A Coluna do Roberto Maciel (quinta-feira, 25.03): Algo no ar de Fortaleza além dos aviões de carreira

  • O vaivém de aeronaves no heliponto de uma mansão na Avenida Antônio Sales, no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza, está deixando a vizinhança em polvorosa. A aparente falta de habilidade de quem tem pilotado um helicóptero por lá nos últimos dias, ou pelo menos tentado pilotar, vem impondo pânico para quem mora nas proximidades, assim como para quem trabalha no entorno. Ali pertinho há um hospital, um colégio e quatro grandes empresas de comunicação, além da holding de uma corporação local. Há também dois supermercados, postos de combustíveis e um food truck. No meio disso tudo, com tantas vidas submetidas a tantos riscos, o piloto age como se estivesse aprendendo. E o local não é, definitivamente, o adequado para lições assim. Há espaços autorizados e fiscalizados pelo poder público na cidade e em municípios vizinhos, como Aquiraz, nos quais se pode tomar aula de pilotagem com muito mais respeito e consideração à vida alheia.

Risco extremo
A estranha e indevida movimentação do aparelho impõe insegurança extrema para uma comunidade inteira. Mas, associada a essa situação perigosa, há também a falta de ação da Agência Nacional de Aviação Civil, que deve cuidar de atividades do gênero, da Prefeitura de Fortaleza e do Governo do Estado, sem contar a imobilidade do Ministério Público – que de tudo dá conta. Essas instituições nem precisam ser provocadas por denúncias, uma vez que têm condições de monitorar fluxos diferentes dos habituais.

Terra da Luz
Hoje é feriado no Ceará. Celebra-se a Data Magna do Estado, referente ao dia da Abolição dos escravos. Foi um gesto político pioneiro e corajoso no País, nos idos de 1884. O ato também rendeu ao Estado a definição de “Terra da Luz”. A Data Magna do Ceará foi instituída por lei de 6 de dezembro de 2011, mas a iniciativa do feriado foi tomada em 2013. Ambas as propostas levaram a assinatura do então deputado Lula Morais (PCdoB, foto abaixo) – sendo também manifestações contra o preconceito racial e pela dignidade do trabalhador.

Dep. Lula Morais (PCdoB)

Moro não aprende e continua mentindo
A frase mal-escrita é do ex-juiz Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do presidente Jair Bolsonaro: “Tenho absoluta tranquilidade em relação aos acertos das minhas decisões, todas fundamentadas, nos processos judiciais, inclusive quanto aqueles (sic) que tinham como acusado o ex-presidente (Luiz Inácio Lula da Silva, PT)”. Essa manifestação foi emitida após a segunda turma do Supremo Tribunal Federal considerá-lo suspeito para julgar as acusações feitas contra Lula pelos procuradores da República abancados na Operação Lava Jato. Moro mente ou diz meia-verdade, o que dá no mesmo. Coube a ele, na funesta história recente, achatar a credibilidade do Judiciário brasileiro ao rés do chão. Sempre com “decisões fundamentadas, nos processos judiciais”, observe-se. Moro diz que está certo. Diz também, dessa maneira, que os três ministros do STF que lhe declararam a suspeição estão errados.

Uma verdade: Sérgio Moro criou regras próprias e corrompeu outras
A mentira de Moro – ou a meia-verdade, dependendo das considerações de quem estiver lendo esta Coluna agora – se confirma pela análise da linha política que ele, sem disfarces nem vergonha, impôs ao destino de Lula (a cadeia por 570 dias) e ao Brasil (a eleição de Jair Bolsonaro). Como é fácil de conferir nos diálogos travados entre o ex-juiz e o grupo de procuradores liderado por Deltan Dallagnol, interessado em ganhar dinheiro com palestras messiânicas sobre “combate à corrupção”, foi o próprio Moro quem orientou o Ministério Público sobre o que fazer para afastar Lula da disputa presidencial de 2018. E tenha certeza: Sérgio Moro fundamentou, sim, “as decisões nos processos judiciais”. E agiu ao arrepio da lei, feito pistoleiro. Criou regras próprias para esmagar as regras da nação. No estilo de um miliciano.

Todos ganham
Ao declarar Moro suspeito, o STF abriu uma caixa de bondades. Primeiro, para Lula – que se vê reabilitado de forma mais nítida do que na deliberação monocrática do ministro Edson Fachin, que há duas semanas tornou sem efeito as condenações no caso do triplex do Guarujá; Depois, para Bolsonaro – que se livra de vez de Moro na perspectiva de o ex-juiz e ex-ministro ser candidato à Presidência em 2022; Em seguida, para o próprio STF – que alivia de sobre o Poder Judiciário a mancha de desonestidade pespegada pelo então magistrado; Por fim, para o País – que vai poder acenar para parceiros e investidores internacionais com uma nova aparência na tão falada segurança jurídica, algo caro aos mercados mas triturado pela Operação Lava Jato.

Saúde!
O deputado Acrísio Sena (PT) pôs para tramitar na Assembleia Legislativa projeto com o qual sugere que a Casa homenageie o secretário da Saúde do Estado, Carlos Alberto Martins Rodrigues Sobrinho (Dr. Cabeto), pelos serviços prestados ao Ceará no enfrentamento da covid-19. A proposta já estará na pauta da AL na próxima semana, segundo acertado entre Acrísio e o presidente, Evandro Leitão (PDT). Detalhe: a mais importante comenda da saúde cearense leva o nome do pai de Cabeto, o também médico Paulo Marcelo Martins.

Apanhado no contrapé
Um dia antes de o Brasil alcançar a trágica marca de 300 mil mortos pela covid-19, numa dantesca cena de colapso das estruturas da saúde e dos profissionais, o presidente Jair Bolsonaro chegou aos lares do País com a retórica de que está fazendo tudo para salvar vidas – o que não corresponde à verdade, como se percebe com uma análise rápida do que ele tem, de fato, imposto. Além do questionável discurso, sobejamente desmentido terça-feira e ontem nas redes sociais, Bolsonaro deixou um impagável ato falho, como se vê na imagem abaixo.

Não é pessimismo, apenas – é também matemática
A propósito da carnificina que o governo de Bolsonaro tem propocionado, aliado ao coronavírus, deve-se fazer uma conta terrivelmente pertinente: a de quando se vai chegar a 400 mil mortes. A permanecer o quadro atual, com falta de equipamentos, instalações, medicamentos e vacinas, que leva o País a ter mais de 3 mil mortes por dia, é possível que se chegue a um novo marco fúnebre em 133 dias – ou quatro meses e meio, lá por meados de agosto. Reafirmamos o que título desta nota expressa: não se trata aqui de pessimismo ou derrotismo, mas de uma apreciação baseada em projeção matemática e considerando que não há indicadores da redução do ritmo da doença. É de se levar em conta, ainda, a vontade política do governo, mas essa é uma análise que pode ser alterada pela coragem do Congresso e do Judiciário.

Coluna da Hora
Sempre às terças-feiras, a partir das 18h, realizo lives no Instagram com a marca “Coluna da Hora”. Os encontros duram uma hora e o internauta pode acessar e participar pelo perfil @robertoamaciel. Minha conversa mais recente foi com o jornalista Eliomar de Lima, tratando da comunicação em tempos de pandemia. Você pode conferir abaixo:

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