A Coluna do Roberto Maciel (terça-feira, 21.9): O “xou” da Xuxa tornou Bolsonaro um baixinho malcriado (ou “O presidente quer tudo terminando em pizza”)

  • O que você vai ler a seguir foi postado pela apresentadora de TV Xuxa, que já foi modelo, cantora e estrela capitalista do mercado para crianças: “Eu não sei mais o que esse ‘homem’ precisa fazer ou falar pras pessoas pararem de seguir, pararem de dizer ‘não toleramos isso’, o que mais ele precisa fazer pra deixar de ser nosso presidente?” O alvo das palavras azedas, escritas numa rede social na qual Xuxa tem 11,9 milhões de seguidores, pesam muito – sobretudo porque alcançam pessoas não necessariamente sintonizadas com o mundo político – era o presidente da República, Jair Bolsonaro. Isso se deu uma semana antes de Bolsonaro seguir para Nova York (EUA), onde hoje (21.9, terça) fala em encontro da ONU.

Estrela que não é (necessariamente) vermelha
Xuxa virou petista? Filiou-se ao PSol? É agora comunista? Nada disso. Embora bolsonaristas possam acusá-la de muitas coisas – já chegaram até a tentar grudar nas costas dela a pecha de pedófila, numa asquerosa estratégia que depreza sobretudo o bom-senso -, deve-se observar que ela, mesmo em medidas menos expressivas, continua sendo uma máquina de gerar dinheiro onde põe o (belo) rosto.

Contraste
A diferença entre a Xuxa de ontem e a Xuxa de hoje é a mais completa falta de paciência para declarações costumeiras de Jair Bolsonaro. Como a que lhe acendeu o alerta: “Aí o povo fala: ‘não, o pessoal passou fome’. Olha, muitos brasileiros passam mal. Sei disso. Alguns passam fome? Sim, passam fome. Mas a média dos que passou (sic) a comer mais foi bem maior. Se você perguntar em casa, ou olhar para você e lembrar quanto você pesava no passado e pesa agora, na média, todo mundo engordou um pouco mais. É uma realidade. Vão querer debochar de mim, descer o cacete em mim, mas é uma realidade”. Sim: Bolsonaro abriu a boca para dizer essa impropriedade no país que (acha que) dirige e no qual, não por coincidência, há 14,4 milhões de desempregados, 19,3 milhões de famintos e cerca de 591 mil mortos pela covid-19, muitos dos quais, segundo especialistas, poderiam ter escapado se o governo tivesse adotado uma política honesta para a vacinação da população.

Na chegada a Nova York, Bolsonaro come pizza de pé com ministros - Prisma -  R7 Christina Lemos

Prato do dia
Rápida observação, ainda a propósito de comida: Bolsonaro espalhou nas redes sociais uma foto (acima) na qual, acompanhado por um bando de aduladores, aparece mastigando pizza numa calçada de Nova York. A imagem teve dois objetivos: 1) Dizer que é um homem simples, do povo, desenrolado, capaz de comer cai-duro em qualquer lugar do planeta; 2) Dizer que, a despeito de ser o governante de um dos países mais importantes do mundo, está sendo discriminado por restaurantes nos EUA por não ter se vacinado (pelo menos que se saiba) contra a covid-19; 3) Seria uma mensagem em diz que esforços da oposição para investigá-lo vão “acabar em pizza”?

Tudo acaba em pizza mesmo? Vai acabar em pizza para Bolsonaro?
Muita gente cuidou de disseminar a foto da pizza e, talvez sem perceber, os objetivos de Bolsonaro – até nós estamos caindo nessa agora, embora destacando ser necessário contextualizar o fato. Afinal, quem acredita que o hotel que hospeda um chefe de Estado não tem restaurante? Ou não manda servir refeições nos apartamentos? Ou, se for uma espelunca, não atende serviços de entrega de comida?

Umas e outras
Não é a primeira vez que Jair Bolsonaro transforma a relação com alimentos em argumento populista. Já apareceu fazendo sanduíche de pão com leite condensado e comendo cachorro-quente no entorno de Brasília. Já fez live tomando leite – símbolo de grupos fascistas da Europa e dos Estados Unidos. Também já postou almoço internacional num restaurante modestíssimo. No entanto, a mais emblemática foto dele numa mesa é essa abaixo – em que ele contracena com o miliciano Fabrício Queiroz, assessor do filho Flávio para assuntos de rachadinha, comendo “PF”.

Bolsonaro se manifesta sobre reaparecimento de Queiroz

Seu símbolo são as armas e não o amor e a paz
Voltando a tema inicial: longe de ser a doçura que virou “Rainha dos Baixinhos”, Xuxa foi ácida. E tasco-lhe: “Negar as vacinas? Dar força a um remédio ineficaz? Rir e dizer que é mimimi a doença e a morte das pessoas? Descredibiliza o voto mais seguro de uma votação segura e sem manipulação externa? Dar força ao desmatamento da Amazônia? E sua família não pode ser investigada (por quê?) e agora diz que as pessoas estão gordas e não estão passando fome (não existe inflação). O pior é dizer que Deus esta com ele e seu símbolo são as armas e não o amor e a paz. O que mais ele precisa falar e fazer?”

Prego virado
E concluiu, como a mais comum e a mais indignada das mulheres: “@vidas_brasileiras Assine a petição do impeachment”. Saiba, por fim, que mais de 285 mil pessoas curtiram o que Xuxa escreveu.

Do lado de lá

Rio adia início do 'passaporte da vacina' para 15 de setembro | Exame


Assim como em outras capitais, Fortaleza pode ter um passaporte de vacinação contra a covid-19 para chamar de seu. Quem clonou a ideia foi o vereador Léo Couto, que a pôs para tramitar na Câmara Municipal. Ele copiou letra por letra proposta que exige das pessoas a comprovação da imunização para o acesso a diversos locais públicos.

Coluna da Hora
Conversei longamente com a vereadora fortalezense Larissa Gaspar (PT). Tratamos de política, gênero e direitos humanos. Larissa é a melhor referência da Câmara de Fortaleza quando a pauta são as causas do cidadão. Confira:

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