Frequência escolar de jovens no Ceará cresce 11,8% no quarto trimestre de 2020, apesar da #covid19

O Ceará apresentou, no quarto trimestre de 2020, um crescimento de 11,8% na proporção de jovens de 15 a 29 anos frequentando a escola ou a universidade (a curto prazo), isso em relação ao mesmo período de 2019, ou seja, passou de 36,3% para 40,6%. Mas quando comparado com o quarto trimestre de 2012, o crescimento foi ainda mais expressivo: 19,1% (de 34,1% para 40,6%). A elevação verificada no quarto trimestre do ano passado é importante, sobretudo porque ocorreu em um cenário pandêmico (covid-19). Os números – e muitos outros – estão no Boletim Trimestral da Juventude (nº 04/2020) publicado pela Diretoria de Estudos Sociais (Disoc) do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

Já a taxa de frequência escolar líquida entre jovens de 15 a 17 anos também se destacou pelo crescimento de 12,2% no curto prazo (de 62,2% para 69,8% no 4ºtrim/2014 em relação ao 4ºtrim/2019) e de 39% (de 50,2% para 69,8% no longo prazo, 4ºtrim/2020 comparado com o 4ºtrim/2012). A taxa do Ceará (69,8%) foi maior do que a do Nordeste (58%) e Brasil (63,82%). Enquanto isso, mais de 94% dos jovens de 15 a 17 anos no Ceará frequentaram a escola no 4ºtrim/2020. A taxa de analfabetismo entre os jovens de 15 a 29 anos voltou a apresentar tendência decrescente, sendo mais de 53% no longo prazo e 21,1%% no curto prazo.

De acordo com o Boletim, a proporção de jovens (de 15 a 17 anos) com ensino fundamental completo (73,6%) cresceu 7,1% no curto prazo, mostrando-se 8,9% mais elevada do que a proporção nacional (67,6%) e 18,5% maior do que a regional (62,1%) para o 4ºtrim/2020.  Entre os jovens de 18 a 29 anos, mais de 70% possuíam ensino médio completo. Esta proporção apresentou um crescimento de mais de 36% no longo prazo e, no último ano, crescimento de 10,8%, superando o patamar nacional (71,22%), e ficando 9,5% acima do regional (64,6%). Segundo o analista de Políticas Públicas do Ipece Victor Hugo, autor do estudo, o Ceará tem se destacado na frequência escolar com índices superiores ao do Nordeste e do Brasil.

MERCADO DE TRABALHO

O estudo também mostra que os indicadores de mercado de trabalho para os jovens. A proporção de jovens fora da força de trabalho, que culminou em 57,1% em no segundo trimestre de 2020, segue uma tendência decrescente e alcança o patamar de 50,1% dos jovens cearenses em 4ºtrim/2020. Tanto no curto, como no longo prazo, essa proporção registrou um pequeno aumento de 9,2% e 14,4%, respectivamente. A faixa etária dos 15 a 17 anos foi a única que apresentou queda (de 4,8%) no longo prazo. Victor Hugo observa que a taxa de desocupação evidencia “o forte impacto causado pela pandemia no ano de 2020 em jovens de 15 a 29 anos”. Esta, no 4ºtrim/2019, iniciou uma trajetória ascendente crescendo mais de 93%, chegando a 25,3% dos jovens no final de 2020. Os mais afetados encontram-se entre as menores faixas etárias, uma vez que esta proporção entre jovens de 15 a 17 anos aumentou mais de 211% no curto prazo.

No que diz respeito a ocupação informal, esta proporção corresponde a quase 61% dos jovens de 15 a 29 anos. Apresentando também uma tendência crescente no ano de 2020, apesar de não demonstrar um crescimento muito expressivo, tanto no curto, quanto no longo prazo, esta proporção ainda foi 28,4% mais elevada do que a proporção de jovens brasileiros (47,5%). O valor médio do rendimento real de todos os trabalhos para os jovens caiu 5,1% no curto prazo, saindo de R$ 1.020 no 4º trim/2019, para R$ 925 no 4ºtrim/2020. Apesar do rendimento médio real apresentar uma queda entre todas as faixas etárias, essa variação chegou a ser de -22,7% entre jovens de 15 a 17 anos. O valor médio do rendimento real da ocupação formal dos jovens caiu 3,9% entre o 4ºtrim/2029 e o 4ºtrim/2020, enquanto o rendimento da ocupação informal foi reduzido em apenas 0,7% no mesmo período. No entanto, o rendimento da ocupação formal foi 63,3% superior ao da ocupação informal dos jovens cearenses, sendo estes respectivamente de R$ 1.186 e R$ 726 no 4ºtrim/2020.

SEM ESCOLA E SEM OCUPAÇÃO

O analista de Políticas Públicas Victor Hugo afirma que, reforçando o cenário pandêmico, a maioria dos indicadores de jovens fora da escola e sem ocupação oscilaram apresentando um ápice no 2º trimestre de 2020 e, em seguida, seguindo uma trajetória de decrescimento nos trimestres posteriores. “Nesse trimestre, mais de um quarto da população jovem (30,6%) encontrava-se fora da escola e sem ocupação. O que equivale a 667.425 jovens cearenses. Esta proporção teve o mesmo aumento tanto no longo, quanto no curto prazo (9,3%).  Assim, quanto a este indicador, o Ceará aproxima-se do Nordeste (32%), mas ainda segue distante do Brasil (25,5%)”. Na faixa etária de 15 a 17 anos, o indicador segue apresentando uma trajetória decrescente. No curto prazo, esta queda expressou-se em mais de 56%, saindo de 8,8% no 4ºtrim/2019 para 5% no 4ºtrim/2020, fruto do contínuo aumento da proporção de jovens nessa faixa etária frequentando a escola, iniciado no primeiro trimestre do ano passado.

Já a proporção de jovens (de 18 a 24 anos) fora da escola e sem ocupação cresceu 12,8% e 18,1% (de 25 a 29 anos) entre o 4ºtrim/2019 e o 4ºtrim/2020. Esta proporção entre o sexo feminino sofreu redução de 2,2% (chegando a 35,5% das meninas) e entre os jovens do sexo masculino, esta mesma proporção (25,1%) sofreu um aumento substancial de 28,7% no curto prazo, reduzindo a diferença entre os gêneros para 41,5%. A proporção de jovens fora da escola e sem ocupação cresceu menos de 10% entre os jovens brancos no período dos últimos 12 meses, enquanto essa variação foi 18,8% entre pardos/negros. Não obstante, entre indígenas/asiáticos, este indicador sofreu uma redução considerável de 15,7% no mesmo período. A proporção de jovens fora da escola e sem ocupação nos municípios do interior (34,7%) sofreu um aumento de 11,2% no curto prazo, enquanto que na RMF (exclusive Fortaleza) esta proporção (32,9%) também apresentou aumento de mais de 20%. Na capital Fortaleza, observou-se uma queda de 6,2% nesse indicador (21,1%) no mesmo período.

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