Monitoramento mostra carga do novo coronavírus em esgotos de capitais

Boletim de Acompanhamento nº 03/2021 da Rede Monitoramento COVID Esgotos, com dados até 22 de junho, semana epidemiológica 25, identificou uma tendência de redução da carga viral do novo coronavírus em Belo Horizonte, Brasília e Curitiba em relação ao último boletim publicado em 14 de junho. Em seu primeiro registro num boletim da Rede, Fortaleza já começa com todos os pontos monitorados com uma concentração viral intermediária.

Belo Horizonte (MG)

Em Belo Horizonte, houve uma redução da carga viral nas semanas epidemiológicas 23 (6 a 12 de junho), 24 (13 a 19 de junho) e 25 (20 a 26 de junho) respectivamente de 76,8 bilhões de cópias do vírus a cada 10 mil habitantes; 58,4 bilhões; e 36,3 bilhões. Apesar da redução, a carga permanece elevada na capital mineira.

Dentre os seis pontos monitorados em Belo Horizonte, na semana 25 apenas na sub-bacia Arrudas, córrego Cardoso, a concentração de novo coronavírus se manteve elevada – acima de 25 mil cópias do novo coronavírus por litro das amostras. Já no ponto da sub-bacia Onça, córrego Vilarinho, a concentração do vírus ficou baixa, entre 1 e 4 mil cópias por dia. Nos demais quatro pontos de monitoramento, a concentração ficou na faixa intermediária entre 4 mil e 25 mil cópias por litro.

Já nos pontos especiais de monitoramento na capital mineira, tanto o Aeroporto Internacional de Confins quanto o Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) registraram respectivamente concentrações virais de 1080 e 855 cópias por litro na semana epidemiológica 25, patamares considerados intermediários. Já na Rodoviária de Belo Horizonte o vírus não foi detectado na semana 25.

Brasília (DF)

Com um histórico de medições iniciado no fim de março deste ano, Brasília apresentou uma carga de 548, 254 e 369 bilhões de cópias do novo coronavírus por dia a cada 10 mil habitantes respectivamente nas semanas epidemiológicas 23 (6 a 12 de junho), 24 (13 e 19 de junho) e 25 (20 a 26 de junho). Essa carga viral é medida em oito estações de tratamento de esgotos (ETEs), que atendem a cerca de 80% da população do Distrito Federal.

A carga medida na semana epidemiológica 24 é a segunda menor do histórico e ficou acima somente carga medida na semana 19 (9 a 15 de maio), quando foram detectadas 237 bilhões de cópias por dia a cada 10 mil habitantes. Apesar da leve elevação registrada na semana 25, desde a semana 21 há uma tendência de redução da carga viral nos esgotos do DF, sendo que a carga permanece elevada no Distrito Federal.

Evolução da carga viral no esgoto do Distrito Federal

Entre as semanas epidemiológicas 23 e 25, somente nas ETEs Samambaia e São Sebastião não houve redução das médias móveis de número de cópias do novo coronavírus. Nas ETEs Brasília Norte e Riacho Fundo houve queda nas concentrações, de 25 mil cópias do vírus por litro para a faixa entre 4 e 25 mil cópias.

Curitiba (PR)

Entre as semanas epidemiológicas 23 (6 a 12 de junho) e 24 (13 a 19 de junho), Curitiba registrou leve redução na carga viral registrada: respectivamente 128 bilhões e 294 bilhões de cópias do vírus por dia a cada 10 mil habitantes. Essa redução pode ser verificada em comparação à carga viral medida nas semanas 21 (23 e 29 de maio) e 22 (30 de maio a 5 de junho), que foi respectivamente de 583 e 459 bilhões de cópias do novo coronavírus. De todo modo, a carga verificada nos esgotos da capital paranaense permanece num patamar elevado.

Evolução da carga viral no esgoto de Curitiba

Em termos de concentração do novo coronavírus no esgoto de Curitiba, em quatro dos cinco pontos monitorados foi observada uma concentração acima de 25 mil cópias do vírus por litro nas amostras coletadas na semana epidemiológica 24, exceto a ETE Belém, que teve uma carga entre 4 mil e 25 mil cópias por litro. Além disso, teve início o monitoramento do esgoto afluente à ETE do Aeroporto Afonso Pena na semana epidemiológica 24, sendo que os primeiros resultados indicaram uma concentração viral intermediária, na faixa de 4 mil e 25 mil cópias por litro.

