Pandemia agrava as desigualdades sociais em cidades brasileiras

Desde o início da pandemia causada pelo coronavírus, que afeta o Brasil desde março de 2020, o quadro social do país foi gravemente impactado. Segundo uma pesquisa inédita realizada pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap), os municípios brasileiros mais vulneráveis à doença também são aqueles cuja população apresenta as maiores diferenças socioeconômicas. 

A pesquisa aponta que não necessariamente as cidades mais afetadas são aquelas com menor renda, mas sim aquelas com maiores disparidades sociais entre seus habitantes. A pesquisa mostra que quanto maior é a renda, o acesso à redes de esgoto e água encanada e o desenvolvimento geral do município, menor é a vulnerabilidade à Covid-19. Ao mesmo tempo, quanto maior a desigualdade social, maiores as chances da população ser negativamente impactada pela doença.

“As casas com densidade mais alta certamente facilitam a disseminação do vírus, assim como a falta de saneamento e de recursos em determinados pontos das cidades brasileiras. Cidades que concentram trabalhadores que realizam a chamada migração pendular até o trabalho também podem apresentar mais casos da doença, pois trazem o vírus dos aglomerados urbanos.”, comenta Thomas Carlsen, COO e co-fundador da mywork, startup especializada em controle de ponto online.

Os municípios mais populosos do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro, são um exemplo típico. A pesquisa aponta que apesar do rendimento médio ser o maior do país (em torno de R$ 1.504), os recursos não são distribuídos de forma equilibrada entre a população, o que eleva os indicadores de desigualdade. 

Pouco mais de 25% da população brasileira reside em casas com densidade alta, ou seja, com mais de duas pessoas por dormitório. Em cidades com população média de aproximadamente 27 mil habitantes, esse número sobe para 50%.

“O aumento dos casos de contaminação em municípios com grande desigualdade social é um triste reflexo da realidade de muitos centros urbanos no país”, comenta o executivo.

Deixe uma resposta