Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia busca empreendedores do Norte e Nordeste

A potência empreendedora das periferias brasileiras tem sido o combustível para a Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP), uma iniciativa que é resultado da união entre A Banca, Artemisia e FGVcenn. O Lab NIP – programa gratuito de aceleração de curta duração – chega aos territórios periféricos do Norte e Nordeste do país com a proposta de selecionar até 30 negócios para sete semanas de aceleração on-line.Como parte de apoio à jornada empreendedora, as seis empresas que se destacarem vão receber até R$ 15 mil cada e um apoio personalizado após o programa; os demais negócios participantes terão acesso à bolsa-auxílio de R$ 1.250. O Lab conta com o apoio da Fundação Arymax, Fundação Tide Setubal, Fundação Casas Bahia, do Instituto Humanize, da AZ Quest e da PepsiCo Foundation. As inscrições podem ser feitas até 4 de outubro de 2021 pelo site impactosocial.artemisia.org.br/lab-nip.

Segundo DJ Bola, presidente-fundador da A Banca e um dos idealizadores da Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia, o segundo ano do Lab NIP será norteado, como em 2020, por compartilhar inspiração, capacitação, articulação de investimentos e de apoios distintos aos negócios de periferia – sempre dentro da perspectiva de uma atuação mais abrangente da ANIP. “Nosso tom de voz é de abundância, algo novo quando se fala em empreendedorismo de periferia e na vivência nas quebradas. Queremos trazer luz ao crescimento das iniciativas, pontuando uma narrativa de coalizão que está a serviço do empreendedor. Essa é uma conversa nova dentro das periferias, porque por longos anos estivemos imersos em discursos de escassez”, afirma Bola, acrescentando que a chegada ao Norte e Nordeste do país atende à estratégia de fortalecer o empreendedorismo de impacto de periferia para além do eixo Sul-Sudeste.

“Somando edições de programas anteriores, a ANIP já apoiou 75 negócios de impacto social do Sudeste e Sul, e investiu, diretamente, mais de R$ 114 mil neles, gerando capital humano e financeiro para as periferias apoiadas. Agora, vamos levar nossa expertise e metodologia – aprimorada a partir das interações com turmas apoiadas – ao Norte e Nordeste”, conclui.

Maure Pessanha, diretora-executiva da Artemisia, destaca que a edição do Lab NIP, com foco nas regiões Norte e Nordeste, tem por objetivo auxiliar os empreendedores das periferias dos Estados por meio do fortalecimento do capital humano e social e do acesso a ferramentas e conhecimentos do universo de empreendedorismo de impacto. “Tudo é pensado para criar pontes dentro e fora das periferias”, afirma a executiva, acrescentando que a iniciativa dialoga com a estratégia de inclusão produtiva, conceito que se refere à inserção qualificada de pessoas – em situação de vulnerabilidade econômica – no mundo do trabalho, ou seja, iniciativas e políticas públicas voltadas à diminuição da exclusão social e ao aumento da produtividade do país. Presente no âmbito internacional e nas ações governamentais e de fundações filantrópicas, essa reflexão emergiu da compreensão do quanto o aumento do nível de renda é fundamental para a redução da pobreza e para a inclusão social”, afirma, acrescentando que a meta das edições de 2021 é incluir – respeitando a seleção territorial do programa – iniciativas de quilombolas e ribeirinhos. “É importante ressaltar que o Lab NIP busca endereçar diferentes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, destaca a executiva. 

Segundo Maure, é preciso criar iniciativas para combater o aumento da pobreza no país, que foi aprofundada por conta da pandemia. “Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) apontou que a pobreza cresceu de forma generalizada no país e em ritmo mais intenso no Nordeste e nos Estados que possuem grandes centros urbanos. Diante do agravamento da desigualdade social – além da crise causada pelo desemprego –, temos que pensar na inclusão produtiva com eficiência e seriedade”, afirma.

Edgard Barki, coordenador do FGVcenn, ressalta que esse movimento tem o objetivo de aprofundar o olhar para a periferia e aumentar o protagonismo local. “Queremos identificar e apoiar as inovações sociais que emergem das periferias nortistas e nordestinas e que podem contribuir com um olhar mais inclusivo para os negócios”, afirma, reforçando que é preciso ampliar a rede de apoio aos negócios para fortalecer essas inovações. 

LAB NIP | Para além de uma aceleração do negócio

Com o conhecimento adquirido nas edições anteriores sobre desafios, necessidades e fortalezas dos participantes, a equipe realizadora desenvolveu conteúdos prévios aos encontros para que haja melhor aproveitamento do programa. Entre os destaques do conteúdo do Lab NIP estão a frente de desenvolvimento intra e interpessoal (focada em competências socioemocionais e de saúde mental); o acompanhamento individualizado durante a jornada do desafio (sete semanas); metodologia exclusiva; apoio pós-programa aos destaques.

A análise de desempenho das edições anteriores revela a potência do Lab NIP em apoiar os empreendedores de impacto de periferia. A última edição – focada em territórios do Sul e Sudeste – mostrou que 90% das equipes de participantes aumentaram o nível de conhecimento em pelo menos uma das temáticas abordadas, sendo que o destaque recai para gestão financeira e de clientes. Após a participação, muitos dos empreendedores passaram a dar especial atenção à proposta de valor, à medida que conquistaram o entendimento sobre o próprio negócio e seus objetivos, indo da teoria para a prática.

“Destaco a valorização e promoção de dinâmicas interativas entre os empreendedores, mostrando que há, entre os pares, grande força de aprendizado. O Lab NIP vai além da aceleração de negócios de impacto da periferia para gerar oportunidade de inclusão produtiva, porque potencializa soluções que buscam enfrentar as desigualdades socioambientais históricas e contemporâneas. Nosso objetivo é quebrar paradigmas ao impulsionar empreendedores e empreendedoras diversos, ou seja, que desmistificam a figura tradicional do empresário”, afirma Maure.

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