Empreendedorismo social: precisamos falar disso no enfrentamento à pandemia

Enfrentar o caos em consequência da pandemia também significa lidar com novas formas de entender a vida em comunidade. E, se as trocas sociais movem o mercado, isso implica em maneiras diferentes de fazer negócios. O empreendedorismo social é uma das soluções para tirar o desenvolvimento sustentável do papel – e consolidar a noção de consciência coletiva em um meio disputado: o empresarial.

Na quinta-feira (29/07), Maria Flávia Bastos comandará palestra sobre o tema no Espaço Conceito BB RJ, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBBRJ), com transmissão pelo youtube.com/bancodobrasil, às 17h. Os interessados podem ser inscrever, gratuitamente, pelo http://bit.ly/livesespacobb.

Especialista em negócios de impacto, sustentabilidade e educação executiva, Maria Flávia explica que a palestra propõe novos olhares sobre os conceitos que sustentam ações dentro da realidade empresarial, com o objetivo de fomentar outras formas de pensar e agir.

“Essa palestra é fruto do meu destemor sobre minhas perspectivas e estudos acerca de cooperação e uma economia baseada no afeto: na afeição e no afetar-se. Na possibilidade de ainda fazermos alguma coisa pela nossa humanidade, tão adoentada, mas tão sedenta de algo que a valha, de algo que a faça resistir. E, em seguida, reerguer-se e, por fim, quem sabe, voltar a desejar e sonhar com o novo que há de vir”.

Segundo a especialista, “negócio de impacto” é um termo que equivale à capacidade de uma empresa ter, simultaneamente, “uma alma social em um corpo de negócio”. Essa área se consolidou no que já foi chamado de “setor dois e meio”, pois não se enquadrava no primeiro (âmbito privado) e nem no terceiro setor (instituições como as ONGs, por exemplo).

“Essas empresas têm atividades econômicas privadas, mas caracterizadas principalmente por seus objetivos ou compromisso em responder às necessidades de um grupo social ou uma comunidade. Não chegam a ser ONGs, que, em princípio, eram as protagonistas na lógica do trabalho social, mas também não são empresas estritamente privadas, que trabalham nos moldes hierárquicos e com dividendos, num ramo mais tradicional e conservador do mercado”, pontua.

Crise agravou desafios na área

Tornar o ideal em realidade no contexto de crise econômica não é fácil. Uma pesquisa realizada pela Pipe.social (Instituto Brasileiro de Estudos de Negócios de Impacto Socioambiental) aponta que, entre os 60 empreendedores entrevistados, a maioria indica que o grande desafio está relacionado a obrigações e gestão financeira do negócio. Inicialmente, a “Venda do produto ou serviço para o cliente” foi escolhida como o principal obstáculo (63,5%), seguido de “Continuidade de produção do produto” (30,9%), “Recebimento do pagamento de clientes (29,1%), pagamento de funcionários e colaboradores (23,6%) e pagamento de fornecedores (12,7%)”. Para driblar isso, 50% desses profissionais reduziu contas não essenciais, 33,3% cancelou ou mudou os planos de expansão e 26% criou formas de monetização dos seus produtos e serviços.

No Brasil, os campos em que o empreendedorismo social se faz mais presente são o de educação, meio ambiente, saúde e acessibilidade. Maria Flávia indica que essa é uma nova economia a ser exercida globalmente e em rede: “É preciso que se mude a maneira de pensar, de agir, de se afetar com o mundo em que vivemos. Não basta ser novo, ter uma ideia inovadora, se não há um entendimento de que se faz parte – dos ganhos e das perdas – deste nosso mundo. Então, uma nova economia (e uma nova sociedade) terá que acreditar nas conexões de maneira cooperativa, no respeito às comunidades e ao planeta”.

O perfil desse empreendedor é pautado na inovação com criatividade, persistência, ousadia e dinamismo. É ter em mente aliar o novo com a mudança, desenvolvimento social e sustentabilidade. O que Maria Flávia Bastos chama de “negócio com causa” tem, segundo ela, transformado a vida de muitas comunidades mundo afora.

Se o cenário econômico anterior do país já indicava a necessidade de um ramo voltado para o desenvolvimento sustentável, a crise financeira decorrente da pandemia agravou a situação. De acordo com a especialista: “Vivemos, sobretudo, em um país muito desigual. Para além dessa perversa distribuição de renda, somam-se problemas de educação, infraestrutura – há comunidades que ainda vivem sem saneamento básico –, saúde e habitação. Então, o surgimento de negócios que possam mudar ou amenizar esse quadro, oferecendo soluções inovadoras para a resolução de problemas sociais, é intrigante e necessário”. 

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