Aproximação com mercado financeiro traz novas oportunidades para o setor hoteleiro

Artigo de Charluan Gamballe Correia, empresário e CEO da GCS Capital, empresa especialista em estruturação de fundos de investimento e negócios imobiliários e hoteleiros, habilitada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e signatária do PRI (Principles for Responsible Investment), pacto global das Nações Unidas (ONU):

A pandemia do coronavírus impôs muitas mudanças e que todos os setores sofreram seus impactos, uns mais e outros menos. No primeiro grupo, sem dúvida, se enquadram o turismo e o setor hoteleiro, que sofreram abalos significativos em 2020 e que ainda sofrem com a situação atual. 

O que todos temos em comum? A pandemia nos obrigou a olhar para dentro de casa e a melhorar, em todos os níveis. A necessidade de fluxo de caixa para manutenção das operações – mesmo com taxas de ocupação, na maioria das vezes, não satisfatórias para pagar as despesas – fez com que investidores, proprietários e empreendimentos buscassem diversas formas de manter as portas abertas, seja com a busca de capital, com a realização de parcerias ou mesmo reestruturando completamente as áreas administrativas e os custos. É um mercado guerreiro e certamente aqueles que estão conseguindo passar por essa fase delicada, serão competidores ainda mais fortes no mercado futuramente. 

E a boa notícia é que, aos poucos, é possível vislumbrarmos um cenário melhor para 2022, com a expectativa de voltar a retomar o RevPAR – principal indicador de performance para os hotéis – ainda em 2021. Além disso, a pandemia mudou o perfil dos turistas e o turismo local é uma forte tendência – que vem se confirmando com a experiência de players internacionais. Segundo pesquisa realizada no primeiro trimestre deste ano para o boletim de inteligência do Ministério do Turismo, 42,5% dos empresários do setor hoteleiro de turismo no Brasil pretendem investir na hotelaria em ambiente doméstico pelos próximos seis meses. 

Além disso, com a vacinação em nível global e à medida em que avança no Brasil, as ocupações tendem a retornar. É claro que não será possível recuperar, a curto prazo, tudo o que foi perdido. Mas quem está conseguindo atravessar este período claramente é sólido o bastante para aproveitar a retomada do mercado, que deve refletir uma melhora no valor da diária já no segundo semestre de 2021. Outro ponto importante é que já existe um movimento de aproximação com o mercado financeiro, o que proporciona novas possibilidades ao setor. 

Como CEO da gestora de investimentos GCS Capital, estou otimista com o cenário que se aproxima. Entendemos que há possibilidade, sim, de crescimento e de aproximação entre o mercado hoteleiro e o mercado de capitais. No último ano, analisamos internamente mais de R$ 4 bilhões em ativos envolvendo hospitalidade de Norte a Sul do país, buscando as melhores oportunidades de negócios. A pandemia, é claro, atrasou os planos de todos nós. Contudo, serviu para nós fortalecermos a GCS e fecharmos parcerias importantes durante este período, que sem dúvida trarão bons frutos. 

Em relação ao mercado de investimentos, os caminhos para investir internacionalmente estão crescendo, assim como os tipos de investimentos disponíveis, e o mercado interno vem expandindo o acesso a alternativas para diferentes perfis de investidores – entre os quais: fundos de investimento, ETFs (Fundos de Índices Listados em Bolsa de Valores), BDRs (recibo com lastro em ações estrangeiras), criptomoedas, além de outras operações, que têm se apresentado cada vez mais comuns. 

O Brasil ainda tem muito a crescer no seu mercado de capitais, e cada vez mais os pequenos investidores têm percebido a possibilidade de sair da poupança e/ou de operações dentro dos grandes bancos, para investimentos com empresas seguras e responsáveis, como em carteiras administradas e fundos de investimento imobiliário, que permitam transparência, diversificação e mais rentabilidade. É uma tendência que continuará se aprimorando e será de crescimento em número de investidores de todos os portes nos próximos anos com operações ligadas à Bolsa de Valores do Brasil. 

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