A Coluna do Roberto Maciel (quinta-feira, 11.02): Em plena pandemia, o Ceará conseguiu crescer na produção industrial

Avanço em escala industrial
O Estado do Ceará está posicionado entre os principais desempenhos industriais do País. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apurou que, em referência a números de novembro de 2020, a produção local só ficou atrás da do Espírito Santo. O Ceará chegou à marca de crescimento de 4,7%, enquanto os capixabas alcançaram o índice de 5,4%. Num panorama adverso à economia, com o Governo Federal batendo cabeça por conta da incapacidade de obter credibilidade e respeito e de reagir à crise, a notícia é auspiciosa.

A observar
Há pelo menos três pontos que merecem atenção especial:
1) O avanço do Ceará se dá em plena pandemia do coronavírus – o que tem, em outros casos, servido de argumento para a estagnação; mas o Ceará seguiu, ascendente, em sentido oposto;
2) O Ceará é um Estado historicamente afetado por dificuldades ambientais, como a seca, o que atinge de modo inapelável áreas de produção como o agroindústria e os serviços;
3) O Estado começou a implantar há cerca de 12 anos políticas públicas voltadas para o fortalecimento de atividades industriais, com atração de empreendimentos de diferentes áreas – os números do IBGE confirmam, então, que o planejamento deu bons resultados.

Outros desafios
É evidente que ainda há muito o que se fazer no Ceará. As demandas, afinal, são um acúmulo secular que vai da natureza adversa a falhas gerenciais, da política coronelista que perdurou entre os séculos XIX e XX – atrasada, violenta, excludente e opressora – à dependência que se permitiu instaurar em relação ao poder central. A educação pública, por exemplo, exige propostas e ações que a imunizem de posturas retrógradas (comuns à parte conservadoras do parlamento). A saúde, em plano distinto, precisa enfrentar agora os obstáculos impostos pela pandemia da covid-19, com a assustadora percepção de que o Planalto não está nem um pouco interessado em apoiá-la.

Millôr para sempre
Leitor estimado nos sugere publicar reflexões do jornalista Millôr Fernandes (1923-2012, na foto abaixo)). Dono de verve impagável, Millôr se notabilizou como crítico do poder e corajoso questionador da ditadura militar. A sugestão é bem aceita, sem dúvida. A que abre esta série é lapidar:

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“Se você agir sempre com dignidade, pode não melhorar o mundo, mas uma coisa é certa; haverá na Terra um canalha a menos”.

Lançamento
“Cartas para Conceição” é o título do livro que será lançado hoje (quinta-feira, 11.02) pelo o Instituto de Estudos e Pesquisas sobre o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp), órgão da Assembleia Legislativa. A obra é da autoria de Camile Baccin de Moura e Sarah Maria Forte Diogo. A apresentação será feita pela plataforma Zoom, a partir das 16h, em parceria com a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Casa. “Cartas para Conceição” reúne textos sobre feminismo, movimentos sociais, gênero, raça e classe.

O fim
O ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, agora um bem pago consultor de empresas, teve a máscara de “salvador da pátria” arrancada por um grupo atrapalhado de hackers que invadiram a conta que mantinha no aplicativo de mensagens Telegram. Mas a imprensa e o STF também temperam o tacho onde ele e os mosqueteiros da Procuradoria Geral da República no Paraná cozinham em fogo brando. O que se especula no meio jurídico não é quando, mas como Moro e a camarilha da Lava Jato prestarão contas com a lei.

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Causa e efeito
Avalia-se que a ação coordenada por Sérgio Moro, perseguindo o ex-presidente Lula (PT), tenha destruido milhares de empregos ao atingir empresas que tinham real representatividade no mercado de trabalho. E afetado de modo irrecorrível a saúde financeira e a credibilidade da Petrobras. Esses são efeitos diretos do que causaram a cobiça e a ambição desmedida pelo poder.

Alternativa
Está tramitando na Câmara federal projeto que prorroga até o fim deste ano a concessão do auxílio emergencial de R$ 600, instituído no ano passado. O Planalto, que já determinou o fim do benefício, admite novo modelo – reduzindo o valor para R$ 200,00 e impondo restrições ao acesso. A proposta, do deputado José Ricardo (AM) define que o auxílio será devido aos trabalhadores que já tinham direito no ano passado.

Mais do mesmo

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Areninhas e ecopontos continuam como pautas prioritárias de vereadores em Fortaleza. Não adianta: entra ano e sai ano, apesar de seguidas renovações na composição da Câmara Municipal, e os parlamentares não conseguem eleger assuntos diversos para propostas legislativas.

Que tomem a lição
É bom que se saiba: estabelecimentos particulares de ensino não podem cobrar mensalidades dos alunos com aumentos retroativos. E há colégios que, a despeito de acordo firmado entre o Sindicatos que os representa e a Defensoria Pública do Ceará, têm acenado para alunos e pais de alunos com faturas excessivas. O remédio para isso é a lei.

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