Jornal Diário do Nordeste encerra circulação de edições impressas

O jornal cearense Diário do Nordeste anunciou hoje que vai parar de circular em edição impressa. Após 39 anos de atividade, o matutino criado pelo industrial Edson Queiroz encerra atividades no modelo físico. E de forma lastimável: com a demissão de dezenas de trabalhadores da Redação, da gráfica e da área comercial.

Veja, abaixo, nota do Sindicato dos Jornalistas do Ceará:

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) vêm a público lamentar o fim da edição impressa do jornal Diário do Nordeste e, ao mesmo tempo, solidarizar-se com as dezenas de trabalhadores demitidos, entre gráficos e jornalistas. Em anúncio feito ao mercado publicitário, na manhã desta quinta-feira (18/02), a direção da empresa jornalística informou que a última tiragem impressa do periódico circulará no dia 28 de fevereiro.

O fim da circulação impressa de mais um jornal no Brasil é um duro golpe no direito da população de ser informada. Segundo o projeto Atlas da Notícia, vivemos em um país onde 62% dos municípios não têm cobertura noticiosa. E 15,9% da população carece de acesso a jornalismo produzido localmente. São 33,7 milhões de brasileiros vivendo nos chamados “desertos de notícia”. Norte e Nordeste continuam sendo as regiões com maiores concentrações de vazios de cobertura local.

Para os trabalhadores gráficos e jornalistas, as demissões acontecem num momento em que as categorias profissionais estão extremamente fragilizadas pela pandemia de Covid-19. No caso dos operários e operárias da notícia, são dois anos e meio sem reajustes salariais e sem convenções coletivas de trabalho, além de nove meses com redução salarial de cerca de 25%.

Morre o papel, morre a memória. Com o fim da circulação impressa do Diário do Nordeste acaba também o sonho do fundador, o empresário Edson Queiroz, que apostou na força do jornalismo regional há 39 anos. Parque gráfico moderno, redação integrada e serviços digitais, no entanto, não foram suficientes para reverter a crise do impresso, que se soma à má gestão do jornal da família Queiroz nos últimos 10 anos e a perda de identidade do jornal.

O Sindjorce disponibiliza sua assessoria jurídica para acompanhar os profissionais demitidos e, nesse momento, solidariza-se com as famílias, que terão de enfrentar a maior crise sanitária do século XXI em meio ao desemprego. A entidade recomenda que os colegas demitidos não assinem nenhum documento sem antes passar pelo Sindicato, como forma de evitar maiores prejuízos financeiros.

O Sindicato e a Federação lamentam ainda que, embora exclusivamente no digital, o jornal não tenha optado por realocar os profissionais dispensados, assim como não tenha, no âmbito do Grupo Edson Queiroz, uma das maiores organizações empresariais do estado, criado uma solução alternativa para a Editora Verdes Mares, mantenedora do jornal.

Por fim, destacamos que o Diário do Nordeste precisa resgatar urgentemente a ousadia de seu fundador e restabelecer a relação social entre o jornal e a comunidade. E isso não sem faz sem a valorização do trabalho das e dos jornalistas.

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