A Coluna do Roberto Maciel (quinta, 21.1): Os símbolos da pátria são de todos os cidadãos e não podem ser tomados por milícias

O que Lady Gaga tem a nos ensinar?
A posse do presidente norte-americano Joe Biden, em solenidade ontem em Washington, teve entre muitas marcas a participação da cantora e atriz Lady Gaga. Coube a ela a mais destacada atuação entre os artistas convidados: cantar o hino dos Estados Unidos. Lady Gaga somou aquele vozeirão todo a uma interpretação enfaticamente emocionada e, tanto quanto isso, a um posicionamento político que repudia o neofascismo que, travestido de conservadorismo, tentar se impor numa violenta e medieval busca de poder. E o que isso pode nos ensinar? Primeiramente, que é necessário resistir e afastar com vigor essas grosseiras ameaças às mais caras conquistas sociais – a liberdade civil e a democracia. Depois, que é possível, sim, recuperar símbolos de uma nação que muitas vezes são usurpados por quadrilhas, milícias, famílias ou formações fanáticas.

Os americanos dão o exemplo de que erros podem e devem ser corrigidos
Quando Lady Gaga entoou os primeiros versos de “The Star-Spangled Banner” (A Bandeira Estrelada), o hino dos EUA, deixou muito claro que em algumas ocasiões o povo pode errar, e perigosamente, mas pode se reconduzir ao rumo reto da inteligência, da solidariedade, do compartilhamento, da responsabilidade e da racionalidade. Os americanos erraram, é fato, quando em 2016 optaram por colocar um lunático na Casa Branca, assim como os alemães foram desastrados em por à frente do país, em 1933, um genocida assumido e sua quadrilha de psicopatas. Não se pode acertar sempre, é óbvio, e a história nos dá sobejas mostras disso, mas não é impossível reaprumar caminhos. O hino dos Estados Unidos começa assim: “Oh, diga! Você pode ver pela luz adiantada do alvorecer/ O que tão orgulhosamente nós saudamos nos últimos lampejos do crepúsculo”.

Torturador da verdade, assassino dos fatos
Detentor de perdão presidencial para uma série cabeluda de crimes financeiros, todos relacionados ao extremismo e ao conservadorismo, o marqueteiro norte-americano Steve Bannon (foto abaixo) terminou a temporada de Donald Trump na Casa Branca com a imagem exposta da forma mais negativa. Afinal, terminou com um carimbo de ladrão impresso na testa. Acusado de ter colocado no bolso dinheiro que serviria para bancar o excludente e isolador muro entre os EUA e o México, Bannon perdeu musculatura política – a mesma que usou para atender Trump e, no Brasil, Jair Bolsonaro.

Steve Bannon and U.S. ultra-conservatives take aim at Pope Francis

O fracasso subiu à cabeça do estrategista do fascismo
O grande ato pretendido por Steve Bannon, um vaidoso manipulador de mentiras nas redes sociais na Internet – capaz de produzir e espalhar fake news com nocividade ímpar e, assim, de interferir na política e empalmar o poder – era, ou é, acertar o coração do cristianismo. Ele estava, ou está, mirando no polo da fé católica, o Vaticano. E, sem receios, assume que planeja a derrubada do Papa Francisco. Bannon se anuncia como “católico”, mas nem o demônio – o próprio – conseguiu fazer o que ele tem ameaçado.

Aras passando vexame
No dia em que Donald Trump, notório estimulador de atos anti-democráticos, foi expelido do poder com o fim do mandato, o procurador-geral da República brasileiro, Augusto Aras, sofreu uma reprimenda firme de subprocuradores. Aras havia emitido terça-feira (19) nota na qual afirmava que “estado de calamidade pública é a antessala do estado de defesa”. Desse modo, tenta dar ares de legalidade a uma horripilante ameaça pregada pelo presidente Jair Bolsonaro – a de que são as Forças Armadas que definem se haverá ditadura ou não.

Demora ou omissão: 211 mil mortos
Mas os subprocuradores lembraram que, diferentemente de uma situação política, há no Brasil uma grave situação de incompetência administrativa – com o governo incapaz de conter a pandemia do coronavírus. “Não bastassem as manifestações de autoridades em dissonância com as recomendações das instituições de pesquisa, tivemos a demora ou omissão na aquisição de vacinas e de insumos para sua fabricação, circunstância que coloca o Brasil em situação de inequívoco atraso na vacinação de sua população”, escreveram os subsprocuradores José Adonis Callou de Araújo Sá – que já foi coordenador da Lava Jato na PGR, na foto abaixo -, José Bonifácio Borges de Andrada, José Elaeres Marques Teixeira, Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, Mario Luiz Bonsaglia e Nicolao Dino.

Coordenador da Lava Jato na PGR pede desligamento do cargo

“Precisa cumprir seu papel”
E, num desfecho forte, deram um pito em Aras: “O Ministério Público Federal e, no particular, o Procurador-Geral da República, precisa cumprir o seu papel de defesa da ordem jurídica, do regime democrático e de titular da persecução penal, devendo adotar as necessárias medidas investigativas a seu cargo”. Simples assim.

Apoio
A seção cearense da Ordem dos Advogados do Brasil aprovou voto de louvor por serviços prestados pelo Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar, da Assembleia Legislativa. O escritório presta atendimento jurídico popular, judicial e extrajudicial a comunidades vulnerabilizadas, grupos, coletivos, movimentos e indivíduos em situações de violação de direitos humanos.

Lives
Às terças e quintas-feiras, eu e a jornalista Eveline Frota realizamos lives no Instagram, com a marca “Coluna da Hora”, a partir das 18h. Os encontros duram uma hora e o internauta pode acessar e participar pelos perfis @evefrota ou @robertoamaciel. Também mantemos no YouTube o canal Coluna da Hora. Lá, há entrevistas com personalidades interessantes. A mais recente traz a vereadora Larissa Gaspar (PT) e está no ar.

Aposte no jacaré
Ator pornô, agora deputado federal, o tucano Alexandre Frota (SP) apresentou projeto com o qual obriga parlamentares federais a se vacinarem contra a covid-19, mesmo que o uso do produto no Brasil tenha sido aprovado somente em caráter emergencial. “Nós, deputados federais, e os senadores da República temos que dar o exemplo nesta campanha de imunização e deveremos, portanto, ser os primeiros a nos imunizar”, alega. Na justificativa, ele lembra que Jair Bolsonaro disse que quem se vacinar corre o risco de virar jacaré. Na briga entre Frota e Bolsonaro, o jacaré é o mocinho.

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