ONG constrói cisternas para famílias que convivem com a seca no sertão nordestino

No Brasil, 6,1 milhões das casas brasileiras não contam com abastecimento diário de água (IBGE, 2019). São 18,4 milhões de brasileiros, a maioria vivendo no Nordeste, sem poder lavar as mãos e se higienizar todos os dias. Situação que é agravada pela pandemia da COVID-19 que persiste. Diante desse cenário, a organização Habitat para a Humanidade Brasil atua na região do sertão e agreste nordestino desde 2010, reparando o telhado das moradias e construindo cisternas para o armazenamento de água da chuva.

Nesta quinta-feira (5.8), a Habitat Brasil realiza a entrega de 109 cisternas, beneficiando mais de 500 pessoas que vivem no município de Triunfo (PE) e Itapipoca (CE). As cisternas começaram a ser construídas em julho em parceria com organizações locais e com apoio das prefeituras.

Uma das famílias que irá receber a cisterna nesta semana é a da Andréia. Mãe de duas crianças, Andréia conta que a única fonte de água disponível para beber, cozinhar e realizar tarefas domésticas vem de uma cacimba no leito do Pio Pajeú, a quase 500 m de distância da sua casa. “A água do rio não é segura, mas é a água mais limpa que eu consigo pegar. Vivo preocupada e com medo dos meus filhos ficarem doentes”.

Além do acesso à água, as famílias beneficiadas recebem capacitações sobre como manter a água potável dentro do reservatório e oficinas sobre direitos humanos e políticas públicas. Em onze anos de trabalho na região, a organização construiu mais de 600 cisternas, beneficiando cerca de 3.000 pessoas.

É o caso do Seu Adelmo, que vive em Triunfo e utiliza a sua cisterna todos os dias. “A nossa realidade com a cisterna melhorou 100%. Agora passamos a ter água de boa qualidade para usar todo dia. Minha esposa andava quase 8 km com uma lata na cabeça para buscar água e hoje ela não tem mais esse sofrimento. É um tesouro na porta de casa”, conta Seu Adelmo.

“Nós priorizamos o atendimento a famílias lideradas por mulheres e com crianças, idosos ou pessoas com problemas de saúde e deficiências morando na casa. Mas o principal critério é que sejam famílias em área rural, sem acesso a água, que recebam até 2 salários mínimos de renda familiar mensal. A mudança na qualidade de vida para as famílias é imediata. Não podemos conceber que milhares de famílias ainda carecem de acesso a este direito humano mais básico, ainda mais diante da crise sanitária que estamos vivendo”, afirma Mohema Rolim, Gerente de Programas da Habitat para a Humanidade Brasil e responsável pelo projeto.

As cisternas

As cisternas são feitas com placas de concreto com capacidade de armazenar até 16 mil litros d’água, o que é suficiente para manter uma família de quatro pessoas abastecida com água potável pelo período de um ano. Quando chove, a água cai na calha do telhado, desce pela tubulação e chega até o reservatório. Nas épocas de seca, basta usar a bomba e retirar água potável pronta para consumo, alimentação e agricultura. De acordo com a ASA (Articulação Semiárido Brasileiro), ainda existe um déficit de 350 mil cisternas para que o acesso à água potável seja universalizado na região.

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