Pandemia muda hábitos de consumo e atrai novos apreciadores de vinhos

O que é o Vinho de Mesa? - Blog do Pão de Açúcar

O consumo de vinhos no Brasil registrou uma alta histórica. Só no primeiro semestre deste ano, cresceu 27,8%, em relação ao mesmo período do ano passado. Em média, cada brasileiro bebeu 2,81 litros, entre abril e junho, intervalo considerado o mais restritivo da quarentena. O número representa um aumento de 72% em relação ao primeiro trimestre de 2020, um recorde nacional. Mas, os hábitos de consumo impulsionados pela pandemia não se resumem a dados estatísticos. O especialista em vinhos e curador da Talk Wine — a primeira startup brasileira 100% dedicada à degustação virtual de vinhos — Marcelo Copello, destaca outras revoluções estimuladas pela pandemia, novidades estas que, segundo ele, vieram para ficar.

Uma das tendências é a degustação virtual. A Talk Wine, por exemplo, já realizou cinco edições com temas diferentes, todas elas guiadas por especialistas em lives exclusivas, aliando informação e entretenimento. A experiência conta com o envio de um kit com dois vinhos, um cardápio de receitas para harmonização e dicas para aproveitar a vivência de casa, que pode ocorre na companhia de amigos e familiares. “As pessoas estão mais conscientes e preferem se reunir em casa e esta opção de entretenimento, aliado ao vinho, que é a bebida do momento é uma grande sacada”, destacou Copello. “A tendência veio para ficar, afinal é online a melhor forma de ter acesso aos grandes nomes do mercado, que, por vezes, não conseguem chegar em locais mais afastados do País”.

Para Copello, o online também ajudou a contribuir com o aumento nas vendas da bebida, incluindo e-commerces especializados, o que considerou como “o canal do momento”. Porém, o especialista destaca que muitos dos novos apreciadores ainda preferem fazer compras no grande varejo, em que se incluem redes de supermercados, hipermercados e cash and carry (atacarejos). “Nosso mercado recebeu vinhos mais baratos e isso também ajudou a aumentar o consumo”, disse.

A bebida vem ganhando os mais jovens e arrebatando apreciadores de outros segmentos, como os cervejeiros. “Isto ocorreu principalmente no período mais severo da quarentena, quando bares e restaurantes estavam fechados. Beber cerveja é um hábito muito mais atrelado ao bar. Por esta razão, muitos acabaram descobrindo o vinho e aumentando o consumo, que antes era mensal e passou a ser semanal, por exemplo”.

Com isso, segundo Copello, a tão falada universalização do vinho dá mais um passo. “O vinho está ficando cada vez menos elitizado, mas ainda está longe de se tornar uma bebida popular. Este é um processo que leva gerações. Para se ter uma ideia, a relação do brasileiro com a bebida é recente, e só começou a se popularizar na década de 90. Hoje, está conquistando a mídia, está nas novelas, jornais e isto ocorre porque os escritores gostam de vinho e multiplicam essa preferência, conquistando novos adeptos”.

A nova onda pode estar sendo puxada pelo público jovem. Apesar de não haver estudos sobre esta tendência, é possível observar os hábitos de consumo dos Millennials (nascidos entre 1980 e 1990) e da Geração Z (de 1990 a 2009), com relação à bebida. “São gerações que não têm tanto preciosismo ou preconceito com origem da bebida e com diferentes tipos. A eles pouco importa se a garrafa leva rolha, rosca, ou se é de vidro, por exemplo. Aliás, é por conta deste público que o mercado lançou o vinho em lata, uma bebida mais simples, porém de boa qualidade. As novas gerações querem o consumo pelo prazer. A preocupação maior deste grupo não é com luxo, mas com outras questões como o planeta e sustentabilidade.”

Deixe uma resposta