Como fazer uma graduação no Reino Unido?

Cambridge e Oxford são as mais famosas, mas o Reino Unido tem mais de 130 instituições de ensino superior com interesse em receber estudantes estrangeiros, inclusive os brasileiros. Espalhadas por quatro países – Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte -, essas universidades estão de portas abertas, mas têm alguns critérios de admissão que precisam ser seguidos.

Quatro universidades britânicas estão entre as dez melhores do mundo. São mais de meio milhão de estudantes de fora do Reino Unido frequentando os mais diversos cursos. Brasileiros interessados em ser um deles podem ficar animados, segundo o diretor da GradeUP Intercâmbio Acadêmico e Serviços Educacionais, Leonardo Trench. “O aluno brasileiro está em ótima posição porque as universidades gostam desse perfil. Elas buscam um mix de nacionalidades e, para as instituições, é muito importante ter alunos latino-americanos”, explicou durante o evento “Estudar no Reino Unido is Great”, promovido pela Central Press, em parceria com a Embaixada do Reino Unido no Brasil.

Atualmente, há mais de 30 mil cursos de graduação e pós-graduação apenas em Londres. Durante a graduação, e dependendo do curso e universidade, os estudantes têm a oportunidade de fazer um estágio remunerado durante 6 meses ou 1 ano. Muitos campi têm acomodações destinadas a eles e é obrigatório morar nelas durante o primeiro ano. Assim, cada um pode experimentar uma vivência de integração à comunidade acadêmica, frequentando os espaços esportivos e sociais, e estando mais próximo dos laboratórios e ambientes de estudo.

Passo a passo para fazer graduação no Reino Unido

Estudar no Reino Unido pode não ser caro, ainda mais com uma série de bolsas parciais e integrais sendo oferecidas pelas instituições de ensino. O visto de estudante permite o trabalho até 20 horas por semana ao longo do ano letivo e, para quem estuda em período integral, aproximadamente 40 horas semanais no período de férias. E agora, novos alunos podem estender o post-study visa, que é uma oportunidade para permanecer no país e obter mais experiência de trabalho. No entanto, é preciso cumprir uma série de requisitos. “Cada universidade tem seu processo, mas, em geral, pede-se que os brasileiros cursem o foundation year, que funciona como uma ponte entre o nosso ensino médio e o primeiro ano de graduação deles”, detalha Trench. Algumas, oferecem esse ano de estudos dentro de suas dependências.

Para escapar do foundation year, o estudante pode cursar um ano de faculdade no Brasil ou ainda ter notas suficientes em currículos internacionais, como A-level ou IB Diploma Programme. O IB (Programa Internacional de Bacharelado Internacional) é um currículo de dois anos de duração, normalmente feito nos dois últimos anos do ensino médio e destinado a alunos entre 16 e 19 anos. Com uma abordagem holística, o programa é dividido em seis grupos de disciplinas – o primeiro é o grupo de Estudos de Linguagem e Literatura, onde os alunos cursam a sua língua materna, no caso de muitas escolas do Brasil, o Português; o segundo grupo é o da Língua de Aquisição, onde o aluno pode escolher, entre outras, Inglês, Espanhol ou Francês entre outras; o terceiro é o grupo designado de Indivíduos e Sociedades, com disciplinas como História, Gestão de Negócios, Psicologia ou Geografia; o quarto é o das Ciências Experimentais, com escolhas entre Biologia, Física, Ciências da Computação ou Química; o quinto é o grupo das Matemáticas, com duas modalidades: Matemática Análises e Abordagens e Matemática Aplicações e Interpretações; e o sexto grupo é o das Artes, com ofertas de Artes Visuais, Música ou Teatro.

Além dessas, todos os alunos IB cursam as disciplinas de Teoria do Conhecimento, com intenção de desenvolver o pensamento crítico e CAS (criatividade atividade e serviço), que tem por objetivo desenvolver no aluno valores pessoais e interpessoais por meio de projetos extracurriculares. Também é obrigatória uma monografia para ajudar a desenvolver a pesquisa e escrita científica.

O diretor do Colégio Positivo – Internacional, que aplica o IB Diploma Programme, Pedro Daniel Oliveira, detalha que se trata de um programa educacional reconhecido em mais de 130 países. “O IB Diploma Programme, programa de alta performance e avaliado externamente por educadores internacionais, promove um ambiente que desenvolve a mentalidade internacional, estimula o pensamento crítico e atua no desenvolvimento da compreensão conceitual e das habilidades cognitivas. Além disso, os dados apontam que a taxa de aprovação de alunos IB em universidades do mundo inteiro é substancialmente superior à de alunos regulares”, pontua.

Não é só no Reino Unido que o IB é aceito como vantagem. Quem cursa o programa pode pleitear vagas em universidades em mais de 130 países, incluindo o Brasil. Instituições como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Faculdade Albert Einstein e a PUC Rio têm uma via de acesso que considera a pontuação IB e dispensa o vestibular. Também no exterior, como na Alemanha, Holanda, França e no próprio Reino Unido, alunos IB não precisam participar de outros processos de admissão. “O IB é uma excelente opção não só para quem quer estudar fora, mas também pretende manter a janela aberta para as universidades brasileiras”, afirma Oliveira. 

Antes de sentar-se nos bancos universitários britânicos, porém, o estudante estrangeiro passa por uma avaliação holística. Trench conta que esses estabelecimentos de ensino avaliam vários fatores para escolher seus alunos. Entre eles, as notas do ensino médio, cartas de referência, entrevistas e uma carta de intenção, que explica por que o estudante deseja estudar no Reino Unido e de que forma poderá agregar à sociedade.

Veridiana Ribeiro mora em Londres desde 2010 e trabalha como International Officer para a América Latina na Birkbeck University of London, universidade pública tradicional com quase 200 anos. Com aulas apenas no período da noite, a Birkbeck possibilita que os estudantes sigam suas carreiras durante o dia. Além disso, disponibiliza um departamento inteiro voltado ao desenvolvimento de carreiras. Ela lembra que, além da carta de apresentação e do currículo, é importante também apresentar um teste de proficiência em inglês, como o TOEFL e o IELTS. O ano letivo começa entre setembro e outubro e é preciso ficar de olho nos prazos e nas exigências de cada instituição de ensino.

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