Franchising Consciente: uma questão de sobrevivência

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Artigo da advogada Melitha Novoa Prado, especialista em Direito Empresarial:

O varejo não podia imaginar que uma pandemia o parasse. O consumo reduzido trouxe prejuízo e, agora, a sobrevivência das redes dependerá da estratégia adotada por seus elos. Não é possível sobreviver sozinho. Então, nunca foi tão perspicaz pensar-se no Franchising Consciente.

O Franchising Consciente é um conceito amplo, mas bem simples. Ele começa lá atrás, na essência do franchising, que mostra que só se fazem negócios sob a égide desse sistema a partir da interdependência de seus elos. O fornecedor depende do franqueador, que depende do franqueado, que depende do colaborador, que depende do consumidor final. Sem essa profunda ligação, nenhum membro da cadeia sobrevive. Nenhum é mais importante que o outro e apenas respeitando-se e mantendo relações extremamente saudáveis e transparentes entre eles é que todos ganharão. Mas, como é difícil fazê-los entender esse processo!

Por muito tempo, imaginou-se que o franqueador seria o detentor do conhecimento e que o franqueado seria um mero aprendiz. Obviamente, o franqueador deve ser a parte mais desenvolvida da relação, afinal, o investidor compra dele o know-how, o conhecimento, o negócio testado, e espera que ele mantenha essa liderança justamente para que o negócio seja perene e mantenha-se forte, diante da concorrência. Mas, a partir do momento em que o franqueado passa a fazer parte da rede, espera-se que ele também contribua com seu conhecimento, adquirido fora e anteriormente; com as experiências que terá a partir do contato com o consumidor – não se pode esquecer que o franqueado é a interface com o cliente final – e com seu esforço para que o negócio prospere.

Dos fornecedores e parceiros comerciais, é necessário que se obtenha inovação tecnológica, soluções eficientes, ao menor custo possível, transparência e aquela vontade extra de ver a empresa prosperando. Apesar de não pertencerem à marca, diretamente, deseja-se que eles se sintam parte dela, para que as relações sejam duradouras.

Dos colaboradores, não se deseja a simples atitude para manutenção do emprego, mas o orgulho de pertencer-se a uma marca. E, a eles, devem-se ser oferecidas condições dignas para que cresçam e se sintam realizados profissionalmente.

Por fim, do consumidor final, espera-se a fidelidade. Para isso, é importante que haja uma conquista real. E só se conquista o cliente por meio de uma relação honesta e transparente.

O Franchising Consciente é tudo isso – e muito mais. A partir do respeito entre todos os elos da cadeia, estipulam-se relações equilibradas e saudáveis, que permitem diálogos que empoderam cada uma das partes como elas precisam, em cada momento.

Agora, por exemplo, vejo como fundamental, para a sobrevivência das marcas, o empoderamento do franqueado. É papel do franqueador apoiá-lo na obtenção de crédito, na relação com fornecedores (até para que as negociações não os achatem e os façam parar de fornecer insumos importantes para a manutenção da franquia), nas causas trabalhistas e na manutenção do consumidor. Achar saídas criativas para a crise depende de toda a rede, mas terá mais sucesso quem conseguir empoderar sua rede franqueada.

O Franchising Consciente é uma atitude para ser colocada em prática diariamente. É uma questão de esforço profissional e pessoal, que todos devem praticar, em nome da própria sobrevivência.

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