armações que resultaram no impeachment da presidenta Dilma Rousseff, bem como sustentaram com caudalosas matérias o concluio entre o então juiz Sérgio Moro e o grupo de procuradores da Operação Lava-Jato. São insuspeitos, portanto. Assim mesmo, tiveram de mostrar – apesar de esconderem qualquer crítica a políticas excludentes – o tamanho do abismo que divide o País. E saiba: esse abismo não é fruto de “ódio semeado pelo PT”.

Coluna da Hora


Às terças-feiras, pontualmente às 18 horas, realizo lives no Instagram com a marca “Coluna da Hora”. São encontros que duram uma hora, com personalidades muito especiais. O internauta pode acessar e participar pelo perfil @robertoamaciel. Minha conversa mais recente foi com o deputado estadual cearense Acrísio Sena (PT), tratando de temas como os limites territoriais do Estado. Você pode conferir aqui:

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