Entidades questionam eficácia do #kitcovid e recomendam que não se use no tratamento da doença

Da Câmara de Fortaleza, com texto de Marcelo Raulino:

O chamado “kit covid” que inclui a hidroxicloroquina, a azitromicina, a ivermectina e a nitazoxanida, além dos suplementos de zinco e das vitaminas C e D, entre outros, vem sendo questionado por especialistas e entidades médicas sobre sua eficácia. Hospitais Universitários como o da Universidade de São Paulo e o da Unicamp têm realizado experiências que determinam que o kit medicamentoso pode ter até efeito nefasto em pacientes pré-dispostos a doenças hepáticas.  

Nesta terça-feira (23), a Associação Médica Brasileira (AMB) divulgou um boletim na qual condena o uso de remédios, segundo ela, sem eficácia contra a Covid-19. O posicionamento é oposto a um anterior, de julho do ano passado, quando a entidade defendeu a “autonomia do médico” ao receitar os medicamentos. A nota diz: reafirmamos que, infelizmente, medicações como hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outras drogas, não possuem eficácia científica comprovada de benefício no tratamento ou prevenção da COVID-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas dessa doença, sendo que, portanto, a utilização desses fármacos deve ser banida”, diz o novo texto.

A entidade, neste documento, cita 13 pontos para enfrentamento da pandemia e reforça a necessidade de prevenção da Covid-19. Entre eles, estão a necessidade de acelerar a vacinação, manter o isolamento social, o uso de máscaras e, também, a necessidade de ação das autoridades para solucionar a falta de medicamentos no atendimento de pacientes internados com Covid, principalmente daqueles necessários para a intubação.

No ano passado, ao lado da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e do Conselho Federal de Medicina (CFM), a AMB se posicionou entre as entidades médicas que ainda tinham posicionamentos neutros ou favoráveis ao direito dos médicos de escolher o tratamento para pacientes com Covid. Na nota dizia que não existiam “estudos seguros, robustos e definitivos sobre a questão”. Sob nova presidência, a Associação Médica Brasileira passou a defender que o Kit não seja utilizado e orienta médicos sobre o uso de corticoides e anticoagulantes, que devem ser reservados exclusivamente para pacientes hospitalizados e que precisem de oxigênio suplementar

A nota é assinada por diversas entidades, entre elas: a Academia Brasileira de Neurologia, Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, Associação Brasileira de Medicina de Emergência, Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação, Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícias Médicas, Associação Brasileira de Medicina Preventiva, Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, Associação Médica Cearense, entre outras.

Ineficaz

Para o professor Edson Teixeira, do Departamento de Patologia e Medicina Legal da Faculdade de Medicina e do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia de Recursos Naturais da Universidade Federal do Ceará (UFC), o uso de qualquer medicamento é baseado em estudos clínicos acumulados que analisam segurança e eficácia, dose e período de tratamento e que infelizmente esses Kits não oferecem a mínima base científica para ser usado na COVID-19 e agora começam a aparecer problemas com efeitos colaterais graves

“Infelizmente, alguns profissionais, na angústia de tratar, resolveram indicar essas medicações mas não existe evidência científica para isso, sendo que para alguns deles, sociedades médicas, agências de vigilância e até mesmo a OMS (Organização Mundial da Saúde) e os laboratórios que produzem as drogas não recomendam. Além disso, alguns médicos que trabalham em UTI revelam que pessoas que utilizam esse Kit chegam piores nos hospitais pois demoram a procurar tratamento por se sentir seguros com usando os medicamentos”, destaca.

Na sua visão, doenças respiratórias agudas como a COVID devem ser acompanhadas para tratamento sintomático, mas nunca deve ser passado um tratamento igual para todos, o que pode gerar muitos problemas. “É bom lembrar que 80% das pessoas podem não ter sintomas ou ter sintomas muito leves e qualquer coisa que utilizem, seja o Kit medicamentoso ou um pudim, fará o mesmo efeito pois a infecção se resolveria de qualquer forma, o que as vezes dá a ideia de que foi o Kit erroneamente que agiu na cura”, concluiu.

A reportagem tentou contato com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e com o Conselho Regional de Medicina (CREMEC) que ainda não se posicionaram oficialmente sobre esse tema, mas não obteve retorno até o fechamento dessa matéria.

Deixe uma resposta