A Coluna do Roberto Maciel (quinta-feira, 18.02): Política, Daniel Silveira e #BigBrotherBrasil

O basculho que Daniel Silveira representa (ou “O ‘Excelentíssimo’ Sr. Deputado Daniel Silveira”)

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O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ, de camisa amarela, à esquerda), ex-policial militar de conduta violenta, é uma nulidade política. Isso é óbvio e não se trata aqui de nenhuma ofensa a ele ou a quem pensa como ele. Como parlamentar ou cidadão, Daniel Silveira não apresenta conteúdo que contribua com debates ou com os necessários desenvolvimento, fortalecimento e qualificação da sociedade. Já agia assim quando era da PM, na mesma forma com a qual procedeu quando era candidato. Montado sobre um discurso de ódio e violência, Daniel Silveira é um subproduto do bolsonarismo – uma borra que inchou sob a sombra de Jair Bolsonaro e do ex-juiz Wilson Witzel (à direita), que em 2018 foi eleito governador do Rio de Janeiro pelo PSC, estando agora afastado do cargo e investigado por denúncias de grossa corrupção. Chamá-lo de “excelência”, como o protocolo exige, é uma cruel piada de mau gosto.

Esse é o tipo de deputado que o povo quer?
A introdução acima talvez seja dispensável, uma vez que muitos já sabem o que Daniel Silveira fez nos últimos dias: atacou brutalmente a Democracia, atingindo ministros do Supremo Tribunal Federal e a própria instituição, e acabou preso. O deputado foi encarcerado por ordem do ministro Alexandre de Morais, do STF. O que se deve analisar, então, não é só a atitude de Daniel Silveira, um detentor de mandato público e, portanto, a quem o povo conferiu atribuições graves. O foco da leitura deve ser também se o parlamentar tem cumprido aquilo para o que foi escolhido. A postura dele encontra respaldo na legalidade? Está de acordo com a Constituição? Tem relações com o Direito compreendido pelo Código Penal?

Big Brother e política

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No mesmo dia em que Daniel Silveira foi enjaulado, o humorista de alcunha “Nego Di” (acima) foi libertado, por assim dizer, do confinamento no programa Big Brother Brasil. Dos votantes, 98,76% optaram pela expulsão – um vergonhoso recorde de rejeição entre todos os programas da franquia. Ficou para Nego Di, do lado de fora, dizer que foi manipulado, usado por outros, estimulado a atacar concorrentes mais frágeis – algo que, à luz de qualquer apreciação, soa como desfaçatez. E para Daniel Silveira, o que resta? Ele pode justificar para a Câmara dos Deputados e o STF o gesto que cometeu? Alguém o manipulou, o usou? O eleitor vai compreender como “democrática” a manifestação dele? O rastejante pronunciamento é de alguma forma aceitável?

Ele e os outros
Não se engane: Daniel Silveira não está só. Assim como ele, há outros – figuras como Sara Winter, Oswaldo Eustáquio, Olavo de Carvalho e Allan dos Santos, militantes do terror e da mentira que se notabilizaram na cena bizarra em que se encontra o País, são exemplos. O que se pode agora é buscar sinais de como o bolsonarismo e a família Bolsonaro vão tratar o deputado. E note: pelo afastamento que indicam buscar, tendem a abandonar o parlamentar ex-PM como largaram os demais. Tendem a fingir que Daniel, como fingem em relação a Sara, Oswaldo, Olavo e Allan, não os representa.

Abaixo do lixo
Voltemos ao Big Brother. Lá, horas antes da expulsão do Nego Di, o competidor Gilberto xingou a colega Pocah de “basculho”. Quis, dessa maneira, chamá-la de lixo do lixo. Ou de algo abaixo disso. Essa aplicação do verbete, verdadeiramente aguda, é puramente nordestina, assim como é o pernambucano Gilberto. Mas pode ser cabível também para o tipo de política que leva a assinatura de Daniel Silveira.

O que é
Não se pode esquecer que o bolsonarismo advém do ódio que setores organizados, golpistas, instilaram contra a política e os políticos, especialmente contra o Partido dos Trabalhadores e os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O bolsonarismo é, portanto, mais expressivo do que o próprio Bolsonaro – este, sim, é o resultado mais intenso da caçada humana que se fez na política brasileira. Quanto a Daniel Silveira, ele tem o mesmo recheio de Sérgio Moro, o ex-juiz que engendrou com procuradores da República em Curitiba um meio de linchar o Poder Judiciário e de perseguir aqueles que via como “inimigos” de seus projetos pessoais. Nutriu-se do que parte da Imprensa, empresários e entidades patronais reverberaram por anos: oportunismo e rancor puros.

