Especialistas explicam impactos do novo corte da Selic em plena recessão global do #coronavírus

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O Comitê de Política Monetária (Copom), optou por mais um corte de 0,5% na taxa básica de juros, a Selic, levando-a aos 3,75%. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a Selic abaixo da inflação denota juros reais negativos no país. Com isso, o dólar chegou a ser cotado a R$ 5,19. Só neste ano, a Bolsa de Valores teve queda de 42%, acionando pelo menos 6 circuit breakers no mês de março. Especialistas do mercado financeiro indicam que mesmo com a tentativa de estímulo através do corte, 2020 é um ano perdido do ponto de vista econômico, o que pode perdurar até 2021, já que o país deve demorar para se recuperar dos impactos causados pela pandemia do novo coronavírus.

Para Daniela Casabona, diretora da FB Wealth, o corte no Brasil foi puxado por outros países que tomaram a decisão, buscando minimizar os impactos da crise atual. “O Banco Central enfrentou o desafio de analisar o impacto real do surto na economia, a decisão foi puxada também pelos cortes nos bancos centrais do mundo, que tentam adotar medidas de incentivos para minimizar o impacto negativo na economia”. Casabona afirma que os países podem se desgastar com os cortes, já que não são eficazes no momento de recessão global. “Outros países já vêm testando o corte, porém em um momento de crise vai trazer mais estresse, o corte de juros não irá reativar a economia, a recessão é global”, pontua.

Guto Ferreira, analista político-econômico da Solomon’s Brain, aponta que foi uma tentativa falha do governo de tentar estimular o consumo. “É uma tentativa desesperada, já que este era o momento de manutenção ou até de subir a taxa de juros”. Para Ferreira, o momento atual exige medidas que amenizem as perdas da Bolsa. “A Bolsa segue perdendo e muitos até defendem o fechamento da B3 neste período, se ela continuar perdendo, teremos que usar o ano de 2021 inteiro para pagar este prejuízo”, pontua. Além disso, o Analista ressalta que a medida foi equivocada e que o aumento da taxa poderia manter um maior controle sobre a inflação. “Foi uma medida totalmente errática, já que a subida controlaria uma possível futura inflação”, conclui.

Fernando Bergallo, diretor de câmbio da FB Capital, diz que a medida foi uma tentativa de driblar os impactos desta recessão global, já que o Banco Central pontuou anteriormente que não faria novos cortes. “Os bancos centrais de todo o mundo estão seguindo essa linha pelo contexto altamente desafiador na economia global. Em uma situação normal, a taxa não seria cortada, mas foi uma tentativa de impulsionar a economia”. Para Bergallo a medida não tem eficácia quando se trata de uma crise tão grande como a de agora “Todos sabemos que o corte não é uma medida eficaz para suportar uma situação desse tamanho”, afirma. O Diretor de Câmbio ressalta que o corte não deve impactar o fluxo cambial, já que o investidor no momento visa os riscos e afirma que o Brasil deve fechar 2020 em recessão. “Não tenho dúvidas que o Brasil deve fechar o ano em recessão e o investidor não está olhando isso, ele está olhando o risco, então o corte não deve impactar o fluxo cambial”, finaliza.

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