Toneladas de resíduos de mármore ganham solução sustentável

No processo produtivo do mármore Bege Bahia, tipo específico encontrado na região de Ourolândia, no interior baiano, há uma grande geração de resíduos, pois somente cerca de 30% dos blocos extraídos das jazidas tem aproveitamento. Com o passar dos anos, o acúmulo deste material tem gerado problemas econômicos e ambientais para a região. Diante desta demanda, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), em parceria com o Sebrae, investiu no desenvolvimento de cinco projetos de inovação, em parceria com o consórcio Assobege (Associação dos Empreendedores de Mármore Bege Bahia), para dar novas destinações a este material que seria descartado.

O desafio envolveu 63 micros e pequenas empresas, inclusive concorrentes, que compartilhavam do mesmo problema da inutilização do pó de mármore, cascalho ou partes fora do padrão e perceberam no modelo EmbrapiiI um caminho para atender a esta demanda social, econômica e ambiental. Pesquisadores da Unidade Embrapii – Senai Cimatec atuaram na proposta e desenvolveram cinco projetos:

Clínquer

A composição química do pó de mármore, rica em óxido de cálcio, se mostrou interessante para a produção de clínquer, tipo de matéria-prima do cimento, para substituir parte de calcário e argila, usados no método convencional.

Corretivo de solo

Outro projeto vai usar a composição química dos resíduos para diminuir a acidez do solo, aumentar seu pH, além de fornecer cálcio e magnésio para uso agrícola. Os testes apresentaram resultados positivos com a elevação dos teores destes dois elementos (Ca e Mg), além da neutralização do alumínio presente no solo, fatores que influenciam de maneira direta na melhoria das condições de cultivo por favorecer maior disponibilidade dos nutrientes no solo refletindo no desenvolvimento das plantas.

Argamassa

Outra novidade será reaproveitar o resíduo de serragem de mármore para produção de argamassa autoadensável, ou seja, aquela que preenche espaços sem a necessidade de intervenção manual. Neste caso, a proposta é substituir a areia que compõe o produto mantendo a qualidade de aderência. Os resultados mostraram que a incorporação do resíduo pode diminuir em até 44% o teor de aditivo de viscosidade.

Construção civil

Para os blocos fora do padrão, o quarto projeto irá utilizar o estoque remanescente para agregar valor à construção civil da região, seja na produção de peças decorativas ou em acabamentos de edifícios, por exemplo. Neste caso, o trabalho de esculpir, desenhar e elaborar as peças diferenciadas será realizado com designers do mercado baiano.

Smart Logistics

O quinto projeto tem como objetivo dar uma solução logística para que todas estas ideias possam ser viabilizadas. O “Smart Logistics” é um processo que proporcionará controle de estoque remanescente, movimentação e transporte de resíduo, utilizando conceitos de manufatura avançada. O projeto vai usar diferentes softwares que, em conjunto, integrarão as empresas envolvidas com simulações virtuais, como redução de desperdício e aumento na eficiência das operações. O desenvolvimento deste projeto concederá vários benefícios como redução de custos operacionais, aumento da capacidade de armazenamento, redução do retrabalho, melhoria no fluxo de informação, entre outros.

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