Entender os novos contextos de aprendizagem é essencial para quem quer ensinar, diz especialista

Os processos de transformação social a que temos assistido nos últimos meses nos leva a crer que o desenvolvimento de uma sociedade já não se avalia apenas, por exemplo, pela sua capacidade de produção industrial, mas também pelo domínio das novas tecnologias da informação e da comunicação e pelo nível de conhecimentos de que dispõe.

É incontestável as mudanças como um todo com essas novas tecnologias. No que diz respeito à Educação, as novas tecnologias da informação e da comunicação têm vindo a criar a necessidade de que hoje não é somente importante aprender, mas também o modo como se realiza essa aprendizagem.

Na verdade, não se trata apenas de utilizar as novas tecnologias e de esperar que a sua simples utilização prepare melhor os futuros cidadãos e determina a melhoria da aprendizagem dos alunos. O “Modelo de comunidade de aprendizagem” desenvolvido por Garrison, Anderson e Archer (2000) considera que a criação de efetivas comunidades de aprendizagem online, é determinada por três componentes principais: Presença cognitiva; Presença Social e Presença de Ensino. Assim, para que a aprendizagem profunda e significativa tenha lugar, estes três componentes deverão coexistir de forma equilibrada.

A presença cognitiva diz respeito ao desenvolvimento do pensamento crítico e à construção de significados pelos participantes da comunidade, face aos conteúdos abordados. A presença social relaciona-se com a criação de um ambiente em que os alunos se sintam emocional e socialmente confortáveis e à vontade para exprimirem as suas ideias. A ausência desta dimensão retira espaço à expressão de diferentes pontos de vista, de discordâncias, aos pedidos e ofertas de apoio etc. O terceiro elemento diz respeito à presença de ensino, e tem a ver com a forma como o professor gere e monitoriza as dinâmicas sociais e cognitivas no sentido de facilitar a criação da comunidade de aprendizagem e consequentemente o processo de construção do conhecimento.  

“Lembrando que a facilitação de aprendizagem não acontece somente em ambientes formais. Nós podemos atuar como facilitadores de aprendizagem o tempo todo, e em qualquer área. Contudo, a facilitação de aprendizagem exige competências específicas para que isso aconteça de verdade. E isso não tem nada a ver com oratório ou com transmissão de conhecimento. A facilitação consiste no processo de ajudar o outro a aprender. Uma vez que você tenha desenhado uma boa experiência de aprendizagem, você precisa de um profissional com um conjunto de competências que será capaz de facilitar o aprendizado do outro, colocando quem aprende como protagonista desse processo. Eu diria que a competência mais importante para o facilitador é a atenção plena, que vai fazer com que o facilitador consiga perceber as necessidades do outro e conectar o seu conhecimento e o seu repertório com aquilo que o aprendiz necessita naquele momento, colocando sempre a relevância na perspectiva de quem vai aprender”, finaliza Flora Alves, CLO da SG – Aprendizagem Corporativa e idealizadora do Trahentem.

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