Empresa química adota certificação de gestão de inovação

Estruturar os processos de inovação. Esse foi o objetivo da Messer Gases, multinacional alemã do ramo de gases industriais, ao adotar a ISO 56002, de gestão da inovação. O processo, que contou com o apoio da Palas, consultoria pioneira nessa norma na América Latina, recebeu a recomendação para certificação via atestado de conformidade pela QMS, certificadora de origem australiana. Essa já é a sexta empresa que implementa esse novo modelo de governança para a inovação no Brasil.

A ISO 56002, é resultado de seis anos de estudos de um comitê internacional que reuniu as melhores práticas de inovação entre todos os países-membro. Ao longo desses anos, muitos colaboraram ativamente, como foi o caso da França, Canadá, Portugal, Rússia, Espanha, Inglaterra e o próprio Brasil, que contou com a presença de Alexandre Pierro, sócio-fundador da Palas. A norma defende que uma inovação pode ser um produto, serviço, processo, modelo, método ou a combinação de qualquer uma delas. Contudo, o conceito de inovação é caracterizado por novidade e valor. Em suma, isso significa que ideias sem a manifestação de valor não são inovações e sim invenções.

No caso da Messer Gases, isso está bem claro. A empresa, que sempre foi direcionada à inovação, percebeu que poderia melhorar seus resultados ainda mais com a apoio da ISO 56002. “Estava tudo descentralizado e dependíamos muito das pessoas. Sempre que alguém se desligava da empresa, muito era perdido. Agora, temos um manual de inovação. A responsabilidade não está mais concentrada nas mãos de algumas pessoas, e sim no sistema, nos dados e indicadores. Isso é um ganho incomensurável para a companhia”, defende Claudio Santana, gerente de projetos de produtividade.

Apesar de ter concluído a implementação esse mês, a empresa já consegue perceber os benefícios na prática. “Entendemos que a matéria-prima de um bom processo de governança da inovação são as ideias. A qualidade está na quantidade. Ano passado, recebemos 2.400 ideias de colaboradores. Agora, com a ISO, nossa meta era conseguir 3 mil, mas surpreendentemente, chegamos a 4.555. Quase o dobro do que tivemos no ano passado”, alegra-se Santana. Agora, a empresa irá trabalhar na viabilidade dessas ideias para analisar o que deve receber investimentos para se tornar inovação.

Para Pierro, consultor que apoiou a Messer, a ISO de inovação é fundamental para estruturar processos e potencializar a geração de resultados nas empresas. “A cada nova implementação percebemos que é possível criar procedimentos que sistematizem a inovação, sem ser burocrático ou sobrecarregar as altas lideranças das empresas. Essa visão de governança profissionaliza a gestão da inovação, fazendo com que se tenha os objetivos, processos e indicadores definidos de acordo com o apetite de cada companhia para inovar”, explica.

Sobre a ISO 56002 – O sistema de gestão da inovação da ISO é composto por várias normas. A ISO 56000 é a que determina vocabulários e fundamentos. A ISO 56002 é a que passa as diretrizes para implementar o sistema de gestão e é a única que é certificável via atestado de conformidade.

Além dela, existem ainda a ISO 56003, que auxilia as empresas através das ferramentas e métodos de inovação; a ISO 56004, encarregada do assessment; a ISO 56005, de ferramentas e métodos para gestão da propriedade intelectual; a 56006, de ferramentas e métodos para a gestão da inteligência estratégica; 56007, de gestão de ideias; 56008, de ferramentas e métodos para medição da performance do sistema de gestão; e a 56010, que é um guia prático para inovação.

Esse modelo de governança tem sido amplamente procurados por empresas de diversos portes e segmentos na busca por uma melhor gestão da inovação. “Temos mais de 100 empresas no Brasil buscando entender a aplicabilidade e os benefícios do sistema de gestão da inovação da ISO. Isso demonstra que o país está antenado às melhores práticas de gestão da inovação no mundo”, explica Pierro.

O processo de certificação, via atestado de conformidade, é simples. A ISO 56002 pode ser implementada em empresas de todos os portes e segmentos. É possível fazer a implementação em um único departamento ou na empresa como um todo. Há ainda casos de implementação em várias unidades ao mesmo tempo, inclusive em países diferentes, no caso de multinacionais. O primeiro passo é a realização de um assessment, que avalia qual é o nível de aderência de uma empresa em relação aos pilares da norma. Depois disso, inicia-se o processo de implementação, que leva de quatro a seis meses, dependendo do nível de complexidade e da maturidade da empresa em relação ao tema. Quando o sistema de gestão fica pronto, uma certificadora faz a auditoria de certificação, que, se aprovada, emite o atestado de conformidade da ISO 56002.

Os benefícios variam de uma empresa para outra. Além de acesso a incentivos fiscais pela Lei do Bem, as empresas que adotam o modelo percebem os benefícios de um processo bem definido para a gestão da inovação, com mapeamento de riscos, avaliação de oportunidades e estabelecimento de recursos para a inovação, como infraestrutura, conhecimento e mesmo budget. Contudo, para Pierro, a maior vantagem do processo de implementação dessa norma é transformar ideias em resultados. “Vemos muitas empresas com sofisticados laboratórios de inovação, gerando ótimas ideias, mas que, por falta de processos bem definidos, acabam nunca saindo do papel. Com a ISO 56002, as ideias são levadas à sério. Colocamos a criatividade para emitir nota fiscal”, enfatiza Pierro.

No momento, outras cinco empresas brasileiras de diversos portes e segmentos – inclusive uma da área pública – estão passando pelo processo de implementação da ISO de inovação pela Palas.

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