Próximos passos
O STF fez o que devia e, por unanimidade, resolveu manter a sociedade protegida de Daniel Silveira. Engaiolou-o com razão e transferiu para a Câmara dos Deputados a tarefa de expurgá-lo da vida pública. A responsabilidade agora é do Poder Legislativo, que, se tiver algum zelo pela Constituição, não pode tomar outra decisão diferente da cassação.

De Lira
Palavras do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL): “Como sempre disse e acredito, a Câmara não deve refletir a vontade ou a posição de um indivíduo, mas do coletivo de seus colegiados, de suas instâncias e de sua vontade soberana, o Plenário. Nesta hora de grande apreensão, quero tranquilizar a todos e reiterar que irei conduzir o atual episódio com serenidade e consciência de minhas responsabilidades para com a instituição e a Democracia. Para isso, irei me guiar pela única bússola legítima no regime democrático, a Constituição. E pelo único meio civilizado de exercício da Democracia, o diálogo e o respeito à opinião majoritária da instituição que represento. Mais do que nunca, o Brasil precisa de seus líderes ponderação, equilíbrio, serenidade e desarmamento de espíritos para que nossa Democracia seja poupada de crises artificiais e possa cumprir sua missão mais fundamental: ajudar o povo brasileiro a superar a maior crise sanitária, social e econômica do último século”. Arthur Lira é bolsonarista. Está onde está porque Bolsonaro o apoiou.

Paralelo

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Há muitos personagens na História do calibre de Daniel Silveira. Um deles é Ernst Röhm (foto acima), militante nazista que ajudou a criar as milícias que impunham terror em nome de Adolf Hitler. Sobre ele, escreveu o historiador Gordon Williamson: “A intenção de Ernst Röhm (…) nunca foi tornar-se um seguidor de Hitler, mas, em vez disso, utilizar o NSDAP para alimentar suas próprias ambições pelo poder político e militar”. Mais se registrou a respeito dele: “Tinha talento para a organização, mas seu real pendor era para a violência bruta”. Em choque com o alto comando do nazismo, Röhm acabou preso e assassinado por ordem do próprio líder.

Estratégia
Tempos de pandemia dão nisso. A Câmara Municipal de Fortaleza aprovou medida que permite que as sessões ordinárias se realizem sempre às terças, quartas e quintas-feiras. E em formato híbrido. Nesse modelo, até 20 parlamentares serão permitidos presencialmente no Plenário. Outros 20 participarão por videoconferência em tempo real. A Mesa Diretora estará representada no Plenário por três integrantes.

Raiz
E a Câmara de Fortaleza vai ter uma Comissão de Juventude. A decisão foi tomada com a aprovação de Projeto de Resolução do vereador Júlio Brizzi (PDT). A proposta se origina diretamente da militância de Brizzi antes do mandato.

Laços da Família
Tramita na Câmara dos Deputados projeto do deputado Paulo Ramos (PDT-RJ) que altera a legislação que trata da lavratura de escrituras públicas. Diz lá que os cartórios brasileiros ficam obrigados a informar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) negócios com imóveis realizados em dinheiro vivo.

Trava
Se a matéria passar, transações como muitas das que foram feitas pela família do presidente Jair Bolsonaro serão dificultadas. Essa matéria do portal G1 mostra direitinho como eles agiam.

Pauta

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A Assembleia Legislativa do Ceará tem sessão deliberativa em plenário nesta quinta-feira (18/02). E será em modo formato híbrido, com parlamentares participando presencialmente e remotamente. A pauta inclui 12 matérias. Uma delas concede o título de Cidadão Cearense ao vice-prefeito de Fortaleza, Élcio Bastista (acima), nascido em Cascavel (PR).

Vitrine
O novo gestor da TV da Assembleia Legislativa do Ceará, Arnaldo Santos, quer otimizar a estrutura da emissora para expor o que a institução disponibiliza ao público. Serviços como os do Procon Assembleia, da Casa do Cidadão e do Departamento de Saúde e Assistência Social estão no foco. “Vamos mostrar como a Casa do Povo oferece ao povo o que ele necessita, sobretudo numa sociedade de desigualdades sociais e pobreza como a que temos”.

Coluna da Hora
Às terças e quintas, realizamos lives no Instagram com a marca “Coluna da Hora”, sempre a partir das 18h. Os encontros duram uma hora e o internauta pode acessar e participar pelo perfil @robertoamaciel. Também mantemos no YouTube o canal Coluna da Hora, com entrevistas com personalidades pra lá de interessantes.

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