Mercado de Capitais está se mostrando uma saída para a crise da pandemia da #covid19

Artigo de Roberto Lobos, executivo de finanças da Innovativa Executivos Associados:

A pandemia do Covid19 mostrou como é frágil o mercado de crédito no Brasil. Um mercado financeiro concentrado. A ajuda do governo não conseguiu chegar à maioria do empresariado, que necessitava de financiamento para sobreviver à queda ou interrupção abrupta de suas atividades. Muitas vezes porque o negócio já não tinha uma boa situação econômica e financeira ou não preenchia os requisitos de risco e exigências de garantias solicitados pelos agentes financeiros. Falou-se muito que os bancos preferiram deixar os recursos em suas tesourarias, optando por pequenas perdas do que correr o risco que o negócio impunha.

Como se iniciou 2020

Anterior à pandemia, já havia um indicativo de que com as taxas de juros diminuindo, os investidores teriam que buscar aplicações com maior risco para conseguirem um rendimento superior à taxa de juros ou mesmo a remuneração da poupança. Investir ou participar de um negócio, como uma franquia, uma indústria, comércio ou prestadora de serviço se mostrou uma alternativa atraente para quem tem conhecimento de como rentabilizar seu capital num desses setores. Esperava-se uma retomada virtuosa do Mercado de Capitais em 2020, segmento que tinha grande potencial de crescimento, pelo baixo desempenho nos últimos anos. Houve grandes fluxos de recursos da renda fixa para participar de potenciais concessões, abertura de capital de novas empresas na Bolsa de Valores, além das fusões e aquisições. Tudo em prol de uma melhor rentabilidade em função da baixa remuneração da renda fixa.

Pela situação econômica atual, existe a disposição de correr algum risco em prol de um ganho maior e consequente potencial de crescimento no segmento de participação, compra e venda de companhias. O foco são negócios com projeção de rápido crescimento, boa rentabilidade e inovadoras nas propostas e práticas de negócio. O Mercado de Capitais Brasileiro atingiu maturidade com boa penetração e capilaridade na captação de recursos com os investidores, sejam instituições ou pessoas físicas a fim de constituírem fundos para atuar em aquisições ou participações. Há também os que tem como estratégia investir em ações de empresas, apostando na valorização de suas ações e pagamento de dividendos. Neste segmento a entrada de novas empresas na Bolsa de Valores, via abertura de capital (IPO’s em inglês) é a maior em 13 anos. A desvalorização do Real foi outro fator que ajudou a tornar as empresas brasileiras atraentes para investidores estrangeiros.

O que a pandemia trouxe de necessidades e oportunidades

Nestes últimos meses, em diversos setores, empresas dos mais variados portes, se obrigaram, por força do estrago que a pandemia fez com seu desempenho, a repensar todo o seu negócio, seja estratégico, operacional, comunicação com os clientes, relação com os funcionários e fornecedores. A transformação digital virou uma necessidade para a sobrevivência.

Muitas empresas que enfrentaram dificuldades financeiras para se sustentarem nesta fase da crise, com seus estabelecimentos fechados e fuga dos clientes, se viram obrigadas a buscar alternativas fora do mercado de crédito tradicional, buscando sócios ou compradores para o negócio. Alguns cenários se desenharam:

Venda / Aquisição: Melhor do que fechar ou ir à falência, é vender o negócio para alguém que tenha melhor capacidade financeira para suportar a situação até a retomada da economia. A combinação da busca por investimentos ou oportunidades que tenham retorno atraente, a moeda nacional desvalorizada, tornando atrativo o investimento estrangeiro a um baixo preço, somado a dificuldade em acessar o mercado de crédito, que no caso se mostrou pouco eficiente em seu propósito e aqueceu demasiadamente este mercado neste ano.

Fusão: Se associar a um concorrente para diminuir custos, ganhar sinergia, aumento de capacidade produtiva ou cobertura geográfica, além de melhorar a situação financeira, passou a ser bem atrativo para as empresas que estavam dispostas a negociar a participação em um negócio, seja como oportunidade ou necessidade.

A situação obrigou a uma mudança de visão e status que vários empreendedores e empresários tinham, de focar onde o negócio gerava receita e boa rentabilidade, passando a ser prioridade para muitos, a busca de capital de giro, via alianças e sócios, senão o repasse do controle do empreendimento como um todo.

As oportunidades são muitas, com prospecção de potenciais parceiros, seja para a sobrevivência do negócio ou perspectiva de aproveitar a retomada com maior capacidade de aumentar a participação no mercado consumidor. O e-commerce teve um papel fundamental para a sustentação de vários negócios na pandemia, e as plataformas que já estavam disponíveis por grandes redes, como Lojas Americanas e Magazine Luiza, só para citar algumas, acabaram sendo a solução para pequenos negócios, que puderam redirecionar a sua força de vendas para um novo canal, usufruindo da estrutura operacional que já estava disponível pelas grandes plataformas.

Também muito esperada, mas com um processo moroso, são as concessões e privatizações, que fazem parte da agenda do governo federal e deve aquecer diversos setores, principalmente os de infraestrutura, logística e energia.

Atividades e serviços, inerentes aos preparativos para a negociação ou com o propósito de tornar empresas mais atrativas tem crescido nos últimos anos e tem grandes chances de ter um novo recorde neste ano, apesar da pandemia. Muitas empresas têm prospectado e contratado o serviço de valoração (Valuation em inglês) de seu negócio para se ter uma referência de valor do negócio calculado com uma metodologia técnica e criteriosa. Estes serviços também envolvem projeções e simulações do mercado alvo, vendas e rentabilidade, modelagem de plano de negócios e liquidez.

Do outro lado, empresas em fase de adquirir ou investir tem prospectado e contratado serviços de “Due diligence”, que é a verificação e análise dos controles internos e identificação de potenciais riscos para o adquirente.

Outra atividade aquecida, consequência da recente crise, são as reavaliações de ativos e passivos das empresas – Inpairment -, para que representem valores coerentes com a realidade atual e reflita o impacto no demonstrativo de resultados.

O ano de 2020 tem se mostrado como um promissor marco para o mercado de capitais no Brasil, seja pelo ótimo desempenho da abertura de capital de empresas, pelo desenvolvimento da capilaridade de captação de recursos para investimento ou pelo crescimento expressivo do mercado de fusões e aquisições. Tem sido uma dinâmica de continuidade e crescimento à economia em um contexto de dificuldades geradas por uma pandemia que trouxe desaceleração da economia, desemprego e perda de renda para grande parte da população.

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