Agenda comum de Economia Circular é urgente para desenvolvimento da América Latina, diz secretário gestor argentino

Medidas concretas para transformar os atuais padrões de produção e consumo na América Latina precisam ser postas em prática nos próximos meses, defendeu o secretário para as Alterações Climáticas, Desenvolvimento Sustentável e Inovação do Ministério do Meio Ambiente da Argentina, Rodrigo Rodríguez Tornquist, no webinar “Alianças para a Economia Circular na América Latina”, promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) em parceria com a empresa Ekla-Kas.

O secretário argentino também ressaltou a importância da cooperação entre os países da América Latina e Caribe para o desenvolvimento sustentável do continente. “As deficiências nas relações multilaterais abriram espaço para certa rivalidade econômica, tecnológica e militar entre os países, o que torna ainda mais complexa a necessidade de repensarmos os paradigmas produtivos dos países”, afirmou.

Para Rodrigo Rodríguez Tornquist, há uma urgência de cooperação entre setor público e privado e de engajamento da sociedade civil acerca do tema. “Além de popularizar a agenda ambiental, precisamos romper com a lógica de oposição entre setor público e privado. É preciso estabelecer pontes para construirmos uma nova cultura política”, defendeu Rodrigo Rodríguez Tornquist.

O chefe da Divisão de Assuntos Ambientais, Sociais e Governança Corporativa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luiz Gabriel Todt Azevedo, disse que a cooperação regional deve ser prioritária, a despeito do cenário político. “Não podemos deixar que diferenças políticas impeçam o avanço em agendas que são urgentes, prioritárias e transversais”, enfatizou.

Segundo os especialistas, o arcabouço institucional para promover cooperação e alianças na economia circular já existem, apesar da falta de acordos que beneficiem a integração. “A integração regulatória e econômica é fundamental para criarmos escalas de mercados. Assim, as operadoras industriais conseguem fazer, inclusive, transações reversíveis para recuperar recursos”, afirmou o Oficial de Assuntos Econômicos da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, Henrique Pacini.

Circularidade, meio ambiente e atores sociais

As mudanças climáticas podem aumentar a competição pelo uso das superfícies terrestres. Segundo Henrique Pacini, os investimentos em cadeias produtivas circulares é a solução a longo prazo para os atuais problemas ambientais e produtivos. “Ao utilizar o que já está circulando temos uma redução das demandas por novas áreas e por fertilizantes, por exemplo, há uma redução da necessidade de extrações primárias”, afirmou. A ex- Ministra do Meio Ambiente e Conselheira do Cebri, Izabella Teixeira, destacou que a economia circular não se restringe às questões ambientais. “A circularidade busca uma nova forma de consumir e produzir e é justamente isso que gera uma nova maneira de se relacionar com os recursos naturais”, frisou a conselheira.

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