IGPM a mais de 20% ao ano pode ser um estímulo a trocar o aluguel pelo financiamento imobiliário

Com o IGP-M (conhecido como “inflação do aluguel”) tendo fechado 2020 em 23,14% e os juros, balizados pela taxa Selic, em níveis historicamente baixos, muita gente que vive em imóveis locados pode estar se perguntando se não vale a pena trocar o pagamento do aluguel pelo financiamento imobiliário — cujos juros giram em torno de 7%.

A advogada Daniele Akamine, da Akamines Advogados e Negócios Imobiliários e especialista em Economia da Construção Civil, explica que essa decisão deve levar em conta diversos fatores, como o fato de a pessoa dispor ou não de recursos para dar entrada em um imóvel e, claro, os rendimentos de aplicações versus o custo do financiamento.

Akamine esclarece, em primeiro lugar, que, se a pessoa já tinha o interesse em realizar esse tipo de operação, o momento pode ser o ideal. O fato de os juros estarem em patamares tão baixos, por exemplo, pesa a favor da compra nas duas mãos: por um lado, reduze o custo do financiamento mensal (que nunca foi tão baixo) e, por outro, diminui a rentabilidade das aplicações mais conservadoras, como a Caderneta de Poupança, o Tesouro IPCA e a maioria dos CDBs – todos investimentos que, em 2020, perderam para a inflação oficial.

Nessas circunstâncias, o rendimento da aplicação pode simplesmente não ser suficiente para pagar o aluguel: R$ 100 mil aplicados a 2% ao ano (nível da Selic) rendem, mensalmente, o equivalente a R$ 160. “Essa situação já foi muito mais favorável ao aluguel. Basta lembrar que, em meados da década passada, a Selic chegou a quase 20%”, destaca Daniele. Os mesmos R$ 100 mil aplicados a esses 20% rendiam mais de R$ 1.500 por mês.

Akamine lembra, ainda, que, pelo menos ao longo deste ano, ainda há, no horizonte, expectativa de mais inflação no atacado, o que deve, em alguma medida, contribuir para a elevação dos preços dos imóveis. O INCC, Índice Nacional de Custos da Construção, que reajusta o saldo devedor do cliente na planta, registrou, apenas em janeiro, um aumento de 0,93% segundo dados da Fundação Getúlio Vargas ou 9,39% em 12 meses.

Já contra sair do aluguel pesa, por exemplo, a mobilidade proporcionada pela locação. A maioria dos contratos prevê um prazo mínimo de dois anos, período durante o qual uma pessoa pode mudar de emprego, por exemplo. “Se há essa perspectiva, pode ser mais interessante continuar no aluguel tendo em vista a possibilidade de uma eventual mudança para outro imóvel, mais próximo do novo emprego”.

Akamine ressalta, ainda, que a compra de um imóvel financiado exige, entre outras coisas, que o interessado disponha de recursos para, pelo menos, dar entrada no pagamento, parcelando o restante. Essa costuma ser de, no mínimo, 20% do valor total do imóvel. No caso de um apartamento de R$ 500 mil, por exemplo, essa entrada seria de R$ 100 mil. “É preciso, ainda, ter em mente a importância de não usar todo o dinheiro aplicado, deixando uma parte para compor a reserva de emergência, essencial para situações inesperadas, como a perda de um emprego, por exemplo”, conclui.

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