Fortaleza (CE)

Nas semanas epidemiológicas 23 (6 a 12 de junho), 24 (13 a 19 de junho) e 25 (20 a 26 de junho), Fortaleza teve uma concentração intermediária – entre 4 mil e 25 mil cópias do novo coronavírus por litro – em todos os pontos de monitoramento. Estes são os primeiros dados da capital cearense no boletim da Rede Monitoramento COVID Esgotos e com o andamento do trabalho será possível comparar a evolução da presença do vírus nos pontos de monitoramento de Fortaleza.

Rio de Janeiro (RJ)

No Rio de Janeiro, as concentrações e cargas virais do novo coronavírus no esgoto do Rio de Janeiro permaneceram muito elevadas nas semanas epidemiológicas 23 (6 a 12 de junho), 24 (13 a 19 de junho) e 25 (20 a 26 de junho): respectivamente 1,02 trilhão de cópias por dia a cada 10 mil habitantes; 681,4 bilhões; e 1,51 trilhão de cópias do novo coronavírus.

A carga medida na semana 25 é a quarta maior do histórico de monitoramento, iniciado em novembro de 2020, que teve a maior carga medida na semana 21 (23 a 29 de maio): 1,79 bilhões de cópias por dia a cada 10 mil habitantes. Especificamente na Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Alegria, na semana 25 houve a maior concentração viral de toda a série histórica.

Evolução da carga viral no esgoto do Rio de Janeiro

Além disso, as concentrações permanecem bastante elevadas – acima de 25 mil cópias do vírus por litro – em todos os dez pontos monitorados, sendo quatro ETEs na capital fluminense (Alegria, Barra, Penha e Vargem Grande), uma em São Gonçalo (ETE São Gonçalo) e uma em São João de Meriti (ETE Sarapuí). Ainda na capital, nas estações elevatórias Leblon e André Azevedo, assim como nas ETEs Pavuna e ETIG, as concentrações estão em níveis bastante elevados. Nas últimas três semanas epidemiológicas, apenas na semana 24 houve um ponto de monitoramento com concentração viral abaixo de 25 mil cópias do vírus por litro: a ETE Vargem Grande.

Mapa

Descrição gerada automaticamente

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nas ETEs monitoradas no Rio de Janeiro entre as semanas epidemiológicas 23 e 25

Sobre a Rede Monitoramento Covid Esgotos

A Rede Monitoramento Covid Esgotos, lançada em webinar realizado em 16 de abril, acompanhará as cargas virais e concentrações do novo coronavírus no esgoto de seis capitais e cidades que integram as regiões metropolitanas de: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro. Esse trabalho, uma das maiores iniciativas brasileiras de monitoramento da covid-19 no esgoto, busca fornecer subsídios para auxiliar a tomada de decisões para o enfrentamento da pandemia atual.

O Boletim 03/2021 se soma aos boletins já publicados da Rede Monitoramento COVID Esgotos e aos 34 Boletins de Acompanhamento produzidos no contexto do projeto-piloto Monitoramento COVID Esgotos, realizado com base em amostras de esgotos em Belo Horizonte e Contagem (MG). As lições aprendidas com o projeto-piloto são a base para os trabalhos da Rede.

A Rede Monitoramento covid Esgotos tem o objetivo de acompanhar a presença do novo coronavírus nas amostras de esgoto coletadas em diferentes pontos do sistema de esgotamento sanitário de seis capitais e cidades que integram as regiões metropolitanas de: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro. A rede busca ampliar as informações para o enfrentamento da pandemia de covid-19. Nesse sentido, os resultados gerados sobre a ocorrência do novo coronavírus no esgoto das cidades em questão podem auxiliar na tomada de decisões por parte das autoridades locais de saúde.

Com os estudos, o grupo pretende identificar tendências e alterações na ocorrência do vírus no esgoto das diferentes regiões monitoradas, o que pode ajudar a entender a dinâmica de circulação do vírus. Outra linha de atuação é o mapeamento do esgoto para identificar áreas com maior incidência da doença e usar os dados obtidos como uma ferramenta de alerta precoce para novos surtos, por exemplo.

A vigilância do novo coronavírus no esgoto também pode auxiliar nas tomadas de decisão relacionadas à manutenção ou flexibilização das medidas de controle para a disseminação da covid-19. Também pode fornecer alertas precoces dos riscos de aumento de incidência do vírus de forma regionalizada.

A Rede é coordenada pela ANA e INCT ETEs Sustentáveis com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e conta com os seguintes parceiros: Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além disso, a Rede conta com a parceria de companhias de saneamento locais e secretarias estaduais de Saúde.

Deixe uma resposta